<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523</id><updated>2012-01-17T16:21:54.729-08:00</updated><title type='text'>Crítica - a visão sob um admirável mundo novo</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>63</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-4051106781031657624</id><published>2012-01-17T16:21:00.001-08:00</published><updated>2012-01-17T16:21:54.743-08:00</updated><title type='text'>O CATA-VENTO</title><content type='html'>&lt;p align="center" style="text-align:center;line-height:150%"&gt;&lt;i&gt;“Certas pessoas parecem separadas da angústia apenas pela pobreza de sua imaginação, como se fossem por demais tolas ou por demais inteligentes para ter medo. Invejo-as às vezes, mas erroneamente. A angústia faz parte de nossa vida. Abre-nos para o real, para o futuro, para a indistinta possibilidade de tudo”. (André Conte- Sponville)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;tab-stops:106.35pt"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;Uma após a outra, suas pálpebras foram se abrindo com certa dificuldade. Por entre nuvens carregadas, os primeiros raios solares se infiltravam através das cortinas e inundavam todo o quarto, trazendo à consciência o nascer de um novo dia. Ainda deitado em sua cama, sentia faltar-lhe as forças necessárias para se levantar e, por esta razão, apenas contemplava o ambiente ao seu redor. Percebeu então que as paredes e janelas tremiam de forma esporádica, lembrando pequenos terremotos. Mesmo os pingos de chuva que caiam lá fora e se chocavam contra o telhado, abafando um pouco os ruídos vindos da rua, não conseguiram dispersar seu pensamento, muitas vezes considerado rígido e obsessivo: &lt;i&gt;“É, mais um caminhão que se vai... parece que outra construção teve início...”&lt;/i&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;tab-stops:106.35pt"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;tab-stops:106.35pt"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;Ao se pôr de pé, Guilherme, um jovem pesquisador independente, preparava-se para realizar suas tarefas rotineiras que tanto gostava nas manhãs de domingo. Num dia como aquele, onde os horários não tinham tanta importância e as pessoas deixavam seus carros nas garagens, realizar atividades como andar descalço sob o piso gelado, trocar a água dos cães e gatos, abrir portas e janelas e, principalmente, ir até o jardim e recolher o periódico entregue pelo jornaleiro, eram pequenos prazeres insuperáveis aos quais ele não abria mão, ainda mais se tratando de finais de semana. Infelizmente, naquele dia, seu caderno de notícias não estava lá. Roubado? Entregue em outra residência por engano? Não podia saber. Acreditou por um instante ser alguma travessura de seu cachorro Peter, entretanto, este dormia profundamente agarrado a um osso de brinquedo e não demonstrava preocupação com o que acontecia no mundo lá fora. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;tab-stops:106.35pt"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;tab-stops:106.35pt"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;De volta ao interior da casa, mais precisamente à sala de TV, resolveu se distrair um pouco com a tela de alta definição enquanto os outros membros da sua família ainda dormiam. No relógio da parede era possível visualizar o horário: 6hs. Esticado como estava sobre o sofá, Guilherme pôde ouvir pequenas batidas na janela que dividia sua casa do terreno de seu vizinho Renato. Surgindo por entre as árvores, este o cumprimentou. Era um senhor de estatura mediana e, aposentado há muitos anos por questões de saúde, dedicou grande parte de sua vida a manutenção e conservação de seu quintal. Seja cortando galhos já ressecados pela troca das estações ou simplesmente aparando a grama alta, bastava apenas apurar um pouco os ouvidos para acompanhar as cantigas populares em forma de assobios, que anunciavam sua chegada nas primeiras horas da manhã. E, por entre as grades da janela, como fazia durante todo o ano, entregou a Guilherme um saco cheio de acerolas ao qual sentenciou: &lt;i&gt;“Não esqueça que o primeiro copo de suco é meu, entendeu?”. &lt;/i&gt;Com um sorriso no rosto, acreditou ser esta a melhor forma de agradecer aquele gesto singelo.  &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;tab-stops:106.35pt"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height: 150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;tab-stops:106.35pt"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;Após colocar as acerolas no freezer e apanhar o molho de chaves em cima da geladeira, dirigiu-se até o portão e saiu sem deixar recado. Caminhando pela estrada recém asfaltada, acompanhou com o olhar as casas dos vizinhos e buscou seus rostos através da memória. &lt;i&gt;“Infelizmente, a minha família não é a deles..&lt;/i&gt;., pensou. Teve a oportunidade também de visualizar, ao longe, a chaminé de uma grande empresa têxtil na qual trabalhou por alguns anos. Ela expelia uma fumaça negra, espessa, que logo foi desaparecendo no ar. Lembrou-se então do jornal. De repente, num gesto inconsciente, acelerou a passada e, mudando de forma abrupta a direção e ignorando o caminho até então percorrido, seguiu em frente rumo à única banca de jornal do bairro. Ao passar os olhos pelas publicações, nenhuma delas chamou tanto sua atenção quanto a conversa entre o dono da banca e outro cliente que folheava uma revista semanal. Ambos discutiam sobre uma notícia que se tornou capa dos grandes jornais e gerou grande repercussão: a construção de uma Usina Nuclear na cidade de Blumenau.  &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;tab-stops:106.35pt"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;tab-stops:106.35pt"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height: 150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;“Quanto custa?”,&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt; perguntou Guilherme ao colocar o jornal na mochila. &lt;i&gt;“R$ 6,00, meu filho”&lt;/i&gt;, respondeu o proprietário. &lt;i&gt;“Custa um a mais por causa do frete...”&lt;/i&gt;, tentou se explicar, após certo constrangimento gerado pelo valor cobrado ser diferente do que constava na primeira página. A discussão entre os dois senhores girava em torno de alguns assuntos interessantes, desde geração de energia até as dificuldades de se encontrar um local adequado para iniciar as obras. &lt;i&gt;“Eles não percebem o perigo...&lt;/i&gt; &lt;i&gt;este plano da Dilma de construí-las é uma loucura!... Duas no Nordeste, duas no Sudeste... e agora uma no Sul? Como assim, decisão irrevogável? Eles que vão construir uma na frente da casa deles!”, &lt;/i&gt;esbravejando ao mesmo tempo em que se censurava pela ingenuidade. Ao ir se afastando, estes pensamentos geraram vários tipos de sentimentos, como indignação e frustração, que acabaram contribuindo para o surgimento de uma intuição que lhe tomou de assalto a atenção e provocou uma onda de esbarrões entre ele e as inúmeras sacolas de compras carregadas pelos transeuntes vindos do mercado: &lt;i&gt;“Prédio que nada, casa que nada, aqueles caminhões estão a serviço do governo... &lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;tab-stops:106.35pt"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;tab-stops:106.35pt"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;No trajeto de volta para casa, seu coração já não batia tão forte e sua respiração aos poucos foi voltando ao ritmo normal. Ao optar por uma rua menos movimentada, foi de encontro às Areias Beckhauser. Era um local aonde inúmeros caminhões iam e vinham constantemente e várias pessoas utilizavam como via de acesso para irem pescar nos dias de folga. Ultrapassando o portão principal e esquivando-se dos montes de areia que obstruíam sua passagem, Guilherme foi descendo uma pequena ladeira até chegar à beira do rio. Lá encontrou Renato pescando na companhia de seus dois netos. Sem se fazer notar, sentou-se ao lado deles e apenas observou o momento em que o anzol era lançado pela primeira vez. Enquanto acompanhava este movimento, na outra margem do rio, acima das copas das árvores, seu senso de escala foi surpreendido pela visão de uma gigantesca turbina eólica. Tendo apenas sua hélice visível, começou a trocar palavras consigo mesmo, como de costume: &lt;i&gt;“Desde quando ela está aí”? &lt;/i&gt;E, continuou, admirando-se do fato constatado: “&lt;i&gt;Eu nunca tinha visto uma de perto... não havia percebido...”.&lt;/i&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;tab-stops:106.35pt"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;tab-stops:106.35pt"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;De repente, um assobio se fez presente. Não era o vento zumbindo por sobre suas cabeças ou os lixeiros trabalhando próximo dali; em Blumenau, o vento não se faz presente: apenas o calor e a chuva. E este fato podia ser constatado pela fina garoa que chegava e partia constantemente, e também pelas gotículas de água que iam acumulando-se por sobre as folhas e galhos estáticos. Renato sabia que não podia mais confiar nas previsões meteriológicas como antigamente, e acenava para seus netos e pedia que estes colocassem suas capas. Quando estes, Penélope e Ricardo, já apresentavam sinais claros de aborrecimento proporcionados por uma pescaria enfadonha e brincavam longe dali, Guilherme aproveitou para se aproximar e perguntou enquanto não tirava os olhos do enorme cata-vento: &lt;i&gt;“Por acaso o senhor ficou sabendo da notícia sobre a usina aqui na cidade?”&lt;/i&gt;. Após forçar o molinete duas vezes para trás, sem nada conseguir fisgar, ele respondeu: &lt;i&gt;“Hoje de manhã quando fui até o mercado comprar pão e leite para as crianças e depois passei lá na banca, o seu Ernesto me contou. Eu achei curioso. Na verdade eu nem tenho muita noção de como seja uma. Por acaso já escolheram o lugar?”&lt;/i&gt;. Guilherme ouviu com atenção aquela resposta e sua pergunta subseqüente, mas não respondeu. &lt;i&gt;“Ainda não... mas pode ser em qualquer lugar Seu Renato... no meu bairro, no seu... na minha rua, na sua... de preferência perto de um rio... basta apenas eles quererem...”&lt;/i&gt;, respondendo apenas em pensamento, enquanto o bater de asas de uma ave na direção contrária à correnteza, rio acima, mostrava todo o empenho da natureza em sua luta diária por alimento. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;tab-stops:106.35pt"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;tab-stops:106.35pt"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;Enquanto Renato remexia um pequeno pote onde guardava suas iscas e preparava-se para um novo arremesso, entregou uma garrafa para o jovem pesquisador, dizendo: &lt;i&gt;“Quando nós chegamos aqui hoje de manhã, Penélope a encontrou no meio daquelas pedras e trouxe correndo para cá. Deve ser alguma carta de amor ou algo assim... Não sei... também pode ser outra coisa...”. &lt;/i&gt;Era uma típica garrafa de vinho, destas facilmente encontradas em mercados e mercearias. Não possuía rótulo e, dentro dela - como já seria de se imaginar - não havia nenhum líquido, mas uma mensagem. Ao retirar a rolha e desenrolar o laço que prendia o pequeno manuscrito, Guilherme começou ao lê-lo. &lt;i&gt;“Leia em voz alta, fazendo o favor... Também quero saber o que está escrito nela”, &lt;/i&gt;pediu encarecidamente o velho senhor, logo após perceber a linha partida e ter a certeza de que não levaria nenhum almoço para casa naquele dia. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;tab-stops:106.35pt"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:150%;font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;tab-stops:106.35pt"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height: 150%;font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:150%;font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;O LEGADO DE CHERNOBYL,&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:150%;font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align:justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Algum cara cometeu um erro. Apertou o botão errado na hora errada. E em 20 segundos não era mais possível pará-lo.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align:justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Milhares e milhares de toneladas de material radioativo foram expelidos no ar, apanhados em uma enorme tempestade e começaram a mover-se através do país.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align:justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Setenta por cento desse material radioativo caiu na Bielorrússia. O reator não era deles.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align:justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;As primeiras pessoas a aparecerem foram duas companhias de bombeiros.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align:justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt; Ivan Shavre, um dos sobreviventes: “Eu acordei em um hospital em Moscow. De início nós gracejamos sobre a radiação. Então nós ouvimos que um camarada começou a sangrar pelo nariz e pela boca. E seu corpo ficou preto. E morreu.”&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align:justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Onde quer que exista radiação, as pessoas vivem com ela. Comem-na em seu alimento. Bebem-na em sua água.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align:justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Os garotos em Novinki que tem problemas são diagnosticados e categorizados… A, B, C, D.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align:justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;D, é sem esperança, eles nunca vão ser seres humanos reais. Nunca vão ter muito. Todos vão a Novinki.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align:justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;E, uma vez que estejam lá, se sobreviverem e viverem, serão enviados ao asilo principal.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align:justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Era como se uma raça diferente estivesse sendo criada, pois eles parecem humanos, mas todos obviamente tinham problemas.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align:justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Alesya era uma menina quando foi diagnosticada com câncer. Tinha sido exposta à radiação quando era muito pequena, com mais ou menos 2 anos, quando começou a correr para brincar.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align:justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;E nesse dia a chuva era escura e oleosa e ficou conhecida como a chuva negra de Chernobyl. Nove anos depois ela estava com leucemia.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align:justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Eu me encontrei com ela no hospital quando ela tinha dezesseis. Esta garota de dezesseis anos era muito bonita. Eu voltei no dia seguinte e Alesya estava em coma. E seus pais estavam devastados. Era um dia terrível para se ver uma mãe perder sua filha.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align:justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Antes de começar a tirar fotografias eu perguntei se não tinha problema. E sua resposta foi, “sim, nós queremos que todos saibam o que eles fizeram”.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align:justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;O horror que foi aquilo, nós não podemos nem mesmo ousar pensar que possa acontecer novamente.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align:justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Todos dizem que nunca acontecerá. Pois é, nós sempre falamos isso, nunca acontecerá, mas tudo que nós humanos fazemos quebra. Tudo quebra. Tudo se desgasta...&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="right" style="text-align:right;tab-stops:106.35pt"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:150%;font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Belarus, Ucrânia, 1997.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="right" style="text-align:right;tab-stops:106.35pt"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:150%;font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Paul Fusco, fotógrafo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="right" style="text-align:right;tab-stops:106.35pt"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt; line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;Suavemente, foi sentindo seu rosto todo sendo coberto por uma fina camada e gotas começaram a cair da ponta de seus cabelos, dissolvendo letras, distorcendo frases, mudando significados. Mesmo com o término daquela leitura, seus dedos não conseguiam largar aquele pedaço de papel que por acaso tinha chegado até suas mãos. A emoção era visível, ainda mais, talvez, pelo badalar dos sinos da igreja evangélica que anunciavam o encerramento do culto dominical. &lt;i&gt;“Pois é, acho que tá na hora de eu ir”, &lt;/i&gt;foi falando Renato, na mesma hora que começava a recolher seus pertences. &lt;i&gt;“Minha mulher já deve estar indo para casa preparar o almoço, e quando ela souber que não vai ter peixe hoje, tu já sabes!”&lt;/i&gt;, rindo de forma descontraída ao ir se levantando. E, ao ficar de pé, gritou: &lt;i&gt;“Penélope, Ricardo, está na hora da gente ir almoçar!”. &lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt; line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt; line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;Ao acompanhar a chegada das duas crianças, que vinham em sua direção, Guilherme se lembrou de Alesya. A menina do relato de Fusco. A garoa que caia em Blumenau também o recordava. Olhando para aquela família, em seu intimo, ele próprio se questionava se não estava se preocupando demais, desperdiçando seus dias com preocupações futuras, com algo que poderia nunca acontecer. &lt;i&gt;“Eles dizem que elas são seguras, que são a única forma de evitar o aquecimento global, que as chances de voltar a acontecer uma catástrofe são remotas... Eu também gostaria de ser como eles, mas não posso. Parece até que ela não sabe que uma única decisão pode mudar o destino de um monte de gente. Parece até que eles não sabem que existem outras alternativas...”&lt;/i&gt;. Guilherme sabia de tudo isso e também de muito mais, mas a decisão já tinha sido tomada. Por isso jogou a garrafa de volta ao rio, sem hesitar. Renato já subia a ladeira segurando a mão de cada um de seus netos e não se voltou mais para trás, até que Penélope desvencilhando-se do avô voltou para perto do jovem pesquisador e lhe ofereceu um presente: um cata-vento de brinquedo, em forma de um gira-sol. Antes que o jovem o pegasse e levasse junto para sua casa, a garotinha o colocou perto de seu rosto, fechou os olhos e assoprou. Ao qual ele pensou: &lt;i&gt;“É, a gente só precisa assoprar...” &lt;/i&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-4051106781031657624?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/4051106781031657624/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=4051106781031657624' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/4051106781031657624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/4051106781031657624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2012/01/o-cata-vento.html' title='O CATA-VENTO'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-6528513773624778935</id><published>2011-12-13T15:20:00.000-08:00</published><updated>2011-12-30T03:13:40.468-08:00</updated><title type='text'>BLUSCHWITZ</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;Já fazia alguns minutos que aquele homem contemplava a arquitetura do Teatro Carlos Gomes. Imóvel, indiferente a tudo que acontecia ao seu redor, sua atenção voltava-se para a pequena sacada postada no alto do prédio. Com seus Ipês florescendo e o desabrochar das flores decorando todos os cantos da cidade, Blumenau era realmente um pedacinho da Alemanha no Sul do Brasil. Era o que qualquer turista que visitasse os principais pontos turísticos pensaria ao se deparar com tamanha beleza oferecida pela mãe natureza. Entretanto, o homem ali parado não era nenhum visitante, mas antes, um autêntico germânico, cujas raízes genealógicas remetiam à Berlim do século passado. E esta lembrança o enchia de orgulho e fazia com que tivesse a certeza de que aquela construção não havia sido realizada por acaso.  &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;Momentaneamente, seus olhos se fecharam. Do jardim do Teatro, mais parecendo brotar do próprio gramado, violinos executavam uma bela melodia que embalavam e traziam à tona sonhos de grandeza há muito adormecidos. &lt;i&gt;“Isso só pode ser Wagner... como amo as Valkyrias!”&lt;/i&gt;, falando consigo mesmo, em meio a movimentos que lembravam um maestro conduzindo uma orquestra.&lt;i&gt; &lt;/i&gt;De repente, como não acreditando naquilo que seus próprios olhos lhe mostravam, sua visão voltou-se novamente para a fachada em forma de quepe e, em meio a gestos entusiasmados e frases inflamadas que clamavam por ordem e justiça, uma emblemática figura abandonara os livros de história e se fazia ali presente: era Adolf Hitler. E, das cinco janelas um pouco mais abaixo, seus capitães Göring, Himmler, Goebbels, Heydrish e Mengele, o reverenciavam com o tradicional cumprimento nazista.  &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;Sonho? Delírio? Se questionado, talvez ele não soubesse dizer ao certo. Mas um leve toque em suas costas o despertou e uma pergunta veio em sua direção: &lt;i&gt;“Com licença, mas este é o prédio da Sociedade Dramático-Musical Carlos Gomes?”&lt;/i&gt;. Ao se virar para o lado, um indivíduo alto, de cabelos loiros, pele clara e olhos azuis, trazendo consigo uma câmera fotográfica pendurada em seu pescoço, o encarava e aguardava ansiosamente uma resposta. &lt;i&gt;“O próprio!&lt;/i&gt;”, respondeu-lhe secamente. &lt;i&gt;“Curiosa aquela fachada e a pequena sacada, não acha?”&lt;/i&gt;, indagava o visitante, no intervalo de uma fotografia e outra. &lt;i&gt;“Foi construída para a vitória do nosso Führer e seria a sede do 3º Reich aqui na América Latina se aqueles malditos não tivessem estragado tudo...”&lt;/i&gt;, respondeu o Blumenauense com um sorriso no rosto, sem conseguir esconder a nítida satisfação proporcionada por aquelas palavras. &lt;i&gt;“Por acaso, me chamo Assis”,&lt;/i&gt; apresentou-se a estranha figura, estendendo o braço em sua direção.&lt;i&gt; “Venho da cidade Gaúcha de Cândido Godói, e ouvi várias histórias interessantes sobre este lugar”,&lt;/i&gt; continuou o turista. &lt;i&gt;“Seja bem-vindo à nossa cidade. Meu nome é Adolar e meus avôs vieram para cá depois da Segunda Guerra”, &lt;/i&gt;disse o Blumenauense, apertando a mão do visitante com força. E, continuou: &lt;i&gt;“Sabe, é uma desgraça que a história não possa mais ser mudada... Com certeza nós estaríamos em outra posição... não precisaríamos ter de caminhar na mesma calçada que aqueles maca... nem ter de agüentar aqueles vermes jogando lixo pelo chão. É realmente uma pena que não vencemos a guerra, porque aí tudo seria diferente!”.&lt;/i&gt; Após aquele desabafo, ambos calaram-se por algum tempo, com &lt;i&gt;Assis&lt;/i&gt; regulando o foco de sua câmera e &lt;i&gt;Adolar&lt;/i&gt; encarando seu próprio punho cerrado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;Com o silêncio reinando temporariamente entre os dois homens, um grupo formado por artistas locais preparavam-se para encenar uma apresentação no hall de entrada do Teatro.  O turista gaúcho observava intrigado e tentava imaginar que tipo de peça seria ali executada. Subindo os degraus da pequena escada, um dos atores posicionava uma mesa e sua respectiva cadeira, daquelas encontradas em escolas e, ajeitando-se da melhor maneira possível, uma menina aparentando não ter mais do que 15 anos de idade sentou-se e começou a escrever ininterruptamente em um diário cujas páginas já bem amareladas denunciavam seu avançado estado de deteriorização. Formando um círculo ao redor da jovem, outro integrante desenrolava alguns metros de arame farpado, que impediam tanto sua fuga quanto a aproximação de outras pessoas. Assim, segurando um lápis entre os dedos, ela levantou a cabeça e olhou para os dois homens estáticos em sua frente, indagando: “&lt;i&gt;Quem fez isso contra nós? Quem nos separou de todo o resto? Quem nos colocou neste sofrimento?*”&lt;/i&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;Após uma seqüência de flashes disparados pelo turista de Cândido Godói, este voltou a fazer inúmeras perguntas ao blumenauense: &lt;i&gt;“Você sabe quem é esta menina? Ou qual é o nome desta peça?&lt;/i&gt; Mesmo aparentando certo descontentamento, ele tentou sanar todas as suas dúvidas: &lt;i&gt;“Seu nome é Anne Frank. Era uma judia que viveu com os pais escondidos durante três anos no interior de uma fábrica enquanto nós caçávamos os judeus.  Todos os anos realizam esta encenação ao ar livre. Na verdade eu nunca li seu diário. Não tenho tempo para infantilidades. Dizem que ela foi levada para um campo de concentração e morreu meses depois. Dizem também que seu corpo foi jogado em uma vala qualquer. Sobre o nome “Blushwitz”, não sei o seu significado ao certo, mas acredito ter alguma relação com estes dois nomes: Blumenau + Auschwitz. “Deve ser isso mesmo...”&lt;/i&gt;, pensou. Surpreendentemente, como se a menina acompanha-se atentamente a conversa dos ali presentes, manifestou-se outra vez: &lt;i&gt;“Para mim é praticamente impossível construir a vida sobre um alicerce de caos, sofrimento e morte. Vejo o mundo transformado aos poucos numa selva, ouço o trovão que se aproxima e que, um dia, irá nos destruir também, sinto o sofrimento de milhões. E, mesmo assim, quando olho para o céu, sinto de algum modo que tudo mudará para a melhor, que a crueldade também terminará, que a paz e a tranqüilidade voltarão.”*  &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;Retirando a câmera do pescoço e depositando-a no chão, &lt;i&gt;Assis&lt;/i&gt;, o turista de Cândido Godói, subiu alguns degraus e se aproximou da menina. Sentindo a nuca aquecida pelos primeiros raios solares daquela manhã de primavera e o coração disparado pela visão do arame farpado junto aos seus pés, ele começou a falar com os olhos umedecidos: &lt;i&gt;“Olha, da onde eu vim, dizem que eles estiveram por lá... ninguém sabe ao certo se é verdade... ele chegou e disse que era médico... perguntou sobre as grávidas... se é verdade eu não sei... espero que não... eu mesmo talvez seja... como posso viver com esta dúvida? Será que nós não passamos apenas de um experimento macabro? &lt;/i&gt;E, ao tentar adentrar a linha demarcada pelo arame farpado, dois dos artistas da companhia teatral – agora vestidos com uniformes nazistas -, agarraram seus braços e o arrastaram de volta para junto da platéia. Esta, surpreendida pelo realismo e paixão emanadas da apresentação, responderam com gritos, assobios, palmas e com o braço direito estendido para o alto. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;Depois de recuperar o fôlego e reconstituir a calma, o turista de Cândido Godói pôde perceber que o jovem blumenauense já não estava mais no meio daquela multidão, mas sim atrás dele, próximo a uma fonte que decorava e embelezava ainda mais o jardim do Teatro. Dando às costas para a menina e à fachada histórica, ele caminhou até lá e observou cada detalhe daquela obra de arte, minuciosamente, encantado principalmente com todos aqueles rostos talhados em ferro, que abasteciam com água o interior da fonte. Contemplando o reflexo de sua própria imagem, &lt;i&gt;Adolar&lt;/i&gt; comentou: &lt;i&gt;“Fiquei curioso com a sua história. Qual a ligação entre a sua cidade e o Nacional Socialismo? Acredito que você seja um dos nossos... sua aparência não nega. Sabe, eles não compreendem... faz anos que venho a este lugar... é o único lugar em que me sinto verdadeiramente feliz... aquele trabalho maldito... aquele ônibus maldito... eu os vejo desfilando em seus carros... como eu os odeio... não passam de seres inferiores... Vermes! Porque não vencemos... com certeza eu não estaria nesta condição miserável!”&lt;/i&gt;. Ao qual, voltando-se e dando uma espiada por sob o ombro para a pequena sacada, o turista gaúcho respondeu: &lt;i&gt;“Josef Mengele... o Anjo da Morte... médico nazista. Não me importa seu nome ou como o chamam. Você sabe algo sobre ele? Pois é, eu também gostaria de saber mais. É provável que tudo não passe de folclore, lendas, só para trazer mais turistas. Acho que a idéia é muito diferente da coisa em si. Os campos, os fuzilamentos, os gritos, as fotografias, tudo aquilo foi real! Eu posso sentir isso dentro de mim... Talvez ainda não tenhamos a real noção do que foi tudo aquilo, aquele período”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt; E, desta forma, entregues à reflexão e perdidos nos mais diversos pensamentos, tanto &lt;i&gt;Assis &lt;/i&gt;quanto &lt;i&gt;Adolar&lt;/i&gt; sentiam suas vidas entrelaçadas, unidas por acontecimentos aos quais não tiveram participação. Estavam ali, sim, não por suas próprias idéias e ações, mas porque a vontade de outros ainda moldava suas vidas. Por outro lado, independentemente deste peso enorme em seus corações e absortos como estavam por aquelas lembranças, algo pôde despertá-los daquele transe momentâneo no qual se encontravam e lhes trouxe novamente para a realidade: um sujeito, aos tropeções, vinha correndo na direção de ambos e gritava a plenos pulmões o nome de &lt;i&gt;Assis&lt;/i&gt;. Era o irmão do turista de Cândido Godói. Sua aparência não se diferenciava muito da dele: alto, loiro, olhos azuis e pele clara; na realidade, tratava-se de gêmeos. E um pouco mais ao lado, ainda contemplando aquelas duas imagens exatamente iguais refletidas sob as águas da fonte, &lt;i&gt;Adolar&lt;/i&gt;, um alemão de Blumenau, ouviu o som repetitivo de uma buzina, a qual fez com que seu rosto se voltasse em direção à rua XV de novembro, provocando um arrepio que percorreu todo o seu corpo e o fez esfregar os olhos como aqueles que acabam de estar presenciando uma miragem: estacionado em frente ao Teatro Carlos Gomes estava parado um ônibus de turismo vermelho e branco e, de seu interior, começaram a desembarcar inúmeros pares... não... trincas de gêmeos, todos com as mesmas roupas, os mesmos olhos, o mesmo terror...  &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height: 150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;Este conto é uma homenagem para todas as almas roubadas pelo nazismo. Em especial para Anne Frank. Eles podem ter roubado sua juventude e seu sonho de viver, mas seu coração pulsa em cada palavra, sentimento e lágrima contida em seu diário. E, independentemente de todas as atrocidades que eles cometeram e, em detrimento daqueles que ainda cultivam ideais em relação ao passado, seu espírito continua vivo, e impedirá que o mal retorne outra vez.  &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:12.0pt;line-height:150%"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;*Passagens retiradas do relato documental &lt;i&gt;O Diário de Anne Frank&lt;/i&gt;, escrito entre 12 de junho de 1942 e 1º de agosto de 1944.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-6528513773624778935?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/6528513773624778935/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=6528513773624778935' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/6528513773624778935'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/6528513773624778935'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2011/12/bluschwitz.html' title='BLUSCHWITZ'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-5360135923499772886</id><published>2011-05-23T09:14:00.000-07:00</published><updated>2011-05-23T09:15:25.207-07:00</updated><title type='text'>Angústia e Solidão</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if !mso]&gt;&lt;object classid="clsid:38481807-CA0E-42D2-BF39-B33AF135CC4D" id="ieooui"&gt;&lt;/object&gt; &lt;style&gt; st1\:*{behavior:url(#ieooui) } &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Tabela normal";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:"";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin:0cm;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:10.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-ansi-language:#0400;  mso-fareast-language:#0400;  mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:center;line-height:150%" align="center"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height: 150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;"&gt;“Só existe um problema filosófico realmente sério: o suicídio. Julgar se a vida vale ou não vale a pena ser vivida é responder a pergunta fundamental da filosofia”. (Albert Camus)&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;"&gt;Depois de dias mal dormidos e um sentimento de angústia crescente como há tempos eu não sentia, me lembrei da citação aí de cima. Resolvi voltar a olhar para esta questão com mais seriedade. Saber se vale ou não a pena viver. Vale? Não vale? É nisso que andei pensando nestes dias. De certo ponto parece ser um assunto ridículo, ainda mais se levarmos em conta que tenho tudo aquilo que preciso para levar uma existência digna: casa, comida, trabalho, amigos e o conhecimento necessário para seguir em frente. Entretanto, sou obrigado a admitir uma coisa para vocês: sou um grande mentiroso para comigo e para com os outros. Como sei disso, talvez você esteja se perguntando, não? Respondo com o maior prazer: constato isso todos os dias antes de dormir. Quando está tudo em  silêncio. Quando o dia está chegando ao fim. Quando não sei mais o que fazer...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;"&gt;É claro que teorizar sobre o suicídio é fácil. Você não morre por pensar. Quando não se pensa nestas coisas é porque já se está morto e não se percebe. Mas não precisam se preocupar, eu não vou embora. Não tenho coragem para isso. É triste pensar nestas coisas quando se é jovem, ainda mais quando existem tantas coisas para me distrair por aí. Mas eu não consigo. Devo buscar a coragem dentro de mim e dizer: “Olha, você não quer acreditar na realidade dos fatos, você sabe que não importa o que faça nada vai mudar, que este mundo é uma mistura de beleza e tristeza, e que angústia e solidão nascem da compreensão. Compreender que todas aquelas vezes que você parava e fechava os olhos para ouvir as diversas vozes dentro do ônibus, nada mais eram do que um eco dentro de sua pequena prisão: uma prisão feita de carne!”. Ora, se estou preso, encarcerado aqui dentro, e ando de um quarto para o outro, de um canal de televisão para outro, de um número de telefone a outro, e tenho vontade, às vezes, de sair desta prisão, o que posso fazer? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;"&gt;É claro que se pode deixar o tempo e os dias correrem. Isso não requer nada de mais, apenas covardia. Para se ter uma idéia de como a angústia dentro do peito - sentimento este que muitas vezes não conseguimos entender -, sufoca e nos faz olhar para os objetos ao nosso redor de uma forma apática, basta saber que dormir é o melhor remédio para este mal. Deitar-se de forma consciente, sem sono, sem necessidade aparente. Perder a consciência de forma tirânica. Esquecer de tudo por livre e espontânea vontade. Dormir para não precisar mais pensar me nada. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;"&gt;Então, o que representa o suicídio? Sou capaz de responder a pergunta primordial da filosofia? Sinceramente, não. Conheci pessoas que já levaram a cabo esta idéia, mas elas tinham motivos sérios para justificá-las. Meu único motivo é que não consigo entender o motivo de tudo isso. Sim, sou alguém que nasceu e por isso precisa viver, mas realmente existem momentos que nada mais faz sentido. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:center;line-height:150%" align="center"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height: 150%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;"&gt;Filosofar é ser criança; é perguntar e voltar a brincar; é amar e não se preocupar.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-5360135923499772886?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/5360135923499772886/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=5360135923499772886' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/5360135923499772886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/5360135923499772886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2011/05/angustia-e-solidao.html' title='Angústia e Solidão'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-8068935107662320710</id><published>2011-05-18T11:12:00.000-07:00</published><updated>2011-05-18T11:15:56.610-07:00</updated><title type='text'>Lágrimas Desperdiçadas</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Tabela normal";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:"";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin:0cm;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:10.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-ansi-language:#0400;  mso-fareast-language:#0400;  mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center; line-height: 150%;" align="center"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;“A sinceridade é o único modo de falar e escrever que não passará jamais de moda. O argumento desprovido de poder, de ir ao encontro de minha própria prática, falhará também em ir ao encontro da vossa. Escreve para um público eterno aquele que escreve para si mesmo”. (Ralph Waldo Emerson)&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Ultimamente, ando pensando se realmente devo sofrer nesta vida. Sim, eu sei que as pessoas se acostumaram com a idéia de que através dele a gente cresce e aprende; mas, para falar sinceramente, não posso concordar com esta afirmação. Não concordo porque não seria justo. Afinal, já não estamos aqui sem saber o motivo? Sem saber o que vai acontecer no futuro? Isso já não seria motivo suficiente para sentir o peito apertando? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Acredito que todos os nossos problemas são originados dá nossa falta de visão de mundo. Não existe outra explicação. Eis o fato de que nos destrói por dentro: nascemos, lutamos e morremos. E isso é o que acontece na maioria das vezes. Entretanto, além de sermos jogados neste Planeta sem sabermos ao certo os motivos, existe algo que nos foi dado como compensação para nos amenizar da dor desta jornada: um cérebro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Tanto o cérebro quanto a visão devem trabalhar constantemente juntos para nos guiar adiante. Para começar, somos egoístas a partir do momento que vivemos e não pensamos naquilo que nossas ações podem desencadear; principalmente, quando estamos falando da alteração do destino de outras pessoas. Pode parecer absurdo, mas no momento que eu penso sobre o mundo e minha participação nele, evito sofrimento para inúmeras pessoas. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Vou dar um exemplo simples: Numa manhã qualquer, num dia frio e chuvoso, aguardo a chegada do ônibus que vai me levar até o trabalho. Minhas meias estão encharcadas e não sinto minhas mãos e orelhas. Eu embarco, pago a passagem e busco com o olhar um lugar para me sentar. Não existe nenhum disponível. O trânsito está um caos. Chegarei atrasado mais uma vez. Olho pela janela e vejo um outdoor com a propaganda de uma moto qualquer. O que passa pela minha cabeça neste instante? Eu iria economizar uma grana e ganharia tempo. Pronto! Já conhecemos o restante da história.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Não importa se sofro um acidente de moto ou de carro, se bebo e causo angústia aos meus familiares ou se resolvo usar os outros para suprir minhas necessidades materiais ou emocionais, a partir do momento que minha mente toma as decisões por mim outros irão sofrer. Não me importa que Jesus tenha morrido na cruz, de que meus pais não tiveram o discernimento para mudarem suas próprias vidas, de que a Sociedade espera que eu faça parte dela, na hora que o dizer &lt;i style=""&gt;não &lt;/i&gt;fez parte da minha vida, eu deixei de sofrer, e de derramar lágrimas em vão.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-8068935107662320710?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/8068935107662320710/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=8068935107662320710' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/8068935107662320710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/8068935107662320710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2011/05/lagrimas-desperdicadas.html' title='Lágrimas Desperdiçadas'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-1519701277493858457</id><published>2011-05-13T11:42:00.000-07:00</published><updated>2011-05-13T11:44:34.757-07:00</updated><title type='text'>Adaptar?...Ou será suportar?</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Tabela normal";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:"";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin:0cm;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:10.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-ansi-language:#0400;  mso-fareast-language:#0400;  mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:center;line-height:150%" align="center"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;Trebuchet MS&amp;quot;font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;"  &gt;“Que esperança existe de que, como humanidade coletiva, sejamos capazes de controlar as forças que desencadeamos?” ( Anthony Giddens)&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height:115%;Trebuchet MS&amp;quot;font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;"  &gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;Trebuchet MS&amp;quot;font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;"  &gt;“O perigo envolvendo as Mudanças Climáticas”&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="line-height:150%;Trebuchet MS&amp;quot;font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;"  &gt;... já faz algum tempo que não ouço mais este tipo de alerta. Parece que a poeira baixou. O assunto deixou às páginas dos jornais, o horário nobre dos noticiários, as capas das revistas semanais. As pessoas já não pensam mais neste assunto. Mas passados quatro anos desde o lançamento dos Relatórios ambientais do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU, de 2007, e da conferência do Clima de Copenhague (COP 15), em 2009, o que aconteceu com toda aquela preocupação ambiental com o futuro dos países mais pobres e com as catástrofes ambientais que podem se agravar nas próximas décadas se nada for feito para conter as emissões de gases (CO²) que provocam o aquecimento do planeta Terra? Acredito que todo este silêncio atual já anuncia a sentença pela qual todos os seres humanos – tanto aqueles que caminham atualmente quanto os que ainda não foram concebidos - foram sentenciados por nossos atuais governantes: adaptar-se e suportar todas as mudanças no clima que surgirão num futuro próximo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="line-height:150%;Trebuchet MS&amp;quot;font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;"  &gt;Pode parecer ridículo, mas quando olho as pessoas – principalmente as crianças -, se divertindo nos parques de Blumenau nos finais de semana sempre me lembro &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;“Do perigo envolvendo as Mudanças Climáticas”&lt;/i&gt;. É realmente uma ameaça silenciosa. Enquanto a bola de futebol rola tranquilamente pelo cimento, a fila do escorregador cresce, as conversas nos bancos vão se animando e os aparelhos de exercícios trabalham a todo vapor, algo sobe até os céus e muda não só a vida daquelas pessoas, mas também a de indivíduos que vivem a milhares de quilômetros de distância: a fumaça negra que sai dos escapamentos dos carros todos os dias e vai parar na atmosfera terrestre. É provável que, na verdade, os governantes tenham apenas levado a cabo o nosso desejo inconsciente de não se incomodar, de escapar da responsabilidade de nossos atos, de relegar àqueles que ainda não estão entre nós a solução deste problema. Pode ser...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;Trebuchet MS&amp;quot;font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;"  &gt;“As estações já não são mais como antigamente”... &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="line-height:150%;Trebuchet MS&amp;quot;font-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;"  &gt;Esta é apenas uma das colocações que escuto minha avó fazer ocasionalmente em relação às tempestades, ondas de frio e calor intensas e a dificuldade em prever se vai chover ou não. Pode parecer bobagem, mas os anos que vão se passando trazem consigo alguns sentimentos de estranhamento em todos nós. A catástrofe ambiental de 2008, uma das maiores da história de Blumenau, é apenas uma delas. Tivemos anos em que se passaram meses sem cair uma única gota de chuva em nossa cidade. Mais recentemente, a intensidade na queda de relâmpagos também deixou muitos perplexos. Infelizmente, não são provas cientificas, mas apenas indícios de algo que está no ar. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;; mso-fareast-font-family:Calibri;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; mso-ansi-language:PT-BR;mso-fareast-language:EN-US;mso-bidi-language:AR-SAfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;"  &gt;Que me desculpem os teóricos e os lideres mundiais, mas para mim – no caso específico das mudanças climáticas -, adaptar é o mesmo que suportar: Suportar as mesmas visões e sofrimentos de 2008. Uma chuva ininterrupta de três dias, casas vindo abaixo, pessoas sem luz elétrica, sem água potável, sem comida, sem notícia de seus entes queridos. Eu não gostaria de vivenciar novamente aquele mês de novembro. Entretanto, parece que no momento que a reunião de Copenhague falhou no diálogo entre as nações para se chegar a um consenso do que se fazer, silenciosamente, de dentro de nossas casas, todos nós apertamos as mãos e olhamos pela janela a chuva cair mansamente... e decidimos esperar.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-1519701277493858457?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/1519701277493858457/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=1519701277493858457' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/1519701277493858457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/1519701277493858457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2011/05/adaptarou-sera-suportar.html' title='Adaptar?...Ou será suportar?'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-6562594277874469271</id><published>2011-04-24T10:59:00.000-07:00</published><updated>2011-04-24T11:00:25.423-07:00</updated><title type='text'>A insustentável leveza das idéias</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Tabela normal";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:"";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin:0cm;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:10.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-ansi-language:#0400;  mso-fareast-language:#0400;  mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;“Faz parte do amor a profundidade e fidelidade do sentimento, pois sem elas o amor não seria amor, mas simples capricho. O verdadeiro amor sempre pressupõem um vínculo duradouro e responsável. Precisa da liberdade para a escolha, não para a realização. Todo amor verdadeiro e profundo é um sacrifício. A gente sacrifica possibilidades, ou melhor, as ilusões de suas possibilidades. Se não houvesse necessidade desse sacrifício,nossas ilusões impediriam o surgimento do sentimento profundo e responsável e, com isso, ficaríamos privados também da possibilidade de experimentar o verdadeiro amor”. (Jung) &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Há alguns anos, quando estava na faculdade e cursava jornalismo, tive a oportunidade de me defrontar com pessoas de idéias incomuns e estilos de vida alternativos. Muitas delas provenientes das ciências humanas, mais precisamente da Filosofia, Psicologia, Sociologia e Antropologia. Nelas, um ponto se destacava e era sempre sinônimo de discussão: a liberdade. Mais precisamente: a necessidade de tornar-se um espírito livre. Uma existência capaz de adentrar as inúmeras moradas da alma que caminham pelas grandes cidades e não criar vínculos duradouros; percorrer as páginas dos livros sagrados e fechá-los sem presenciar nenhum tipo de marca permanente; enfim, viver suas próprias idéias. Porém, neste instante, aquela velha dúvida que me assaltava já naqueles tempos retorna e eu a repito a mim mesmo: será mesmo possível?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Uma das questões mais polêmicas envolvia a idéia de viver o amor livre. Ela baseava-se num acordo de livre vontade, onde ambas as partes viviam as mais diversas experiências sem correr o risco de apresentarem nenhum tipo de remorso ou sentimento de culpa. Era exercitado um desapego tanto físico quanto emocional. Busco na memória este assunto porque as pessoas que viviam estas idéias naquela época – e que provavelmente vivem até hoje - não falavam apenas da boca para fora, na intenção de impressionar alunos ou amigos, mas porque aquilo fazia parte deles. E o que tento constatar com o retorno desta lembrança? Simplesmente se estas idéias são firmes o suficiente para resistir ao tempo, ao tempo que nos é dado para viver. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Imaginem a seguinte situação: uma mulher, de meia-idade, bonita, que vive um relacionamento aberto com seu companheiro, o qual apresentou estas idéias para ela, encontra-se sozinha dentro de seu apartamento e vai até o banheiro fazer suas necessidades básicas. Lá, decide tomar uma ducha. Abre o chuveiro e espera a água esquentar. De repente, por acaso, enxerga sua imagem nua refletida no espelho. O que ela vê? O que ela pensa? O que ela sente? Nenhuma idéia emprestada por outra pessoa pode habitar o nosso ser por muito tempo. E numa mulher, menos ainda. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;“Na nossa sociedade, as jovens participam dos mitos masculinos do herói porque, como os rapazes, precisam educar-se e desenvolver uma personalidade própria sólida. Mas há uma região, ou uma camada mais antiga das suas mentes, que parece vir à superfície dos seus sentimentos para as tornar mulheres, e não imitações de homem. Quando esse antigo conteúdo da psique começa a aparecer, a jovem moderna tem a tendência de reprimi-lo, já que representa uma ameaça às suas mais recentes prerrogativas: a emancipação e a igualdade de competição com os homens”.(Jung) &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Esta passagem contida em uma obra de Jung apareceu num momento oportuno. O tempo em que vivemos é um tempo triste. Por quê? No instante em que as mulheres tentam ser iguais aos homens ou buscam viver da mesma forma que eles, tornam-se homens. E uma sociedade só com homens tende a ser doente por falta de equilíbrio. É uma pena que o espelho carregado dentro de tantas bolsas não consiga refletir também aquilo que se esconde por trás da carne. &lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;A sociedade pode mudar constantemente, mas a mulher não. O espelho mostra aquilo que ela é: nada. E ela sabe disso. A falta de segurança corrói sua beleza e seu coração. Ela precisa de uma casa, de um jardim, de cachorros, de abraços... de um futuro. Ela precisa zelar pelos outros. Quando Buda dizia ter medo e receio das mulheres, este temor tinha uma explicação: elas carregam a verdade da vida, e nelas esta verdade dói e aparece de forma mais nítida: a velhice, a doença &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;e a morte. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-6562594277874469271?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/6562594277874469271/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=6562594277874469271' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/6562594277874469271'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/6562594277874469271'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2011/04/insustentavel-leveza-das-ideias.html' title='A insustentável leveza das idéias'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-7465624444921899971</id><published>2011-04-17T10:16:00.000-07:00</published><updated>2011-04-17T10:17:40.323-07:00</updated><title type='text'>O desejo de fazer o bem... usando o mal</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if !mso]&gt;&lt;object classid="clsid:38481807-CA0E-42D2-BF39-B33AF135CC4D" id="ieooui"&gt;&lt;/object&gt; &lt;style&gt; st1\:*{behavior:url(#ieooui) } &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Tabela normal";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:"";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin:0cm;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:10.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-ansi-language:#0400;  mso-fareast-language:#0400;  mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;“– Não! - gritou Gandalf, levantando-se de repente. – Com esse poder eu teria um poder grande e terrível demais. E comigo o Anel ganharia uma força ainda maior e mais fatal. – Seus olhos brilharam e seu rosto se ascendeu como se estivesse iluminado por dentro. – Não me tente! Pois eu não quero ficar como o próprio Senhor do Escuro. Mas o caminho do Anel até meu coração é através da piedade, piedade pela fraqueza e pelo desejo de ter forças para fazer o bem. Não me tente! Não ouso tomá-lo, nem mesmo para mantê-lo a salvo, sem uso. O desejo de controlá-lo seria grande demais para minhas forças”. (Gandalf, O Senhor dos Anéis)&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Quando Jung, em um de seus escritos chamado “A Luta com as Sombras” chamava a atenção para fatos curiosos que pôde observar ao analisar os sonhos de inúmeros pacientes alemães no ano de 1918, nunca imaginei que algo estudado há tantos anos pudesse hoje, quase um século depois, causar ainda uma impressão tão forte em mim. Causa, é verdade, mas por um motivo especial: o tempo não existe dentro de nossa mente inconsciente, e todas as informações e acontecimentos do passado continuam vivos em nós através do inconsciente coletivo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Aqueles sonhos apresentavam aspectos em comuns - mesmo sabendo que aquelas pessoas não se conheciam ou que tinham histórias de vidas diferentes-, todos exprimiam primitividade, violência e crueldade. Porém, o seu oposto também aparecia constantemente, sob a forma de imagens que retratavam a ordem tão buscada depois da destruição e das misérias causadas pela Primeira Guerra. Mas afinal, o que tudo isso tem a ver com o desejo de fazer o bem... usando o mal? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Nestes últimos tempos tenho me feito uma pergunta muito curiosa: O que eu faria se tivesse o poder em minhas mãos? Ou ainda: No que eu acabaria me tornando, se minha vontade fosse lei? Tudo aquilo que Jung refletiu naquele período sobre algumas características incomuns que o povo alemão carregava consigo estão dentro de mim. O mesmo desejo de ordem e a mesma crueldade. Até onde eu sou uma pessoa virtuosa, que se preocupa de verdade com os outros? Sendo sincero, o meu pensamento não é meu. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Sim, é verdade, tudo aquilo que vejo me perturba e pensamentos estranhos tomam conta de mim. Quando o lixo é jogado no chão ou em direção às águas do rio... quando uma árvore é derrubada... as pessoas dormindo nas ruas... as crenças ridículas... os indivíduos inferiores, que são apenas um peso morto para a sociedade. Ter esta consciência do monstro existente dentro de mim me ajuda a evitar os mesmos erros do passado. Quantos não possuem os mesmos sentimentos? Quantos não sentem certo incômodo quando a ordem social é ameaçada? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Hora, eu desejo ter o poder para fazer o bem para outras pessoas. Quando assisto uma matéria no noticiário relatando a destruição da floresta amazônica ou do aumento da criminalidade nas grandes cidades, o que eu faria? Colocaria o exército lá dentro e aquele que for pego desmatando pagaria com a... e aqueles que roubassem ou matassem seriam... os culpados pela desordem social seriam mandados para os campos... Tudo com o intuito de promover a ordem e o bem-estar social. Tudo para me livrar do anonimato insuportável, do vazio, da morte, da minha própria mediocridade...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Eu gosto de conversar com minha própria Sombra. Quando penso sobre as questões envolvendo o surgimento do nazismo e os estudos psicológicos de Jung, ela torna-se menos escura. E evita que uma velha profecia volte a tornar-se realidade novamente: &lt;i style=""&gt;“No momento que esses símbolos aparecem e não são assimilados, eles começam a unir com força magnética os indivíduos isolados. Assim tem origem uma massa. Rapidamente surgirá o líder no coração daquele que possuir a menor força de resistência, a menor consciência de responsabilidade e que, devido à sua inferioridade, demonstrar a mais forte vontade de poder. Libertará das correntes tudo o que está em estado de irrupção e a massa o seguirá com a força arcaica e incontrolável de uma avalancha” (Jung). &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-7465624444921899971?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/7465624444921899971/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=7465624444921899971' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/7465624444921899971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/7465624444921899971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2011/04/o-desejo-de-fazer-o-bem-usando-o-mal.html' title='O desejo de fazer o bem... usando o mal'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-5548487073739543783</id><published>2011-04-10T10:17:00.000-07:00</published><updated>2011-04-10T10:18:32.140-07:00</updated><title type='text'>Quando a minha família não é a sua...</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Tabela normal";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:"";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin:0cm;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:10.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-ansi-language:#0400;  mso-fareast-language:#0400;  mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;“Fazer uso do outro como meio de satisfação e segurança, não é amor. O amor nunca é segurança; o amor é um estado em que não existe desejo de estar em segurança; é um estado de vulnerabilidade; é o único estado em que a “exclusão”, a inimizade e o ódio são impossíveis. Neste estado, uma família pode tornar-se existente, mas não será “exclusiva”, egocêntrica”. (J. Krishnamurti)&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Os primeiros raios de sol anunciavam o nascimento de um novo dia. Uma cortina mal fechada sempre deixa algumas frestas expostas. No alto das paredes, teias decoram o ambiente, livros empoeirados atiçam a renite e, ali dentro, naquele quarto escuro, o frio parece mais intenso; mesmo sabendo que ainda estamos no verão...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Dentro da minha casa está a minha família, já naquela, do outro lado da rua, está a sua. Eu não os conheço, não sei nada sobre vocês. O muro, as grades nas janelas e as cercas eletrificadas atrapalham a minha visão. Seu cachorro latindo também não ajuda. Onde vocês trabalham? Qual é o nome dos seus filhos? Por que nunca paramos para conversar?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Eu sei, eu sei... a minha família não é a sua. Como você mesmo já disse uma vez. Eu sei, eu sei... o relógio não para. Como poderia? Quem não usa hoje em dia? Depois que o meu parou, nunca mais usei. Prefiro andar. Ir caminhando em direção ao meu destino. Eu sei, eu sei... parece coisa de louco. Todo dia parece uma noite chuvosa. Ninguém nas ruas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Sabe, por não ter com quem conversar resolvi falar comigo mesmo. Cansei de falar com gente que não respira mais. “Você não tem medo de ficar louco quando ficar velho?”, pergunta engraçada que voltou à minha memória. “Eu não quero ter uma depressão!”, outra lembrança curiosa. Deixe que eu a carregue por você. Quanto a ficar louco, muito antes de você me fazer esta pergunta eu já estava doente. Só acho que não é preciso ficar grisalho para perceber que algo não está certo aí fora nem aqui dentro. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Realmente, a minha família não é a sua. O seu carro não é meu. Seus pais não são meus. Eu não estou no seu álbum de fotografias. Se eu perder alguém querido, posso ir até a sua casa? Fazer parte da sua família? Acho melhor fechar as cortinas e voltar a dormir.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-5548487073739543783?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/5548487073739543783/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=5548487073739543783' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/5548487073739543783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/5548487073739543783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2011/04/quando-minha-familia-nao-e-sua.html' title='Quando a minha família não é a sua...'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-6739791033733954837</id><published>2011-04-03T10:54:00.000-07:00</published><updated>2011-04-03T10:55:26.363-07:00</updated><title type='text'>Sobre outro tipo de amor</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Tabela normal";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:"";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin:0cm;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:10.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-ansi-language:#0400;  mso-fareast-language:#0400;  mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;“O amor reza”. (Ralph Waldo Emerson)&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;O mundo está cheio de manifestações daquilo que se entende por amor. Basta olharmos para o lado e lá estão elas: as mãos entrelaçadas, os olhares, os sorrisos, a indiferença em relação ao resto das coisas vivas. Tudo isso representa um tipo de amor; aquele que possui uma missão sagrada com a natureza e irá se concretizar de uma maneira ou de outra. Independente de gostarmos ou não da idéia. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Porém, sempre me perguntei se existia outro tipo de amor. Algo que dificilmente é observado no dia-a-dia, uma coisa oculta dentro da mente, que apenas se manifesta em meio ao terror da solidão e do medo. Uma coisa que aparece de repente, nos muda, faz com que deixemos de nos preocupar com o trabalho, com a escola, com os pais e amigos, com o dinheiro e, também, com o futuro. Nossa atenção volta-se exclusivamente para ele. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;É possível carregar consigo este outro tipo de sentimento? Ou melhor, esta coisa realmente existe? Seria hipocrisia de minha parte dizer que tenho certeza de sua existência. Depois de sua passagem, resta apenas uma vaga lembrança. Mas ela nos modifica de alguma forma. Invade nosso pensamento e, principalmente, confisca nossos olhos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Não se pode mais fazer mal a ninguém. Cada local onde antes havia uma área verde torna-se sagrada; causa uma tristeza profunda observar pedreiros levando seus carrinhos-de-mão de lá para cá, escavadeiras arrancando raízes que levaram anos para se desenvolverem por baixo da terra, e saber que aquela placa de “vende-se” cravada em meio ao terreno representa um caminho sem volta. Uma terrível constatação e mensagem ao mero racionalismo dos tempos atuais: este outro tipo de amor não se importa com o progresso e nem com a segurança.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;E, para finalizar, acredito que este outro tipo de amor possui algo de religioso. Não me refiro à igreja ou qualquer livro, mas sobre o enxergar o planeta de fora; do entender a superficialidade dos relógios e calendários; do sofrer em silêncio; do olhar e não mais falar palavra alguma; do se sentir velho muito cedo; de aceitar aquilo que me mata. Existe mesmo este outro tipo de amor?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-6739791033733954837?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/6739791033733954837/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=6739791033733954837' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/6739791033733954837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/6739791033733954837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2011/04/sobre-outro-tipo-de-amor.html' title='Sobre outro tipo de amor'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-2280834349124176334</id><published>2011-03-06T09:58:00.000-08:00</published><updated>2011-03-06T10:07:34.789-08:00</updated><title type='text'>Dois Pares de Asas</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Tabela normal"; 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 &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: normal;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt;Mas o que desejo de verdade é poder abraçá-la tranqüila.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: normal;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: normal;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt; &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: normal;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt;Sob a luz artificial, sua forma já não é tão nítida...&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: normal;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt;A fina garoa agora corrói suas asas malignas...&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: normal;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt;Por trás de cada tragada, um anjo bate asas e ilumina inúmeras vidas.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: normal;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: normal;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt; &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: normal;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt;Porém, a caminhada é longa e preciso ir...&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: normal;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt;Para o lado olho e a vejo subir...&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: normal;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt;A cada dia que passa, fica mais difícil continuar...&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: normal;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt;Mas olhando para cima, ao menos já posso respirar.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-2280834349124176334?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/2280834349124176334/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=2280834349124176334' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/2280834349124176334'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/2280834349124176334'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2011/03/dois-pares-de-asas.html' title='Dois Pares de Asas'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-1166999596828475453</id><published>2011-01-06T07:36:00.000-08:00</published><updated>2011-01-06T07:39:26.247-08:00</updated><title type='text'>A Jornalista e o Astronauta</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Tabela normal"; 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Tanto Penélope quanto Ricardo observavam pela janela do quarto a chuva torrencial que voltava a castigar a cidade de Blumenau. Em mais uma noite fria e úmida de inverno, o ribombar dos trovões e o clarão dos relâmpagos faziam com que os cobertores fossem puxados para mais perto dos rostos, deixando expostos apenas dois pares de olhos carregados de medo e curiosidade. E estes, vigiados por um céu sem estrelas, acompanhavam com deleite o rastro incandescente deixado pela cauda de uma estrela-cadente, que rasgando e manchando o horizonte de vermelho, criou naquelas crianças o desejo irrefreável de fazerem um pedido: que no futuro, seus pais não fossem para o trabalho, passando assim mais tempo junto deles...&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;A maçaneta agora girava devagar. Pela porta entreaberta do quarto, Mariana observava seus filhos adormecerem. Postada ali, em frente às suas camas, perdida nos mais diversos pensamentos, sentia até certo receio de se aproximar. Naquele instante, seu olhar percorreu toda a extensão do cômodo e buscou pousá-lo sob seus semblantes despreocupados; acompanhava com interesse o compasso de suas respirações, tentando adivinhar o que habitava seus sonhos. Entretanto, no fundo, tudo aquilo lhe soava estranho e distante. Na verdade não conhecia seus filhos. Sabia seus nomes e suas idades, onde estudavam, alguns de seus amigos, porém, desconhecia seus sonhos, seus medos, aquilo no qual se tornaram ou que estavam para se tornar. E esta súbita tomada de consciência fez com que um pequeno frasco trazido junto ao peito caísse e rolasse pelo assoalho, espalhando pequenas cápsulas por todos os lados. Ao ajuntá-lo, ela pôde perceber sua natureza e a leitura de seu nome ressoou por um longo período em sua mente: &lt;i&gt;PROZAC*.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Pela manhã, após mais uma noite mal dormida, Mariana preparava o café e assistia o noticiário pela televisão. A porta da geladeira ia e vinha constantemente. Assim como os cigarros até sua boca. Muitos relatos sobre os estragos causados pela enxurrada da noite anterior chegavam agora aos seus ouvidos. Casas destelhadas, ruas alagadas, deslizamentos de terra e engarrafamentos já eram até coisas naturais em se tratando daquele lugar. Porém, uma notícia em especial chamou sua atenção: a queda de um foguete espacial às margens do rio Itajaí- Açu, próximo à prefeitura municipal. &lt;i&gt;“Ora, esse não é o tipo de coisa que a gente ouve todo dia&lt;/i&gt;...”, pensou. Com a mesa já posta, diminuiu o volume do televisor a uma altura que não despertasse o restante de sua família e continuou a travar uma batalha sem fim contra seu isqueiro que insistia em permanecer apagado - o qual a quase levou à loucura -; e pôde em meio a tudo isso ainda acompanhar o âncora do telejornal dar uma última informação sobre o incidente. Segundo fontes oficiais, até aquele instante, nenhum sobrevivente havia sido encontrado.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Mariana adorava sua casa; principalmente a cozinha. Era ali onde recebia os amigos do trabalho e da faculdade para relembrar situações engraçadas dos tempos de estudante; neste lugar aconteciam animadas conversas de marido e mulher, sobre acontecimentos rotineiros do dia-a-dia; e, às vezes, propício também para se aventurar na preparação de algum prato especial. Naquele espaço, sempre existia algo que podia distraí-la. E o &lt;i&gt;PROZAC &lt;/i&gt;era uma dessas coisas. Sempre presente ao seu lado, seja em cima da mesa ou dentro da bolsa. Preenchendo o vazio ou tampando buracos. Junto com seu Malboro, eles formavam uma companhia perfeita para os tempos de solidão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Um pouco depois do término do telejornal, o celular de Mariana não parou mais de chamar. Nutria um sentimento de amor e ódio por ele. Tinha uma necessidade louca de ficar sozinha, mas o mundo parecia não permitir. Só que não atendeu de imediato como seria de se esperar. Tinha seus sentidos voltados para as cortinas esvoaçantes e a janela por elas descoberta. Dois vasos com flores há muito esquecidos decoravam-na. “&lt;i&gt;Um presente do dia das mães...”,&lt;/i&gt; foi a lembrança resgatada por aquela imagem. Com o passo hesitante e a respiração ofegante, ela se aproximou delas: &lt;i&gt;“Estão secas... há quanto tempo não são regadas?”&lt;/i&gt;. E, de repente, o telefone voltou a tocar. Despertada do transe momentâneo, seus dedos conduziram o aparelho para mais perto de seu rosto e a voz do outro lado linha revelou-se mais familiar do que nunca: era o editor do jornal onde Mariana trabalhava como repórter. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Ultimamente, Mariana não encontrava mais prazer em seu trabalho. Sempre as mesmas pautas rotineiras, entrevistas enfadonhas e o aborrecimento diário de lidar com um chefe debochado. &lt;i&gt;“O dinheiro não traz satisfação quando é preciso trabalhar por ele; porque quando se trabalha para ganhá-lo não há tempo para gastá-lo**”, &lt;/i&gt;lia Mariana em uma folha de papel colada na porta da geladeira, ao lado de algumas provas escolares, enquanto conversava ao celular. &lt;i&gt;“Preciso que você vá até o local da queda e faça algumas imagens, Mara”&lt;/i&gt;, impôs seu chefe. &lt;i&gt;“Não sei como chegarei lá boss, levei meu carro para a oficina ontem e estará pronto somente na semana que vem”,&lt;/i&gt; enfatizou, depois de depositar mais algumas chepas no vaso transformado em cinzeiro inconscientemente. “&lt;i&gt;Simples, te pago uma passagem e tu vais de ônibus!&lt;/i&gt;”, gargalhou, após levantar a possibilidade. &lt;i&gt;“Antes, me diz uma coisa: é sério mesmo esse negócio de foguete espacial? Aqui em Blumenau? Nunca escutei coisa mais maluca...”&lt;/i&gt;, respondeu, convencida de ser a única pessoa sã em todo o planeta. &lt;i&gt;“Maluca? Claro que é! Por isso vai direto para a primeira página! Você nunca ouviu falar de OVINIs? 2012 está quase aí, não está?”, &lt;/i&gt;ironizou. Encerrada a ligação, Mariana correu para apanhar sua câmera fotográfica, seu bloco de notas e seu guarda-chuva, afinal, por mais maluca que fosse aquela pauta, esta poderia representar a grande chance que ela tanto ansiava para dar uma guinada em sua carreira. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Impossibilitada como estava de usar seu automóvel, Mariana aproveitou que o marido iria levar seus filhos para a escola e decidiu pegar uma carona. A princípio, usar o transporte público estava fora de cogitação, não que ela tivesse algum receio de voltar às origens – sim, ela usou diariamente há alguns anos -, mas porque desconhecia os horários e sabia que precisava chegar logo até o ponto do acidente para levantar todas as informações necessárias. Voltava a chover forte novamente. Ao desembarcar do veículo, em frente a um dos cartões postais de Blumenau, o castelinho da Havan, Mariana abriu seu guarda-chuva e caminhou apressada pela Avenida Beira-Rio, hora desviando das inúmeras poças d água hora dos cachorros encharcados e mal-cheirosos que parecendo não acreditarem também na história do foguete, teimavam em acompanhá-la por todo o percurso. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;No local do incidente, fitas de isolamento restringiam tanto o acesso da imprensa quanto dos curiosos, formando um grande círculo em volta do ponto de ônibus. Para sua sorte, Mariana conhecia um dos guardas que faziam a segurança do local, e não teve receio de se aproximar. &lt;i&gt;“Me quebra este galho só desta vez &lt;/i&gt;Janga,&lt;i&gt; só umas fotos e eu caio fora”, &lt;/i&gt;abrindo um grande sorriso em direção ao policial. &lt;i&gt;“Tu sabes que eu posso ser repreendido por isso, levar um gancho, sabias?”, &lt;/i&gt;perguntou ele, ao mesmo tempo em que fazia uma varredura completa sob o corpo da jovem jornalista. “Mas como hoje estou de bom humor, vou deixar você passar, porém, você me deve uma, ouviu? E nós vamos...”, sendo interrompido de forma brusca pela passagem dela por baixo da fita, que gerou uma onda de repórteres indignados e empurra-empurra geral. De maneira abrupta, ela aproximou-se da murada de proteção, cuja vista renderia belíssimas imagens. Só que no momento de soltar o primeiro flash, qual não foi a sua surpresa quando seus olhos captaram algo muito mais raro recostado naquela proteção de ferro, algo que parecia ter saído de algum filme ou documentário sobre ficção-científica: um homem vestindo um traje espacial fitava serenamente os destroços do foguete serem levados para longe pelas águas do rio Itajaí- Açu. Quem era ele? O que fazia ali? De todas as dúvidas que assaltaram Mariana naquele instante, apenas uma veio a se dissipar com aquela visão: sobreviventes havia, e aquela presença era prova mais que suficiente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Vaidade e frivolidade nunca foram características presentes na personalidade de Mariana. Tanto era assim, que mesmo aborrecida com as roupas todas molhadas e o cabelo desgrenhado, não deixou se abater pelas adversidades e dirigiu-se de encontro ao estranho viajante: &lt;i&gt;“Olá, meu nome é Mariana e sou repórter de um jornal local, será que o senhor poderia me conceder uma entrevista? ,&lt;/i&gt;&lt;span style="color: red;"&gt; &lt;/span&gt;perguntou, depois de parar ao seu lado e tatear os inúmeros bolsos da calça em busca de seu gravador. Não houve resposta imediata. E, com um movimento da cabeça e do dedo indicador em direção à ponte de ferro, ele profetizou em voz baixa, quase num sussurro: &lt;i&gt;“Vê aquele sujeito lá no alto da ponte, sentado na mureta de proteção com as pernas balançando? pois é, logo ele vai se jogar...”.&lt;/i&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;O estrondo causado por um trovão fez com que Mariana baixasse a cabeça e tampasse os ouvidos assustada. Seu guarda-chuva parecia ser levado cada vez mais para o alto pelas rajadas de vento. Em conseqüência, com um gesto ao mesmo tempo petulante e surpreendente, ela agarrou o braço do astronauta e arrastou-o para baixo da marquise de proteção no ponto de ônibus. Ambos se sentaram. Ela, ainda com o coração batendo a mil, virou-se para trás e procurou por toda a extensão da ponte a figura do jovem que pretendia pular. Não avistando ninguém, dirigiu o olhar para a superfície do rio em busca de algum movimento nas águas. Nada se movia exceto a própria correnteza. &lt;i&gt;“Falta coragem... sempre falta na hora...”, &lt;/i&gt;comentou o astronauta como se estivesse em um monólogo, ainda com a cabeça voltada para o chão. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Várias vezes ele se levantou e ameaçou ir embora. Em todas elas Mariana olhou no fundo de seus olhos e o impediu. &lt;i&gt;“Você é algum tipo de astronauta? Da NASA, talvez?&lt;/i&gt; &lt;i&gt;Ou será que estão gravando algum filme aqui em Blumenau e ninguém me avisou?&lt;/i&gt;”, insistia, ainda duvidando e sem entender nada. Em que finalmente, depois de retirar seu capacete e depositá-lo em seu colo, ele respondeu ainda um tanto contrariado: &lt;i&gt;“Sou um astronauta... não... sou um estrangeiro... alguém que gostaria de ver a Terra novamente de fora... esquecer tudo isso... deixar por aqui relógios e calendários... a gente muda quando está lá... como posso voltar a viver da mesma forma?... diga-me!”. &lt;/i&gt;Mariana não sabia o que responder. Por esta razão, voltou a perguntar: &lt;i&gt;“O que aconteceu lá em cima? Como você veio parar aqui? Teve problemas técnicos?&lt;/i&gt; E&lt;i&gt; &lt;/i&gt;cuja resposta e, lembrança posterior, arrepiaria todos os pêlos de seu corpo ainda por muitos anos no futuro: &lt;i&gt;“Eu senti alguém me chamando... escutei vozes... sei lá... de repente tudo parou, escureceu... acho que foi um sonho... me levavam pela mão... pelas duas... você acredita em anjo-da-guarda?...nunca acreditei nestas coisas... só sei que quando me dei conta, estava jogado às margens deste rio”. &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Ela achou estranha aquela resposta; como achava toda aquela situação. Não sabia mais quais perguntas formular. Tanto ela quanto o astronauta continuavam sentados no banco do ônibus sem dizerem nenhuma palavra. Olhando para frente, ela reparou nos canteiros de violetas que embelezavam os arredores da prefeitura de Blumenau. Nunca tinha parado para reparar nelas. Nunca teve tempo para estas coisas. Nunca se sentiu sozinha neste planeta. Lembrou-se então dos vasos de flores; nos filhos de mãos dadas fazendo um pedido em frente à janela do quarto; na queda do foguete espacial em meio à tempestade e no PROZAC. Segundos depois, freando bruscamente, um ônibus amarelo estacionou e abriu suas portas diante dos olhos de Mariana. Levantando-se e apanhando seu capacete, o astronauta entregou um livro para a jornalista e falou antes de embarcar e desaparecer para sempre: &lt;i&gt;“Sabe qual é o nosso problema? A razão pela qual não somos felizes? Somos Humanos em Demasia!”.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Mariana voltou-se para o céu, fechou os olhos, abriu a boca e colocou a língua para fora. Pensou sobre os inusitados encontros que acontecem nesta vida. Nas forças invisíveis que atuam sobre todos nós. No tempo que desperdiçamos. Sentia o gosto da chuva.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Nuvens negras &lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;despejavam toda sua fúria em seu rosto.&lt;i&gt; &lt;/i&gt;Deu alguns passos à frente e encarou o rio. Abriu a bolsa e lançou para o alto o frasco de remédios. E ele foi levado pelas águas. Depois, com o grito e aceno de seu filhos, ela entrou no automóvel com sua família e pediu ao marido que a levasse para casa. Sentados no banco de trás estavam Penélope e Ricardo. Com a chave na ignição, seu esposo perguntou: &lt;i&gt;“Que livro é este que você está lendo?”&lt;/i&gt;. Ao qual ela respondeu prontamente: &lt;i&gt;“Humano Demasiado Humano***”.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-1166999596828475453?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/1166999596828475453/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=1166999596828475453' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/1166999596828475453'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/1166999596828475453'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2011/01/jornalista-e-o-astronauta.html' title='A Jornalista e o Astronauta'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-3891666744114039268</id><published>2010-01-03T10:47:00.000-08:00</published><updated>2010-01-06T18:42:23.284-08:00</updated><title type='text'>LUZ FRACA</title><content type='html'>PARTE I: A VOLTA DA SOMBRA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Finalmente, mesmo em toda sua timidez, a noite parece ter atendido suas preces: nuvens negras haviam ouvido seu apelo e tecendo uma aliança sombria entre ambas as partes, encobriram para sempre a luz das estrelas com um manto negro bordado pela sua crescente tristeza. Ele buscava esquecê-las, pois elas eram a ponte que ligava este mundo ao lado de lá. Um rosto desconhecido ele buscava traçar, ligando pontos luminosos espalhados por sua mente e coração, que aos poucos iam se silenciando para sempre. Porque, quando a luz é fraca, o destino se dissolve...&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Moscas... Ultimamente, havia centenas delas por todos os lados. Voando e zumbindo, elas buscavam alcançar o seu corpo. Estavam no seu cabelo, na sua boca, em seu nariz e nos seus ouvidos. Atraídas principalmente pelo odor fétido exalado por seu pensamento, a presença destes insetos representavam bem o estado de espírito em que ele se encontrava naquele momento: em decomposição. Sim, ele pensava muito na morte física do corpo, do seu corpo. E também no surgimento de doenças e na chegada da velhice. Tão grande era o seu medo naquela época, que a franja postada em frente aos seus olhos nunca mais foi cortada ou penteada para o lado, limitando de forma proposital seu próprio campo de visão. Ele tentava afastá-las, mas elas continuavam ali, chegando cada vez em maior número, adentrando seus sentidos, contaminando sua vontade, as moscas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma semente... Detentora de toda a sua esperança no amanhã. Dela talvez surgisse a única flor de seu estéril jardim. Era o que ele queria acreditar. Porém, não sabia o que fazer com ela. Regar ou esmagar? Cuidar ou ignorar? Como o medo e a indecisão eram suas únicas virtudes, só restava-lhe procurar os conselhos de seus oráculos, heróis de sua juventude, uma vez mais. Ao abrir o pequeno portão de seu quintal, ele seguiu em frente por meio de um estreito corredor formado por grandes árvores tanto à sua esquerda quanto à sua direita, ao qual deveria percorrer. Nesta caminhada, algo luminoso chamou sua atenção. Olhando para o chão, ele pôde perceber uma trilha formada por inúmeras placas feitas de mármore, que traziam incrustadas em sua superfície pensamentos de vidas passadas: “O único cristão morreu na cruz”, do filósofo Nietzsche; “Viver é sofrer”, de Schopenhauer; e também “Não te procures fora de ti”, de Emerson; todos colocados em seu caminho desde muito cedo, servindo ao mesmo tempo de consolo e prisão. Na verdade, ele estava lutando para ser livre, mas até aquele momento não havia conseguindo livrar-se da tirania das palavras...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cada passo dado, ele se voltava vez ou outra para trás e ficava surpreendido ao constatar que a estrada já percorrida ia desaparecendo sob seus ombros. Mais adiante, o estreito corredor ia se alargando até desenhar um círculo coberto pelas copas das árvores. O ruído de uma pequena queda d`água agora começava a chegar de forma clara e cristalina aos seus ouvidos. Aos poucos, uma fonte se materializava perante seus olhos e trazia junto de si a estatua de um anjo esculpido na pedra. Tendo suas asas banhadas incessantemente pelas águas jorradas sobre si, o mensageiro dos céus tinha seu rosto voltado para o alto e repousava em ambas as mãos uma espada medieval. Logo atrás, guardando sua retaguarda, encontrava-se um poste de luz que iluminava todo o ambiente. Contudo, mesmo em meio a toda aquela beleza talhada no granito, um detalhe em especial o inquietava: o anjo segurava a espada não pelo seu cabo, mas pela própria lâmina...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta constatação o perturbou muito. Por que aquele anjo apertava a lâmina com as mãos nuas? Neste instante, de uma forma totalmente inconsciente, sua mão tateou o interior de seu casaco em busca de algo que fizesse seu pensamento parar, que lhe proporcionasse um esquecimento completo. Ali, ele pôde sentir seu coração pulsar de forma desordenada e o sangue morno e viscoso começar a escorrer por seu peito e pernas, criando uma pequena poça sob seus pés. Entre seus dedos brancos, longos e finos, ele apertava cada vez mais intensamente a lâmina de um pequeno punhal. Isso fez com que o foco de luz proveniente do poste elétrico começasse a piscar de forma ininterrupta, evocando mais uma vez sua amiga Sombra. Em um primeiro momento, ele podia vê-la no alto daquela fonte, abraçada à cintura da estatua angelical, sorrindo em sua direção, imitando-a num ato de zombaria. Depois, só uma constatação o interessava: as moscas, que antes eram atraídas pela iluminação elétrica, agora passavam a circular apenas em volta da Sombra...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após todos estes acontecimentos, ele caminhou lentamente até a fonte e aceitando o convite de sua companheira - que tinha a mão estendida em sua direção -, ambos dançaram por algum tempo. Gotas vermelhas então caíram sem parar de seu corpo e inundaram todo o gramado. Em seguida, ao conseguir desvenciliar-se dos braços dela, mergulhou seu rosto no fundo daquelas águas e, ao perder os sentidos, nunca mais voltou a emergir...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PARTE II: O APARTAMENTO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em frente a porta de entrada do seu apartamento, uma mensagem desenhada no tapete recebia de forma calorosa o Garoto-Sombra de volta ao lar: “ Seja Bem Vindo”. Ao entrar, qual não foi a sua surpresa ao enxergar o imóvel passando por reformas e perceber muitas pessoas andando de um lado para o outro, carregando e mudando inúmeros móveis de lugar. Pintores, encanadores, arquitetos e decoradores se revezavam na tarefa de dar um novo aspecto, novas cores, um novo sentido para aquele ambiente marcado predominantemente pelo cinza. O lugar agora não estava mais vazio como outrora. Muita coisa mudou: as teias de aranha haviam sumido das paredes, as cortinas permaneciam por mais tempo abertas e os seus livros tinham sido encaixotados e depositados no fundo de seu guarda-roupa. Outras, como o incansável trabalhar dos ponteiros, o findar dos meses e dias e as cicatrizes em sua mão, nunca mudam...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos decoradores volta-se para o Garoto-Sombra e lhe pergunta onde ele gostaria que fosse colocada uma velha pintura há muito pendurada na parede da sala. O quadro trazia desenhada a imagem de uma ponte, que cobria um grande rio e mostrava um menino de um dos lados e uma Sombra do outro. “Não sei o que fazer com ela”, respondeu ele para o profissional. “Na verdade, não me lembro bem dela”, disse ele para si mesmo com um olhar ainda fixo ao quadro. Olhando para o lado, ele apanhou em cima do crido-mudo, encostado próximo à janela, um baralho muito especial: eram as cartas xâmanicas. Em relação a elas, ele nutria um sentimento de crença e ceticismo, que caminhavam lado a lado. Queria acreditar. Por isso, quando a dúvida em relação ao futuro se fazia presente, ele concentrava todo o seu pensamento na origem de sua angústia e, ao embaralhá-las, retirava uma. Ao puxar aquela indicada pelo seu coração, duas caíram sobre o assoalho de seu apartamento, bem na sua frente. Ele sabia que aquele era um sinal. Mas qual das duas desvirar? Fechando os olhos, ele se decidiu e teve uma grande surpresa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Lagarto... O sonhador”. “Eu já tirei esta carta antes!...” Após este ato, um bilhete surge por baixo da porta. Nesta hora, o Garoto-Sombra abre a porta e espia pelo corredor em busca do responsável, mas não avista ninguém. Ao abrir o bilhete e começar a ler o seu conteúdo, mais interrogações o assaltam. Nele, estavam escrito as seguintes palavras: “Hoje, inauguração da mais nova loja de tatuagens da região, sonhos e pesadelos a preços promocionais para os primeiros clientes”. Ele não entendia nada daquilo. Não possuía nenhuma tatuagem em seu corpo, nem sabia o que era sonhar. Então, dois detalhes naquele anúncio fizeram, por um instante, sua mão voltar a buscar seu casaco: a logomarca da loja e seu horário de funcionamento. O símbolo correspondia a uma mão feminina, que apertava a lâmina de uma adaga voltada para baixo; e, em seu cabo, era possível visualizar o desenho de um morcego. Quanto ao horário, esta só atendia ao público do período das 22hs às 5hs da manhã...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O badalar dos sinos da igreja protestante, próxima ao seu apartamento, anunciavam a chegada da meia-noite. Resolveu sair na madrugada e saber onde ficava esta tal loja e quem havia desenhado aquela imagem. Pegou o elevador e, ao sair do prédio, foi correndo até o endereço indicado no folder. Nas ruas, de ambos os lados, inúmeras pessoas transitavam apressadas em busca de seus interesses; naquele dia, não havia carros rodando pelas estradas. Cada contato com as pessoas que trombavam com ele pelas calçadas apertadas contribuía de forma decisiva para a deterioração de sua sanidade já muito abalada. Nas pernas, nos braços, no peito e nas costas, pesadelos - que um dia tinham-no atormentado - encontravam-se agora imortalizados na pele destes indivíduos. A Sombra, a lâmina, o anjo e o poste elétrico também estavam lá, tatuados em seus corpos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Garoto-Sombra já estava cansado de tanto caminhar e por mais que procurasse, não encontrava a direção correta. E, para piorar ainda mais a situação, as luzes provenientes da iluminação pública simplesmente se apagaram de uma hora para outra. Deixando-o às cegas. Adiante, alguns passos à frente, podiam chegar aos seus ouvidos vozes que cantavam músicas de louvor a Deus e se aproximavam rapidamente do lugar onde ele se encontrava. Sentou-se no meio-fio e lembranças de seu passado corroíam o seu peito e, se lágrimas ainda pudessem ser derramadas naquele instante, assim ele as teria feito. Próximo dele, um grupo formado por cerca de vinte religiosos, entre eles homens e mulheres, faziam uma procissão pelas ruas anunciando a chegada do fim do mundo. Na linha de frente, um padre chamado Gonzalo erguia para o alto uma grande vela, que iluminava tudo e todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele tempo, muitos mendigos dormiam nas ruas, assim como cães e ratos. Alguns destes estavam próximos e, sentados em bancos e agarrados às suas garrafas de pinga, esperavam ansiosamente a doação de qualquer quantia por parte dos fiéis. Então, em um momento de terror e desespero coletivo, a luz da grande vela iluminou a presença do Garoto-Sombra e, ao obrigá-lo a proteger seus olhos com ambas as mãos, uma silhueta demoníaca foi refletida atrás dele, fazendo com que tanto os evangélicos quanto os mendigos saíssem em disparada pela avenida. Em meio a gritos desvairados e sinais da cruz esporádicos, a vela ainda rolava pelo chão e continuava ardendo intensamente quando sua luz trouxe a tona também outro casal de rostos que observava a tudo de forma impassiva e já se preparavam para partir. “Por que eles não fugiram como os outros?”. “Que música é esta?”, foram perguntas lançadas ao vento por ele, mas sem qualquer resposta aparente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PARTE III: A NOTA MUDA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A normalidade voltava a se apoderar da cidade. Com o restabelecimento da energia elétrica, a cidade já deixava a escuridão e todos voltavam às suas rotinas diárias. O Garoto-Sombra estava admirado com aquele casal. Pelo pouco que ele conhecia, tratava-se de jovens artistas de rua, que ganhavam a vida com suas apresentações artísticas. O homem chamava-se Ricardo e aparentava ter vinte e poucos anos; este usava óculos e mantinha-se concentrado em arrumar sua bolsa, guardando com extremo cuidado o instrumento de seu sustento: um violino. Ela, por sua vez, possuía o nome de Penélope e seu cabelo era crespo e um profundo sentimento de tristeza habitava o fundo dos seus olhos. Com o auxílio de uma cartola, ambos arrecadavam o dinheiro de sua musicalidade; e também do trabalho de vidente, que ela exercia ocasionalmente com a leitura das mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num primeiro momento, foi a música imitida pelas cordas do violino que o trouxeram até ali. Ela era calma, apaziguadora e levava-o a fechar os olhos. “É Mozart”, disse o violinista. “Você conhece?”, perguntou em direção ao Garoto-Sombra. “Nunca ouvi”, respondeu. “O que achou?”, perguntando novamente. “Me faz bem”, respondeu ele de forma melancólica. “Gostaria que eu continuasse a tocá-la?” - disse, fitando os olhos do filósofo. “Não...”, foi a resposta que obteve por sua gentileza. A partir daí o silêncio reinou entre eles. Penélope, que até então se manteve afastada, surpreende o Garoto-Sombra e segura uma de suas mãos. Ela começa a observar as linhas contidas em sua palma e depois fixa um olhar sério em seu rosto. “Cicatrizes?”, pensando alto. “Eu vejo você... falando sozinho... não... de mãos dadas... não... você não era um, mas dois...”, largando subitamente sua mão, ela finalizou: “Você me dá medo!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de ouvir aquelas palavras, o Garoto-Sombra sentiu-se mortalmente sozinho. Eles não o entendiam. Não podiam imaginar a extensão da sua miséria. O quanto ele havia pensado em todas as questões da existência. No vazio, na falta de alguém com quem conversar, na lápide com seu nome... Porém, havia alguém que lhe entendia, que não o julgava, com quem poderia contar seus segredos mais horrendos: sua amiga Sombra. Ele sabia que bastava apenas pensar nela por alguns instantes, buscá-la próxima ao seu peito, que ela viria ao seu encontro e a dor deixaria de existir. Tendo este intento em mente, deu as costas para os dois artistas e apertou seu punhal. Então, todas as luzes da cidade começaram a piscar de forma continua e as moscas voltaram em grande número ao lugar. Gargalhadas misturaram-se aos soluços, fios prateados desprendiam-se de sua cabeça e suas roupas estavam cada vez mais folgadas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penélope conhecendo a alma do Garoto-Sombra como poucos, pede a Ricardo que tocasse uma última melodia. Então, seu violino ressoou alto e seus olhos se fecharam. Ele era todo abandono, todo entrega. Parecia estar em outra dimensão. Cada nota atraía as pessoas afastadas, as unia para perto dos seus semelhantes, lhes traziam os sorrisos de volta. Ao terminar e regressar a este mundo, seu violino veio ao chão e partiu-se ao meio. Algo aterrador havia deixado suas mãos pesadas como chumbo e acimentado seus pés junto ao concreto: Penélope estava caída de bruços perto do Garoto-Sombra. Ela não se mexia mais. Seu sangue descia rapidamente pela calçada e contornava os sapatos dele como a correnteza de um rio obstruído por uma grande pedra. Junto aos dois – Penélope e o Garoto-Sombra -, encontrava-se Gonzalo. Ajoelhado próximo ao corpo inanimado da jovem vidente, o religioso segurava em ambas as mãos uma espada medieval ensangüentada, que servia de apoio para seu corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto Ricardo entoava sua sinfonia da compaixão, com a intenção de acalmar o espírito do Garoto-Sombra, Gonzalo se espreitava nas sombras da noite. Após o episódio referente à procissão, onde a vela havia revelado parte da personalidade do Garoto-Sombra, suas crenças tinham entorpecido sua razão. Estava convencido do fato de que aquele jovem possuía uma ligação com o demônio e aceitava a missão lhe imposta pelos céus: extinguir as Sombras de dúvida do coração humano. Assim, no momento no qual os focos e lâmpadas da cidade começaram a piscar continuamente, Gonzalo deixou seu esconderijo e sacando sua espada, lançou-se sobre o Garoto-Sombra. Gritos de “Demônio”, “Anticristo” e “Maldito” ecoavam pelo ar. Penélope então correu e postou-se em frente ao Garoto-Sombra e teve seu ventre trespassado por uma lâmina. Isto pôs fim as visões sobre o futuro e as notas se calaram, deixando espaço para uma única frase sussurrada, que atravessou o pensamento do Garoto-Sombra como um relâmpago em uma tempestade:“ Realmente, ele estava certo... O único cristão morreu na cruz...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ricardo pegou o corpo já sem vida de Penélope e o carregou em seus braços. Para Gonzalo, só restava-lhe fugir para longe levando consigo sua loucura. O Garoto-Sombra então se aproximou daquele casal de desconhecidos, que no fundo talvez soubessem mais dele do que ele próprio jamais soube, e disse: “Me desculpe”, lamentando-se na direção do violinista. “Não se lamente!”, respondeu de forma brusca. “Entenda, ela queria que você ouvisse aquele som que nenhuma nota pode reproduzir, que necessita do silêncio, da verdadeira morte e não dessa sua infantilidade!”, disse o artista em meio às lágrimas. “Eu não entendo...”, interrompeu de forma intrigada o Garoto-Sombra. “Ouça, estamos aqui para que você compreenda, para que você a deixe de lado... eu também já tive uma ao meu lado, só que a música me salvou e ela se foi para sempre... não me refiro à Penélope, mas àquilo que você reflete sobre os outros!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O táxi então avançou a barreira feita pelos policiais e se aproximou. Depois de Ricardo colocar o corpo de Penélope dentro do veículo e indicar ao motorista o local onde gostaria de ser levado, ele se despediu do Garoto-Sombra: “Desejo que você seja feliz”, disse o violinista ao fechar a porta do carro. “Não ande em má companhia!”, continuou agora rindo. “Busque aquilo que realmente lhe falta, não consolos efêmeros!”, levantando o vidro. Nisso, o ronco do motor se fez presente e mais duas pessoas especiais passaram de forma rápida e marcante pela vida do Garoto-Sombra, fazendo com que ele parasse e refletisse mais uma vez sobre seus atos e convicções. A noite continuava presente e a lembrança daquele encontro ficaria para sempre em seu pensamento. Entretanto, ele ainda precisava achar a tatuadora de sonhos e seus pesadelos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PARTE FINAL: A LOJA DE TATUAGENS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os ponteiros da igreja indicavam o horário: 4h da madrugada. O tempo estava se esgotando para o Garoto-Sombra. Ele precisava encontrá-la. Depois de interromper seus passos e voltar a consultar o endereço da loja de tatuagens no misterioso bilhete, seguiu em frente decidido. A cidade durante a noite era bela. Painéis e outdoors gigantescos iluminavam a paisagem urbana e anunciavam em cores de néon inúmeros produtos e serviços. Mas nenhuma destas revelava a presença daquilo que ele tanto buscava. Ao voltar-se para baixo por um momento, onde a noite reinava e as paredes dos prédios pichados e mal conservados davam o tom, ele avistou algo no alto de uma placa que arrepiou os pêlos de seus braços e fez as cicatrizes em sua mão voltarem a sangrar: &lt;strong&gt;&lt;em&gt;“Adriana Kally, tatuadora de sonhos”.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Deve ser este o lugar”, repetiu inúmeras vezes para si mesmo o Garoto-Sombra, sem ter certeza de suas próprias palavras. Ao colocar a mão na maçaneta da porta e preparar-se para entrar, morcegos pendurados de cabeça para baixo no alto dos prédios começaram a ensaiar rasantes sob sua cabeça e, agarrados ao seu pescoço, anteciparam de forma atrapalhada sua chegada até aquele lugar. Quase sem fôlego e com marcas em sua nuca, ele fechou a porta atrás de si de forma violenta e visualizou o interior da loja. Lá dentro, o silêncio só não era total em razão do ruído de uma agulha, que contornando suavemente a pele de um homem deitado em uma maca, revelava a presença de uma estranha mulher. “Fique a vontade!”. “Quando eu terminar aqui, irei atendê-lo”, foram as palavras que chegaram aos ouvidos do Garoto-Sombra, enquanto ela mantinha seus olhos fixos no desenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Garoto-Sombra então se sentou em uma cadeira e esperou. Ela já tinha terminado seu trabalho. Ao se levantar da maca, o indivíduo seguiu até um espelho próximo e apreciou o resultado de toda sua dor: ali, uma mão esquelética segurava uma adaga pela própria lâmina. Quando o homem ia agradecendo a tatuadora pelo trabalho e já se despedia, aquela imagem chegou até as pupilas amareladas do Garoto-Sombra e lembranças dolorosas se fizeram presentes, desviando seu olhar. “Será mesmo?... Que viver é sofrer?”. E, estas perguntas tiveram um impacto muito maior quando ele avistou uma imagem de Jesus Cristo crucificado, que se encontrava pendurada no alto de uma parede. Aquilo tornou sua luz fraca novamente e sua mão fraquejou, buscando mais uma vez o interior de seu casaco e o retorno de sua amiga Sombra. Porém, como num piscar de olhos, a energia elétrica no interior da loja foi interrompida e algo impediu que o Garoto-Sombra continuasse a carregar aquele fardo de forma solitária. Ao seu lado, encontrava-se a tatuadora de sonhos e agora sua mão também dividia a superfície fria, áspera e cortante da lâmina de seu punhal. Ambos suportavam juntos toda aquela dor. E assim ficaram imóveis por alguns segundos, na total escuridão e num silêncio quase mortal; interrompido em pequenos intervalos pelas gotas de sangue que rolavam pelo chão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, ela se aproximou do rosto do Garoto-Sombra e sussurrou em seu ouvido: “Eu não irei soltá-la... a dor para mim não representa nada!”. E, continuou a falar impondo seus olhos que mais pareciam duas chamas flamejantes ao cair da noite: “Não sei se você percebeu, mas eu não preciso da sua amiga Sombra aqui em minha loja, nem em minha existência... porque eu não tenho medo da morte... eu não posso morrer... pois não passo de uma maldita vampira acorrentada a esta cadeira, para sempre!”. Mesmo enxergando apenas dois pontos luminosos em toda aquela escuridão, o Garoto-Sombra enfim manifestou-se: “Mas como pode ser?... E aquela imagem na parede?”. Ao qual ela respondeu prontamente: “Não vou mais à Igreja, mas tenho uma fé absurda nele!”. E finalizou: “Deus que me perdoe por dizer isso... mas o que sinto em mim, nem ele preenche...”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, passados alguns instantes do nascimento daquelas tristes palavras, a luz voltou a brilhar dentro da loja de tatuagens e Adriana Kally voltou ao trabalho. De repente, seu celular depositado em cima da mesa começou a tocar e alertou-a sobre o horário. Sentada em sua cadeira ela falou mais uma vez em direção do Garoto-Sombra: “Escute bem: Eu não fui feliz, não sou e nunca serei feliz!... os dias para mim são vazios... procuro coisas que me distraem para passar mais rápido... tanto que fico acordada durante a noite e durmo de dia, para que o dia acabe logo...”. E, guardando seus instrumentos de trabalho, ela apontou para uma folha de papel próxima à sua cadeira e pediu que o Garoto-Sombra a pegasse e lê-se em voz alta. Ao segurar com ambas as mãos o pedaço de papel, ele começou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Corpo Fechado*&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;fechei meu corpo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e vou deixar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;meu corpo fechado&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;para o amor&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;para novas paixões&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e velhas formas&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;de conquista&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;já não me interessa mais&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;essa utopia&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;chamada amor&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;fechei meu corpo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;contra tudoe contra todos&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e vou deixar meu corpo fechado&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;não quero mais meu coração sangrando&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;meu coração machucado&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;fechei meu corpo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e as portas atrás de mim &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;não quero mais sorrisos nem abraços&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;não o quero mais amar &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;fechei meu corpo para o amor &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;para as aventuras e noites de farras &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;para a bebedeira&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;vou ficar com o corpo fechado&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;até me desintoxicar de tudo &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;do mundo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com seu término, a tatuadora de sonhos pediu que o Garoto-Sombra fosse embora. Os ponteiros agora marcavam 5h da madrugada. Os morcegos não estavam mais lá. As moscas também não. Não havia mais estrelas no céu. Ele caminhou pelas ruas de cabeça baixa, tentando entender o que realmente tinha acontecido. Sua mão ainda busca o fundo de seu casaco e sua luz ainda pisca vez ou outra, mas aquela lembrança sempre se faz presente nos momentos mais difíceis, servindo como bálsamo para suas feridas abertas; tanto nas mãos quanto na alma. Andando por aquelas calçadas, poderíamos dizer que ele até sorriu uma vez, que agora ele podia acreditar no invisível, mas na verdade, algo ainda faltava em sua vida... algo imortal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Resquícios de um amanhecer sombrio&lt;br /&gt;amanhecer de alma já morta&lt;br /&gt;que caminha apenas com a sombra&lt;br /&gt;e encontra em um anjo a luz&lt;br /&gt;quando a vida já é só escuridão&lt;br /&gt;e no peito sempre um eco&lt;br /&gt;do vazio que é caminhar por&lt;br /&gt;essas ruas tão marcadas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem mergulha em sangue&lt;br /&gt;Sabe que só poderá se encontrar em si&lt;br /&gt;Mesmo quando o eu é outro.&lt;br /&gt;                                                       ( Tatiana Plens**)&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Esta poesia, se não me engano, é de uma destas bandas: Dimmu Borgir ou Cradle of Filth.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;** Tati , uma pessoa especial, que já sentiu a " luz fraca" em sua vida...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-3891666744114039268?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/3891666744114039268/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=3891666744114039268' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/3891666744114039268'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/3891666744114039268'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2010/01/luz-fraca.html' title='LUZ FRACA'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-175137392985563422</id><published>2009-12-06T09:19:00.000-08:00</published><updated>2009-12-06T09:30:23.330-08:00</updated><title type='text'>As Rosas</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;"Amiga das horas em que ninguém resta&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;em&gt;quando tudo é recusado ao coração amargo;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;em&gt;consoladora cuja presença atesta&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;em&gt;tantas carícias que nos têm confortado.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;em&gt;Se renunciamos à vida, se renegamos&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;em&gt;o que foi e o que pode acontecer,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;em&gt;jamais pensaremos o bastante nessa fiel amiga&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;em&gt;essa fada constante sempre a nosso lado".&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;( &lt;em&gt;Rainer Maria Rilke&lt;/em&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Este pequeno poema me marcou muito neste domingo, por me fazer constatar uma feliz verdade: é provável que eu tenha realmente renunciado ao mundo, mas pelo menos, para minha sorte, meus olhos ainda podem vê-la...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;William, desejando um feliz natal para todas as pessoas que acompanharam este blog.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-175137392985563422?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/175137392985563422/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=175137392985563422' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/175137392985563422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/175137392985563422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2009/12/as-rosas.html' title='As Rosas'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-5392223018145426212</id><published>2009-07-26T09:38:00.000-07:00</published><updated>2009-07-26T12:55:17.173-07:00</updated><title type='text'>Chuva Ácida</title><content type='html'>Sufocado pelas areias do tempo em uma terra desolada pela loucura e a ilusão, ele só precisava de uma moeda para voltar a viver...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não três, mas apenas um pedido...&lt;br /&gt;Arremessando ela em direção à fonte dos desejos, ele já podia voltar a sonhar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já começava a pingar... escurecia rapidamente...covas eram submersas...dia e noite se confundiam...dançar na chuva, era o que restava...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com seu guarda-sonhos, ele se protegia de sua beleza pálida...&lt;br /&gt;Escorrendo por seu corpo, lavando suas feridas, despedaçando sua pele e seus ossos, era tudo aquilo que ele sempre desejou...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma chuva ácida... capaz de corroer sua alma e dissolver para sempre suas lembranças...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-5392223018145426212?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/5392223018145426212/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=5392223018145426212' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/5392223018145426212'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/5392223018145426212'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2009/07/chuva-acida.html' title='Chuva Ácida'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-8455559600765483869</id><published>2009-07-22T08:05:00.000-07:00</published><updated>2009-07-22T13:31:57.948-07:00</updated><title type='text'>O Fim da Crença</title><content type='html'>Por um momento, uma árvore me fez acreditar...&lt;br /&gt;Num fantasma, que na cruz chorou no final...&lt;br /&gt;Mas, apoiado em Schopenhauer...&lt;br /&gt;A franja dos olhos eu quis retirar... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Asas de anjo...&lt;br /&gt;Pensamento de demônio...&lt;br /&gt;Voando e rastejando, chorando e sorrindo...&lt;br /&gt;Tudo ao mesmo tempo, no mesmo momento...&lt;br /&gt;Que me importa enxergar, com um olho a mais...&lt;br /&gt;Se no fim, na verdade, será apenas mais um para enxugar...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-8455559600765483869?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/8455559600765483869/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=8455559600765483869' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/8455559600765483869'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/8455559600765483869'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2009/07/o-fim-da-crenca.html' title='O Fim da Crença'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-9210224870720171288</id><published>2009-07-16T06:19:00.000-07:00</published><updated>2009-07-17T04:50:04.014-07:00</updated><title type='text'>Bola de Cristal</title><content type='html'>Prevendo meu futuro, passo os dias a brincar...&lt;br /&gt;Sabendo o que virá no final, agora só me resta esperar...&lt;br /&gt;Um dia, um mês ou 30 anos, não importa; este dia não tardará a chegar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentado na grama, vejo uma luz fraca piscar...&lt;br /&gt;Negando o anjo feito de pedra, busco a lâmina apertar...&lt;br /&gt;Gargalhando para o céu, só tenho uma coisa para falar:&lt;br /&gt;É nos braços de minha Sombra, que desejo ficar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-9210224870720171288?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/9210224870720171288/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=9210224870720171288' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/9210224870720171288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/9210224870720171288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2009/07/bola-de-cristal.html' title='Bola de Cristal'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-212686999405150508</id><published>2009-07-15T12:37:00.000-07:00</published><updated>2009-07-15T12:39:21.245-07:00</updated><title type='text'>Um vulto à espreita</title><content type='html'>Quando o medo tentar me dominar, a verdade tentarei encontrar...&lt;br /&gt;Se por acaso, um dia, os grilhões voltarem a sangrar, deixarei para o tempo tentar me salvar...&lt;br /&gt;Quando não encontrar em mim uma razão para continuar...&lt;br /&gt;Só me restará as chaves pela janela arremessar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo traças e vultos ao meu lado caminhar...&lt;br /&gt;Trancado em meu próprio sótão, desejo o retrato também rasgar...&lt;br /&gt;Erguendo uma muralha em volta de mim, busco dos outros me isolar...&lt;br /&gt;Falando com fantasmas, espero a paz um dia encontrar...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-212686999405150508?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/212686999405150508/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=212686999405150508' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/212686999405150508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/212686999405150508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2009/07/um-vulto-espreita.html' title='Um vulto à espreita'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-8104766229453828336</id><published>2009-05-31T12:20:00.000-07:00</published><updated>2009-07-09T07:37:23.147-07:00</updated><title type='text'>Trocando de Pele</title><content type='html'>A mochila estava pronta. Ele levava poucas coisas consigo; queria deixar o máximo para trás. Levou apenas as duvidas consigo. Parou alguns instantes em frente à porta, antes de fechá-la para sempre. Observou de forma bastante hesitante todas aquelas coisas que moldaram sua personalidade por inúmeros anos, mas que aos poucos, foram deixando de dominar suas ações para se tornarem apenas retratos em um álbum de família. Fossem as companhias literárias, as guitarras distorcidas, o Hellraiser na parede, as conversas íntimas com os fantasmas, ou a janela que indicava as estrelas, não importava, tudo desvaneceu no mesmo instante que ela se fechou à suas costas. Se desapegar nunca é fácil. Assim, depois de sentir um profundo alívio, dirigi-se ao elevador e depois segue pela rua movimentada. Para onde nosso herói estava indo? O que pretendia encontrar? Digamos apenas, que ele precisava trocar de pele, regressar ao seio dela, ouvir mais uma vez o murmúrio de seu filho, resumindo: buscava uma cura para todo aquele veneno acumulado em sua alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolveu ir parte da viagem de ônibus. Naquele dia em especial, a manhã pareceu-lhe ainda mais bela do que sua musa inspiradora, a noite. Apesar de deixar muitas coisas para trás, uma parecia ser impossível de ser abandonada: sua amiga Sombra. Ela estava sentada no banco e acenava em sua direção. Ele sorriu; no fundo abominava a solidão. Quando o motorista parou o ônibus, ambos entraram e se sentaram no fundo dele. A paisagem ia passando perante seus olhos e toda aquela beleza cinza e gélida – que no fundo era aquilo que o estava matando -, foi dando lugar para um conjunto de montanhas e florestas, que protegidas por um grande volume de água, aliviavam seu coração. Depois de uma parada, uma senhora aproxima-se dele e educadamente pergunta-lhe: “Importa-se de eu me sentar ao seu lado?”. “Está ocupado...”, foi o que ele respondeu ainda com o rosto colado na janela. Ela arregalou os olhos e ao procurar outro lugar para sentar-se, sussurrou: “Maluco!”. Sem ao menos voltar-se para dar-lhe atenção, adormeceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dias agora passavam mais devagar. Seguiam o curso da natureza; com calma e tranqüilidade. O rio ia seguindo seu curso. O borbulhar da vida se fazia presente em toda parte, abrilhantando ainda mais o seu mundo inconsciente. Após despertar com a passagem de uma gigantesca ave de rapina, que cortava os céus com seu fascinante mergulho, ele teve a percepção exata de onde estava e na companhia de quem. Estava deitado em um pequeno bote, que deslizava suavemente pela correnteza prateada e era conduzido por sua amiga Sombra rumo há uma cachoeira. O som da queda era monstruoso. Sem pensar duas vezes, ergue-se e joga-se na água gelada. Depois de debater-se em desespero por não saber nadar, ele percebe que estava sentado e que a água não chegava nem mesmo aos seus joelhos. Lentamente, coloca-se de pé e adentra o interior de uma misteriosa floresta às margens do rio. Felizmente, desta vez, o chamado da natureza chegou aos seus ouvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tarde chegava ao seu fim. Ele resolveu parar sua caminhada e descansar um pouco. O lugar era como aquelas áreas verdes intocadas pelo homem, onde o canto dos pássaros se mistura com a paz de uma mente livre de preocupações e medos. Passou alguns minutos observando as estrelas sob as copas das árvores; porém, seu espírito inquieto fez com que esquecesse as belezas do cosmo e abruptamente seguisse em sua busca. Os sinais de fumaça começaram a atiçar os seus sentidos. Sua fome crescia a cada momento. Naquele lugar, seus sentidos estavam muito mais aguçados; não existia conforto, manipulação ou obrigação de ser domesticado. Tudo era selvagem e primitivo. Foi-se aproximando aos poucos. Em meio a uma clareira, situada em um círculo descampado no interior da mata fechada, ele foi ao encontro de um velho índio, que totalmente concentrado em manter o fogo de sua pequena fogueira ardendo, ignorava por completo a sua chegada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhos atentos de uma pequena coruja vigiavam o desenrolar daquele encontro inusitado. Ele sentou-se próximo ao velho ancião. Este possuía a imagem de uma pantera nebulosa desenhada no peito, que ocultada em parte pela pele de um urso cinzento, davam-lhe um aspecto ainda mais fantasmagórico. Enquanto a chama incandescente estava longe de se extinguir, nosso herói finalmente se manifestou: &lt;em&gt;“Estou doente, sinto o veneno correndo nas veias!&lt;/em&gt;”. E, em pleno desespero, continuou: &lt;em&gt;“Eles estão me matando!”.&lt;/em&gt; O velho índio sem mostrar nenhuma comoção, respondeu: &lt;em&gt;“Ela está aí, não está?”.&lt;/em&gt; Neste instante, mais lenha era lançada ao fogo e línguas flamejantes tentavam tocar as estrelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Permaneceu com a cabeça baixa e os braços envoltos dos joelhos por um longo período. A lua e as estrelas emergiam por trás das nuvens e iluminavam toda a paisagem naquela noite fria. Como o caminhar de um espectro, o velho índio levantou-se e segurando uma pequena vasilha em ambas as mãos, lançou em direção do fogo todo o seu conteúdo, silenciando e escurecendo tudo a sua volta. &lt;em&gt;“Você não precisa mais dela!”,&lt;/em&gt; foram as palavras que chegaram aos seus ouvidos. Dirigindo-se ao encontro do atormentado jovem, o Xamã coloca a mão sobre seu ombro e o aconselha:&lt;em&gt; “Chegou o momento... apenas troque de pele!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;“Senhor?... Chegamos, senhor!” No momento que estas palavras chegaram ao seu pensamento, pôde abrir os olhos com certa dificuldade. Observando os prédios e casas, ele soube que tinha voltado ao seu calabouço. Ao descer os degraus do coletivo, sentiu uma paz e tranqüilidade que há muito tempo não sentia. E resolveu observar por alguns instantes o ponto de ônibus e a entrada perto do seu apartamento, só para confirmar uma certeza: ninguém mais acenava ou sorria em sua direção. Então, um sorriso sarcástico nasceu em seu rosto, e pôde seguir em frente. Após procurar o molho de chaves dentro dos bolsos de sua calça, abriu a porta e entrou em sua residência. Por alguns instantes, suas pernas estavam petrificadas e seu coração havia silenciado. O imóvel estava totalmente vazio. Nenhum móvel, objeto ou lembrança. Tudo havia sumido. Em seu centro, apenas uma pele de cobra no chão, que insistia em decorar o ambiente. Acreditou ser mais um dos seus inúmeros pesadelos, e dando as costas para o local, ele teve a certeza: “&lt;em&gt;Eu realmente não preciso mais dela...”.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-8104766229453828336?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/8104766229453828336/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=8104766229453828336' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/8104766229453828336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/8104766229453828336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2009/05/pele.html' title='Trocando de Pele'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-5917614681138709447</id><published>2009-05-24T13:59:00.000-07:00</published><updated>2009-05-24T14:02:54.519-07:00</updated><title type='text'>A Coruja e a Garota Dissolvida</title><content type='html'>&lt;em&gt;“Em nossa mente, quando o ato de reflexão se faz presente, quando nós nos enxergamos à luz do pensamento, descobrimos que nossa vida é cercada pela beleza”. (Ralph Waldo Emerson)&lt;br /&gt; &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Por um breve momento, pude ouvir o chamado de uma alma...&lt;br /&gt;Por um breve instante, pude pousar em seu ombro...&lt;br /&gt;Ao pousar, pude sentir toda a dor e sofrimento deste mundo...&lt;br /&gt;Todo peso de um passado que não cicatriza...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mãos invisíveis me guiaram até você...&lt;br /&gt;Minhas asas não conseguiam mais se mexer...&lt;br /&gt;Era como se eu estivesse conversando com o além...&lt;br /&gt;Um mistério que me intrigou...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em cima de um galho de árvore, passei a lhe acompanhar...&lt;br /&gt;Observando suas idas e vindas, que quase me fizeram chorar...&lt;br /&gt;Morrendo aos poucos, era a forma que restava afinal...&lt;br /&gt;Para que em um novo dia, um sorriso voltasse a brilhar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dissolvendo abraços e sorrisos, você foi se encontrando...&lt;br /&gt;Rasgando a própria alma, você foi mudando...&lt;br /&gt;Com um aceno, seu fantasma se perdeu...&lt;br /&gt;Olhando para o céu, você me disse adeus...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; * William, desejando que um dia a alegria volte ao seu coração...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-5917614681138709447?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/5917614681138709447/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=5917614681138709447' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/5917614681138709447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/5917614681138709447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2009/05/coruja-e-garota-dissolvida.html' title='A Coruja e a Garota Dissolvida'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-8975570972245146331</id><published>2009-05-18T11:03:00.000-07:00</published><updated>2009-05-18T11:47:02.512-07:00</updated><title type='text'>Do Lado de Lá... *</title><content type='html'>Apenas sinais, apenas vestígios...&lt;br /&gt;Um mundo feito de ar, um mundo feito de vidro...&lt;br /&gt;Ambas as paredes me intrigam, por querer enxergar?&lt;br /&gt;O desconhecido te fascina, por não saber explicar?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Algo me envolve e fascina...&lt;br /&gt;Não encontro as palavras certas para explicar...&lt;br /&gt;O nosso medo não nos move adiante...&lt;br /&gt;Nossa coragem é que nos leva avante...&lt;br /&gt;Quero entender o que existe do lado de lá...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Um reflexo daquilo que não tem rosto...&lt;br /&gt;Um sussurro do mundo dos sonhos...&lt;br /&gt;Uma imagem refletida sob a luz do luar...&lt;br /&gt;A certeza de que existe algo do lado de lá...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Dei de encontro com o meu eu...&lt;br /&gt;Fui além dos meus medos...&lt;br /&gt;Minha verdade está ao seu alcance...&lt;br /&gt;Não há certezas... apenas tentativas...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Você acredita e eu quero acreditar...&lt;br /&gt;buscando através das nuvens, a ampulheta desvirar.&lt;br /&gt;Perdido em sonhos, tento seus segredos decifrar...&lt;br /&gt;Com um pé em cada lado, é onde devo continuar... &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Presa ao passado...&lt;br /&gt;Por todos os lados,&lt;br /&gt;Tudo me condena, tento me encontrar.&lt;br /&gt;Espíritos me perseguem, &lt;br /&gt;algo querem revelar?&lt;br /&gt;Estou acorrentada do lado de lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Escrito por William Wagner e a Garota Dissolvida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-8975570972245146331?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/8975570972245146331/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=8975570972245146331' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/8975570972245146331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/8975570972245146331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2009/05/do-lado-de-la.html' title='Do Lado de Lá... *'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-5169042084466807355</id><published>2009-05-10T07:00:00.000-07:00</published><updated>2009-05-10T07:19:39.004-07:00</updated><title type='text'>O Grito do Silêncio *</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;Perdida em meus pensamentos...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;em&gt;Difícil dizer coisas que não podem ser ditas...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;em&gt;A verdade mora no silêncio que existe em volta das palavras...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;em&gt;Se não entende o meu silêncio de nada irá adiantar as palavras...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;em&gt;O silêncio é resposta...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;O silêncio é um espião. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;em&gt;Ao mesmo tempo cercado, ao mesmo tempo sozinho...&lt;br /&gt;de mãos dadas com o infinito, de mãos dadas com o vazio...&lt;br /&gt;posso tentar lhe dizer tudo o que vive além do saber...&lt;br /&gt;mas buscando as palavras, é o silêncio que me faz sofrer...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procuro respostas e o silêncio permanece...&lt;br /&gt;Esse é o meu medo... até onde irá esse silêncio?...&lt;br /&gt;Verdades não podem ser escondidas... porque meias verdades não existem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em frente ao penhasco, vejo meu destino clamar...&lt;br /&gt;Por trás de meu sorriso, sinto uma lágrima rolar...&lt;br /&gt;O que trago dentro de mim?...O que escondo dentro de mim?...&lt;br /&gt;Só a verdade poderá revelar....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminho sem destino...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;em&gt;Presa em pensamentos...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;em&gt;Silêncio que esconde sentimentos...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;em&gt;Evitando perguntas... calando respostas...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;em&gt;Dissolvendo segredos no silêncio da verdade...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;* Escrito por William Wagner e a Garota Dissolvida....&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-5169042084466807355?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/5169042084466807355/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=5169042084466807355' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/5169042084466807355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/5169042084466807355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2009/05/o-grito-do-silencio.html' title='O Grito do Silêncio *'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-2073638210846122046</id><published>2009-02-03T04:36:00.000-08:00</published><updated>2009-02-03T04:40:34.643-08:00</updated><title type='text'>No Limiar</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Nestes últimos dias fui surpreendido como nunca antes. Eu que costumo sempre falar da morte e do vazio da vida, tive de me defrontar desta vez com um caso no mínimo angustiante. O suicídio de um amigo da minha família. Assunto este, que sempre deixa um rastro de indignação e raiva pelo caminho. Depois de acompanhar o desenrolar dos acontecimentos, passei alguns dias refletindo sobre o assunto, e resolvi falar um pouco mais sobre ele. Não pretendo julgar os motivos que o levaram a cometer esta atitude, mas sim sobre aquilo que se escondia dentro de sua mente e coração, que no fim, é o que realmente nos interessa. Tentarei observar as escolhas no limiar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Eu não o conhecia pessoalmente. O que sei sobre sua vida é aquilo que me foi contado pelas pessoas mais próximas há ele. Era uma pessoa que havia trabalhado por muitos anos em uma mesma empresa, e após um longo período, resolveu deixá-la para trás. Beirava já os cinqüenta anos de idade, e não estava mais conseguindo trabalho em lugar algum. Possuía certa estabilidade econômica, uma casa grande e confortável, e uma família que nutria por ele um grande sentimento de afeto. Porém, mesmo todas estas coisas não foram suficientes para impedir que ele deixasse este planeta por conta própria. Muitos diziam que ele tinha tudo e que havia sido muito egoísta. Será? Acredito que basta apenas ficarmos um pouco sozinhos com nós mesmos em nossos quartos escuros, para entendermos de forma clara todas as suas razões. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Um fato curioso: muitos deixam para pensar sobre a vida quando já não há mais tempo. Ou você tem a coragem de abrir mão de futilidades e pensa sobre os motivos que fazem de você um ser humano ridículo ainda quando é jovem, ou passa a vida toda andando como um zumbi por aí e espera despertar apenas quando já for tarde demais. Não é assim que funciona? Os amigos e familiares já estranhavam seu comportamento há algum tempo. Vivia isolado dentro de casa, não atendia e não queria mais receber visitas, tomava doses cada vez maiores de remédios para depressão, sem prescrição médica. Passava horas observando o local onde seu cachorro havia sido enterrado, nos fundos de sua casa. Todos estes sinais claros de alguém que já estava com as malas prontas. No fim, ele foi derrotado e engolido por duas das mais belas virtudes de nossa idolatrada sociedade: &lt;i style=""&gt;Individualismo&lt;/i&gt; e &lt;i style=""&gt;solidão&lt;/i&gt;. Lembrando sempre, que ele não foi o primeiro nem será o último a ser apanhado por ela.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Certo dia, um bilhete foi encontrado em cima da cama. Tudo tinha sido deixado para trás: documentos, roupas, cartões de crédito, amigos, familiares, esperança; restando apenas os remédios em seu pensamento. Ele ficou desaparecido por quatro dias. Perguntas e dúvidas estampavam o rosto de amigos e familiares que não conseguiam entender os motivos que o levaram a fazer isto. Após os quatro dias em que esteve desaparecido, seu corpo foi encontrado boiando as margens do rio. Os bombeiros e especialistas relataram que ele havia se suicidado já no mesmo dia em que havia escrito o bilhete para seus entes queridos. Naquela hora, ele já não possuía mais família.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Não colocarei neste papel palavras hipócritas. É um direito de cada um. Cada um sabe o quanto o peito aperta. Imagino o momento em que ele se encaminhou rumo ao rio, e parou em sua frente. Não tenho dúvidas de que por alguns instantes ele olhou para trás e observou os carros, as casas, os rostos, as árvores, os pássaros e as lembranças, tudo aquilo que ele amava e que ia ser deixado de lado. No final, só ele sabia o que passava em sua cabeça, e quão difícil foi tomar aquela decisão. No momento que escrevo estas palavras, apenas uma pergunta cruza meu pensamento e me faz baixar a cabeça: &lt;i style=""&gt;“Será&lt;/i&gt; &lt;i style=""&gt;que lhe foi permitido chorar no limiar&lt;/i&gt;?”. Espero que sim. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-2073638210846122046?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/2073638210846122046/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=2073638210846122046' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/2073638210846122046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/2073638210846122046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2009/02/no-limiar.html' title='No Limiar'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-7416289073466258199</id><published>2009-01-29T04:22:00.000-08:00</published><updated>2009-01-30T18:08:36.880-08:00</updated><title type='text'>B... e a Banda dos Zumbis</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;O grande dia havia chegado. Ambas estavam muito ansiosas. B... esperou por este show toda sua vida, enquanto L... estava prestes a sofrer um ataque de nervos. Os ingressos tremiam em suas mãos. Buzinas do lado de fora já mostravam a impaciência geral; a fumaça vinda do escapamento sufocava até mesmo as plantas do jardim. Seguiram para o show em um fusca amarelo – o único que podiam pagar com o salário de bibliotecárias -, que ao som da banda &lt;em&gt;Paramore&lt;/em&gt;, ia amenizando a ansiedade cada vez mais crescente das duas. E, para ilustrar ainda mais aquele momento histórico, batizaram o pobre veículo com um apelido que combinava perfeitamente com a cor do carro e também com o tamanho de seus apetites: &lt;em&gt;“Polenta&lt;/em&gt;”. A apresentação teria a abertura de uma banda desconhecida chamada &lt;em&gt;Cova Rasa&lt;/em&gt;, que costumava tocar em lugares um tanto estranhos, como cemitérios e necrotérios, e que por um algum motivo até então desconhecido, não possuía muitos fãs vivos. Assim, B..., L... e &lt;em&gt;Polenta&lt;/em&gt;, seguiram para o tão esperado concerto com um sorriso de satisfação estampado no rosto, e a certeza de que este dia seria lembrado como uma coisa do outro mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que elas foram prestigiar era o &lt;em&gt;Paramore&lt;/em&gt; e não o &lt;em&gt;Nevermore&lt;/em&gt;. Mas na verdade, elas nunca mais esqueceriam aquele dia. Mesmo polenta tendo apresentado alguns problemas técnicos durante o percurso – tanque na reserva e pneus carecas -, conseguiram chegar vivas até o lugar indicado no verso do ingresso. O lugar mais parecia um grande circo, talvez, em virtude da grande tenda que se estendida por toda uma área desmatada, e que em outras horas servia de estacionamento para uma grande companhia de ônibus. Caminharam alguns passos e se juntaram as inúmeras pessoas que aguardavam na fila. Cuidando da entrada, estava um homem alto e magro, que usando uma fantasia de palhaço parou perante as duas, e lhes presenteou com um sorriso amarelado e uma estranha pergunta que deixou ambas perturbadas: “Vocês não são vegetarianas? São?”. Nenhuma delas respondeu, e achando que se tratava apenas de mais um maluco qualquer, entraram correndo pela tenda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá dentro, a fumaça que pairava no ar continha um estranho odor, o qual não podia ser identificado facilmente. Uns diziam que era formol, outros, que se tratava de banha de porco. Ambas acharam estranho o fato de que pelo chão estavam espalhadas unhas e chumaços de cabelos, porém, foi apenas uma preocupação momentânea, já que estavam há apenas alguns minutos de realizarem seus sonhos mais profundos. Entre os ilustres convidados na platéia estavam representantes ilustres do mundo dos mortos, como: o cineasta &lt;em&gt;George Romero&lt;/em&gt;, criador do clássico &lt;em&gt;A Noite dos Mortos Vivos&lt;/em&gt;, o cineasta e ator José Mojica da Silva, conhecido pelo personagem &lt;em&gt;Zé do Caixão&lt;/em&gt;, os ilustres Albert Wesker e Nemesis, ambos vindos diretamente do game &lt;em&gt;Residente Evil&lt;/em&gt;, além, é claro, dos integrantes da banda &lt;em&gt;Canibal Corpse&lt;/em&gt;, que não poderiam deixar de prestigiar um grupo que tanto os influenciou. Todos esperavam ansiosos o início. Então, ao som da trilha sonora do filme psicose, todas as atenções se voltaram para o palco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O palco era pouco iluminado. Lá em cima estavam o baterista, o baixista e o tecladista da Banda Cova Rasa. O baterista Jack “&lt;em&gt;Pus&lt;/em&gt;” da Silva, usava uma camiseta do Sepultura, não possuía mais uma das orelhas, e, além disso, tinha os cabelos desgrenhados por sobre o rosto, o que tornava impossível reconhecê-lo por de trás da bateria. Por sua vez, o baixista Ernesto “&lt;em&gt;Necrófilo&lt;/em&gt;” Batista, usava uma camisa preta da banda americana Testament, que contrastava muito bem com o aspecto cadavérico de sua pele. Curiosamente, ele sempre tocava seu instrumento com o rosto voltado para o chão. Já o tecladista Rick “&lt;em&gt;Gangrena&lt;/em&gt;” Souza, vestia o uniforme completo da banda &lt;em&gt;Grave Digger&lt;/em&gt; e detinha os olhos totalmente costurados. Parecia doente. Em muitos momentos, ele levantava sua cabeça para o alto e produzia uns ruídos horripilantes, ruídos estes, capazes de gelar o sangue que corre nas veias. Todos usavam uma espessa maquiagem e capuzes negros que escondiam seus rostos. Tanto B... quanto L..., estavam próximas do palco e continuavam achando o cheiro pútrido do lugar insuportável. Naquele instante, o estranho palhaço surge em cima do palco e com uma coleção de dentes incompletos, dirigi-se ao público presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao aumentar o pedestal do microfone para uma altura mais conveniente para seus mais de 2 metros de altura, o palhaço lança uma pergunta em direção das possíveis refeições: “Quem de vocês gostaria de ser uma estrela do Rock?”, sem ouvir nenhuma resposta imediata, dirigi-se então para nossas queridas “Roqueiras”. Após se abaixar de forma inesperada, o estranho palhaço estica seu longo braço e puxa B... pelos cabelos para o alto do palco junto da Banda &lt;em&gt;Cova&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Rasa&lt;/em&gt;, e entrega uma bela guitarra para ela. A guitarra, um modelo &lt;em&gt;SunBurn&lt;/em&gt; toda ilustrada com pequenas caveiras, que se adaptou muito bem em suas mãos, levando B... a achar que estava vivendo algum tipo de sonho. Mesmo sem entender nada do que estava acontecendo, B... aproxima-se do microfone. O excêntrico palhaço pede-lhe que cante a música de maior sucesso da banda – Nas asas da podridão - cuja letra estava colocada junto ao microfone. B... afina sua guitarra e começa a cantar pedaços da bela canção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Eu vou me arrastando pelo palco&lt;br /&gt;Não sei se to vivo ou to morto&lt;br /&gt;Eu chamo teu nome&lt;br /&gt;B...&lt;br /&gt;Eu vou deixando meus pedaços podres pelo chão&lt;br /&gt;Eu vou te agarrar&lt;br /&gt;Eu vou te morder&lt;br /&gt;B...&lt;br /&gt;Um dia... eu vou te pegar!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Enquanto os presentes quase se matavam para conseguir repetir o refrão, B... começava a se perguntar por que a sua banda não conseguia acompanhar o seu ritmo e empolgação. Após todas as descrições, o leitor pode imaginar que os integrantes da banda Cova Rasa não só perdiam o compasso, mas também outras partes do corpo durante a execução da bela balada. Em seu solo de bateria, Jack “&lt;em&gt;Pus&lt;/em&gt;” da Silva tenta jogar as baquetas para a platéia enlouquecida com sua velocidade e técnica apurada. Após a baqueta ser jogada – coincidentemente na direção de L... -, todos se surpreendem ao perceberem que não havia sido apenas a baqueta que tinha sido arremessada ao público, mas que junto dela, ela recebeu de brinde também o antebraço do mórbido baterista. Num ato inconsciente e hilário, ela levanta seu tesouro para o alto, e leva o lugar a se transformar num verdadeiro pandemônio. Em meio a gritos de desespero, B... pula na galera – que infelizmente, já não estava mais lá para segura-lá - , e após perceber que todos os ossos estavam no lugar, corre junto com L... em direção da saída de emergência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando saíram pela porta, o carismático palhaço tenta agarrá-las, porém, sem sucesso. Então frustrado, lamenta-se: “Eu perguntei se vocês eram vegetarianas, não perguntei?”, e acompanhado de sua divertida buzina, solta gargalhadas por todo o lugar. B... e L... correm em direção do seu querido &lt;em&gt;Polenta&lt;/em&gt;, que as aguardava embaixo de uma árvore. Ao se encaminharem para casa, B... liga o rádio e sintoniza numa rádio qualquer apenas para relaxar e esquecer toda aquela loucura. Em meio a conversa empolgada, ambas sentem o coração disparar com o anúncio do estranho locutor: “ &lt;em&gt;&lt;strong&gt;E agora com vocês, mais uma estréia mortal aqui na sua Podreira FM, a belíssima canção Nas asas da podridão, da revelação mundial Cova Rasa&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;. B... então vira-se para L... e comenta: “ &lt;em&gt;Quer saber de uma coisa&lt;/em&gt;?". L... responde positivamente com a cabeça. “ &lt;em&gt;Não quero mais saber desse negócio de guitarra, de hoje em diante, vou tocar é gaita!".&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;* &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Este texto é uma pequena homenagem para L... e B... . Espero que gostem.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-7416289073466258199?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/7416289073466258199/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=7416289073466258199' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/7416289073466258199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/7416289073466258199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2009/01/b-e-banda-do-zumbi.html' title='B... e a Banda dos Zumbis'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-7587925838871062765</id><published>2009-01-25T05:45:00.000-08:00</published><updated>2009-01-25T08:08:55.380-08:00</updated><title type='text'>Oásis</title><content type='html'>A TV continuava ligada. Chuviscos e ruídos davam o tom da programação. O controle remoto jogado em cima da cama e a garrafa de vodka já pela metade, mostravam seu profundo interesse pela vida; companhias estas, ideais para uma noite repleta de pesadelos. Não existia ânimo para se levantar. Pensou: “Para quê?”. Não era o tipo de sujeito que possuía compromissos importantes. Não era ladrão, drogado ou prostituta, enfim, nada que justificasse caminhadas noturnas. Após despertar todo suado e constatar que uma crescente sede começava a tomar corpo, levanta-se com dificuldade e parte em busca de um pouco de água. Depois de se aproximar da pia imunda, infestada por baratas, escolhe um copo quebrado e leva-o ruma à boca, e graças a uma de suas intuições - tão raras ultimamente – depara-se com mais uma peça do instigante quebra-cabeça que acabou se tornando sua vida inconsciente: era ela a estranha ligação que existia entre a água, as emoções e o sonhar. Em seu íntimo, ele sabia que mais um mergulho devastador se aproximava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele dia em especial, o tédio e a solidão tomavam proporções insuportáveis até mesmo para ele, que com o passar do tempo havia se tornado um mestre na arte de falar e gesticular para si mesmo. Sabia que precisava conversar com alguém. Mas quem? Não existiam muitas opções. Então, como sempre acontecia – principalmente quando a loucura batia à sua porta –, ele apanhou um livro qualquer jogado perto do tapete e começou a folheá-lo de forma apática. Desta vez, o sorteado foi O Viajante e sua Sombra, do filósofo Nietzsche, pelo qual nutria um sentimento de amor e ódio. Enquanto o segurava entre os dedos, foi tomado por um momento de desespero que o levaram a rasgá-lo em mil pedaços. Sendo assim, atendendo ao seu chamado inconsciente, sua amiga Sombra retorna após um longo período de silêncio, e senta-se em um canto pouco iluminado de seu quarto. Ela o surpreende falando sozinho, e com uma salva de palmas, cobre todo o ambiente com sua deliciosa gargalhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de todos os risos e gargalhadas, seu humor não estava dos melhores naquele dia. Assim, pondo-se de pé, caminha até as cortinas e volta a fechá-las. Outra vez sozinho. Agora tudo estava quieto e tranqüilo. Situação esta, interrompida casualmente por um longo bocejo que dividia espaço com os pingos que corriam mansamente pela pia do banheiro e ecoavam por toda casa. Depois de beber dois copos com água, voltou a dormir; curiosamente, voltou também a sonhar. Normalmente, não conseguia lembrar-se de seus sonhos, coisa que não aconteceu naquela noite. Via-se atravessando um grande deserto. Ela vinha ao seu lado. Ambos caminharam por horas embaixo de um calor escaldante, fato que incentivava cada vez mais os abutres a pousarem e exercitarem sua paciência sobre os galhos secos de uma velha árvore. Ele, que já começava a sofrer com as alucinações causadas pela total falta de água do lugar, não se conteve mais e perguntou: “Por um acaso, você não saberia dizer onde fica o oásis mais próximo?”. E, continuou: “Eu não agüento mais, preciso de um pouco de água”. Sem receber qualquer resposta, ela lhe dirige um sorriso, e seguem deixando seus rastros pelas areias asfixiantes do deserto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cada passo que davam, aumentava o seu desespero, e sentia seu corpo se tornando semelhante a um galho seco. Perguntava-se o porquê daquela caminhada. O motivo daquele tormento. Perturbado como estava, começa a imaginar lugares que a razão havia-lhe levado no passado. Lugares estes, indiscutivelmente reais. De um lado, estava o hospital, com suas ambulâncias entrando e saindo, seus médicos, remédios e lamentos sem fim. Um lugar capaz de fazer sangrar velhas feridas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Tudo era branco.&lt;br /&gt;O guarda-pó, o lençol, as paredes e também a esperança.&lt;br /&gt;Ela veio do céu trazendo consigo as mentiras que são contadas, e quando enxerguei manchas de sangue no chão, fiz questão de espantá-la.&lt;br /&gt;Um frasco e um copo de água é tudo do que preciso agora.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Já à sua esquerda, estava o manicômio. Lugar este que habitava muitas de suas personalidades. Casa de pessoas que pensavam demais e que esqueceram de viver. Ele tinha medo daquele lugar, pelo simples fato de que ninguém pode prever o futuro. Certamente, um lugar que o deixava dividido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Tanto um quanto o outro são enfermos, e se não assinarem logo um tratado de paz, correm um sério risco de acabarem dentro de uma camisa de força.”&lt;br /&gt;Muitos dos que hoje vivem em manicômios não nasceram assim.&lt;br /&gt;Eles se tornaram!”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;E por último, e não menos aterrador, estava o cemitério. Sempre envolto em sua áurea soturna e delirante. Ele podia ver claramente o portão fechado, as flores, as fotos, as datas e também seu fiel cão de estimação. Ao contemplar aquele lugar por alguns segundos, sentiu o peito apertar e suas mãos congelarem como se já estivesse morto há muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Poderia sempre contar com seu cão de estimação, que adorava brincar naquele lugar sombrio. Ao qual ele havia dado um nome mais do que apropriado para o tipo de maldição que havia recebido: Sofrimento.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Aqui Sofrimento”... “Vem Sofrimento”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo não acreditando naquilo que seus olhos insistiam em lhe mostrar, estas lembranças começavam a fazer sentido. Sentia que tinha se tornado um escravo da razão. Que não sentia mais nada. Caminhava pelo deserto, porque ele próprio era o deserto. Que a água representava a vida e também as emoções. Sabia que para sobreviver, era preciso encontrá-las. E, por esta razão, estava sempre há procura de um oásis. Percebeu também, que tudo aquilo não era real, mas que representavam memórias fossilizadas em sua mente, as quais ele não cansava de reviver e relembrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela hora, uma coisa rara aconteceu. Uma chuva fina caía sobre as areias do deserto. Pensou: “Ainda resta alguma esperança”. Ele já se sentia muito melhor, e olhando diretamente nos olhos dela, lança sua última pergunta: “Será que um dia eu conseguirei encontrar um oásis nesta terra árida?”. Ela, que estava cansada de todos os seus lamentos, caminha lentamente em sua direção com os braços abertos e responde prontamente: &lt;em&gt;“No deserto da razão não existe oásis!”.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-7587925838871062765?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/7587925838871062765/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=7587925838871062765' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/7587925838871062765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/7587925838871062765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2009/01/osis.html' title='Oásis'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-978659586534702147</id><published>2009-01-13T05:05:00.000-08:00</published><updated>2009-01-13T05:31:42.702-08:00</updated><title type='text'>Corrente Sangüínea</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;Eram 5h da manhã. Mais uma noite fria se fazia presente. Pingos grossos como pregos martelavam constantemente a calha do prédio, e anunciavam a chegada de mais um dia miserável repleto de resfriados e meias encharcadas. Sua mão tateava com dificuldade a superfície do criado-mudo buscando o maldito despertador, o qual nunca descansava e podia ser ouvido do outro lado da cidade. Já estava atrasado para o trabalho. Havia muito tempo que suas obrigações tinham perdido o sentido. A melancolia causada pela rotina o esmagava. Não importava se fosse a prateleira cheia de livros, a comida espalhada pelo chão, o cheiro fétido vindo do banheiro, os antidepressivos depositados em cima da mesa ou o guarda-chuva encostado na parede da sala, tudo lhe causava náuseas e o levavam constantemente a se esconder no terraço de seu prédio em busca de respostas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele lugar, o espetáculo proporcionado pela natureza era indescritível. O pára-raios postado à sua direita tinha o poder de invocar aqueles que iluminavam todo o horizonte com sua ferocidade. Passava horas ali perdido em pensamentos. Pensava se tudo não seria mesmo uma grande mentira. Se por trás de toda aquela certeza e conformismo, não existiria alguma coisa podre. Quem sabe, talvez, uma ilusão. Infelizmente, não era possível ter certeza de nada naquele lugar. Ele achava engraçado o vai-e-vem de pessoas e veículos, sempre se espremendo entre ruas e calçadas estreitas. Ou, ainda, as sacolas de compras que viviam se trombando. Acompanhado de seu inseparável binóculo, eles vigiavam a vida lá embaixo. Até que num certo dia, um estranho brilho surgiu em uma parte afastada da cidade e prendeu sua atenção. O que era aquela luz? Não fazia idéia. Levando consigo aquele brilho dourado para o mundo dos sonhos, ele adormeceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, ao despertar na calada da noite com o chamado do telefone - em meio a sonhos que não faziam o menor sentido-, ele conseguiu voltar a si e perceber que era seu irmão gêmeo do outro lado da linha. Conversaram por algum tempo a respeito destes sonhos que lhe tiravam o sono. Lembrava-se de pouca coisa. No máximo, de uma luz dourada que sempre machucava seus olhos, das folhas que caíam próximas a uma grande árvore, e de uma misteriosa figura que ficava sentado embaixo dela. Na maioria das vezes, seu irmão repetia que ele estava ficando maluco e que deveria procurar ajuda médica ou, que tomasse alguns remédios para se acalmar. Acreditou ser possível desviar seus pensamentos para distrações como a TV e a música, mas era impossível esquecer aquelas estranhas sombras que habitavam os seus sonhos. Ele necessitava saber a verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhou por incontáveis horas, em meio a ruas e vielas infestadas de lixo e animais peçonhentos, perguntando-se se as pessoas que por ali transitavam não saberiam alguma coisa sobre um lugar onde um homem passava seus dias sentado sobre a sombra de uma bela árvore. Ninguém soube responder. Mas, como se por um passe de mágica, as nuvens se afastaram e o sol ajudou a revelar o brilho que permanecia oculto entre a vegetação. Depois de sentir um terrível cansaço e pensar em desistir, decide perguntar a um senhor de cabelos grisalhos que brincava tranquilamente com seu neto, se ele sabia a origem daquela estranha luz. O ancião disse-lhe que naquela direção ficavam as antigas ruínas do que um dia foi um templo budista, e que lá existia a estatua de um Buda forjado em ouro maciço. Ele não podia acreditar. Era isso que tanto perturbava seu sono? Então, passado o susto inicial, acelerou os passos o máximo que pode e se dirigiu ao local indicado pelo velho senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando lá, qual não foi a sua surpresa ao encontrar um lugar muito diferente daquilo que imaginou. Um belo gramado se estendia por toda uma campina descampada e em seu centro erguia-se de forma imponente uma gigantesca árvore, cujas folhas esvoaçavam por todos os lados. E, sentado de pernas cruzadas, com os olhos fechados, as mãos indicando tanto o céu quanto a terra, e um sorriso desconcertante, estava a figura de um Buda dourado. Ficou surpreso ao perceber que não se tratava de uma pessoa em carne e osso, mas sim do trabalho de um artista. Passando o olhar atentamente por toda a base da estatua, pôde perceber algumas palavras que o deixaram intrigado. Eram elas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A sombra de uma árvore perdida no tempo&lt;br /&gt;Uma mão apontada para o céu&lt;br /&gt;Outra voltada para a terra&lt;br /&gt;Pálpebras que se fecham&lt;br /&gt;O nascer de um sorriso&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveitando o raro momento de tranqüilidade e silêncio, resolve também fechar os olhos. Nesta hora, teve a sensação de que todos os seus sentidos haviam desaparecido. Nenhuma dúvida. Nenhum medo. Nenhuma dor. De repente, surpreende-se ao visualizar a imagem do Buda abrindo os olhos e fixando o olhar em seu rosto. Delírio? Loucura? Com o soprar do vento e uma súbita dor na altura da nuca, ele perde os sentidos e cai aos pés da estatua. Mesmo desacordado, consegue vislumbrar por alguns instantes a figura de um homem vestindo um terno preto e óculos escuros, que sorria e estendia a mão em sua direção. Perdendo as últimas forças que lhe restavam, desmaia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despertando em meio ao lodo, recobra os sentidos e percebe estar preso a outra pessoa. Era seu irmão. Ambos estavam unidos pelos pulsos, através de uma corrente. Ele continuava inconsciente. Não saberiam dizer ao certo onde estavam. O lugar era cercado por seringas e tubos de ensaio, que vigiados por câmeras de vigilância, monitoravam inúmeros indivíduos exatamente iguais a eles, que passavam seus dias flutuando em uma substância amarelada. Após clamar por seu irmão, ambos conseguem se desvencilhar dos plugs conectados às suas cabeças e partem em uma fuga desesperada pelos corredores do laboratório. Com as balas de seus perseguidores zumbindo por sobre suas cabeças, conseguem chegar até a superfície.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, se aproximam do prédio onde moravam. Sabem que precisam continuar juntos. Não a escolha. Então, decidem chegar até o terraço do prédio usando a escada de incêndio. Centenas de homens vestidos com ternos negros e óculos escuros seguem em seus encalços. Na subida, por um mero descuido – um tentando regressar, enquanto o outro, luta para chegar ao alto do prédio-, um dos irmãos é atingido por um projétil, e termina seus dias afogado na poça do próprio sangue. Mesmo depois que o corpo para de respirar, a corrente sangüínea continua sendo um laço poderoso. Não vendo alternativa, e sem forças para carregá-lo, resolve arrastar o corpo do irmão até o final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabendo que o fim se aproxima, segue dando passos decididos rumo ao precipício. Os pulsos continuavam unidos. Ele tem certeza de que tudo não passa de um sonho. Que a morte não é o fim. Que eles é que estão errados. Mas, afinal, quem pode saber? Vira-se, e lá estão eles. Não há saída. Então, movido por uma certeza, salta em direção ao desconhecido acompanhado de seu irmão. O sol, que já dava sinais claros que estava pronto para se despedir, presencia a chegada de um par de asas angelicais, que ao agarrar a mão de um dos irmãos, os encobre por completo. E, ao voltar seu rosto para trás, ele pôde ver no alto do prédio – além dos vultos negros -, outros inimigos daqueles que acreditam na tragédia: políticos, empresários, soldados, policiais, padres, psicólogos, professores, tolos, cegos... Assim, levados pelo vento, suas pálpebras se fecharam e um sorriso nasceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-978659586534702147?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/978659586534702147/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=978659586534702147' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/978659586534702147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/978659586534702147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2009/01/corrente-sangnea.html' title='Corrente Sangüínea'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-6241507209991867777</id><published>2008-12-14T07:42:00.000-08:00</published><updated>2008-12-14T10:36:44.408-08:00</updated><title type='text'>Ralph Waldo Emerson</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_1m2oz2zJLgw/SUUrFsDPoCI/AAAAAAAAAJs/8HgOFeJNRzg/s1600-h/200368_4.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5279673514885881890" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 221px; CURSOR: hand; HEIGHT: 270px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_1m2oz2zJLgw/SUUrFsDPoCI/AAAAAAAAAJs/8HgOFeJNRzg/s320/200368_4.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;“Na educação de todo homem existe uma hora em que ele chega à convicção de que inveja é ignorância; de que imitação é suicídio; de que ele precisa considerar a si mesmo, tanto por bem como por mal, de acordo com seu destino; de que, apesar do universo infinito estar repleto de bem, nenhuma semente de trigo pode-lhe brotar senão por meio do suor derramado naquele pedaço de terra que lhe foi dado para cultivar. É de natureza inédita o poder que reside no homem, e ninguém senão ele mesmo sabe o que é capaz de fazer, e tampouco ele o sabe antes de o ter tentado.” *&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Um livro. Uma palavra. Um amigo. Um irmão por toda esta jornada terrestre. Todas estas palavras são apenas uma humilde tentativa de colocar no papel o que seu exemplo fez com minha mente e a forma como ela passou a enxergar a vida desde então. Encontrei em seus pensamentos e reflexões tudo aquilo que estavam mudos dentro de mim. Você me mostrou que é possível viver uma vida de honra e humanidade, mesmo vivendo em um mundo deformado e corrompido pela ignorância. Toda vez que eu pensava em desistir e me isolar, você estava lá em meio às páginas já amareladas, e me lembrava que a minha caminhada não havia terminado, mas que estava apenas começando. E tudo isso me fez voltar a falar de você, meu amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre estivemos sozinhos. Para mim sempre foi mais difícil de acreditar. Em nenhum lugar eu poderia conversar com alguém sobre as coisas que você pensava. Você me ouvia, mas nunca havia resposta. Cada capítulo era um aprendizado que escola nenhuma jamais poderia me ensinar. Era um tipo de sabedoria que nenhum ancião poderia me entregar. Foi uma experiência ao mesmo tempo destruidora e emocionante. Uma coisa que levarei comigo até o último dia. Foi como se meus olhos estivessem enxergando pela primeira vez. Era aquilo que aparece uma vez na vida do homem e depois vai embora sem deixar aviso. É aquilo que te faz respeitar a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você, meu amigo, teve a coragem de falar abertamente sobre coisas que eu sempre tive medo até de pensar. Fosse falando sobre temas que muitos já falaram como: Caráter, Autoconfiança, Amor e Amizade. Ainda, sobre assuntos que só um pensador profundo poderia refletir: Compensação, Leis espirituais, Heroísmo, A alma do mundo e Círculos. Todas elas questões deixadas de lado pela maioria, mas que para mim fizeram toda a diferença. Cada ensaio que você escreveu não falava apenas sobre a sua vida neste planeta, mas também de cada ser humano que ainda vai caminhar sobre esta terra. E, tenho a certeza que este livro ainda será de grande consolo para todos aqueles que como eu, se sentem como viajantes perdidos entre as miragens de um grande deserto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez, você resumiu toda sua conduta em um simples código de honra. Era ele: “Viva, deixe viver e Ajude a viver”. Um pensamento que carrego dentro de mim para onde quer que eu vá. E vou aproveitar este espaço para lhe fazer uma promessa: Trabalharei incessantemente para mudar este mundo ridículo, mesmo que todos zombem de mim ou me achem um tolo. Porque você me fez acreditar na força que existe dentro de cada um de nós, e que ninguém pode vencer sozinho. E isso me basta. Obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Entre a maioria das meninas ele se move de forma bastante agressiva, mas apenas uma o mantém a distância; e esses dois pequenos vizinhos, tão próximos nesse exato momento, aprenderam a respeitar a personalidade um do outro” *.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;* Estas são apenas duas entre tantas passagens que me marcaram além das palavras (e que ainda continuam), e fizeram com que eu ainda conseguisse acreditar em mim mesmo. Sem dúvida muito mais que um livro. Assim, desejo a todos um feliz natal e um ano novo cheio de alegrias. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-6241507209991867777?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/6241507209991867777/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=6241507209991867777' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/6241507209991867777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/6241507209991867777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2008/12/ralph-waldo-emerson.html' title='Ralph Waldo Emerson'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_1m2oz2zJLgw/SUUrFsDPoCI/AAAAAAAAAJs/8HgOFeJNRzg/s72-c/200368_4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-368638209789364615</id><published>2008-12-07T03:41:00.000-08:00</published><updated>2008-12-07T17:40:41.916-08:00</updated><title type='text'>Vida Subterrânea</title><content type='html'>Nã&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5277012662673354802" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 294px; CURSOR: hand; HEIGHT: 224px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_1m2oz2zJLgw/STu3DtHiMDI/AAAAAAAAAJc/KBSSdGn02Xc/s320/sem+t%C3%ADtulo.bmp" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;“Abençoados os que têm sono, pois não tardarão em dormir.” (Friedrich Nietzsche).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus olhos não podiam suportá-la. Ele adormecia para poder esquecê-la. Ela que despontava no horizonte e inundava todo o ambiente com seu calor acolhedor, teve sua visão escurecida pelas inúmeras nuvens que insistiam em habitar os pensamentos dele. Ele que conhecia apenas o frio incrustado no mármore gelado e a certeza contida nos buracos cavados na terra, pode ver com clareza todas as sombras sendo expulsas como hóspedes indesejados, e acreditou por alguns instantes que nunca mais precisaria chamar aquele lugar de lar. Ao cair da noite, que era sua única necessidade e companhia, toda sua loucura e desespero de uma vida vazia se faziam presentes, e não lhe restava mais nada a fazer do que se entregar ao sono. A única forma que conhecia para se esquecer de tudo que existia a sua volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os portões viviam fechados. Um lugar cercado por cruzes e anjos. Onde o farfalhar das árvores se misturavam aos lamentos ouvidos com a constante passagem das areias do tempo. As únicas cores que se podiam distinguir naquele lugar eram aquelas que adornavam as frontes daqueles que não desejam mais se levantar. Mas como poderiam? Com o fim da dor, da fome, do medo, da escravidão, suas faces adquiriram um semblante de serenidade e paz que ficariam gravadas em sua memória e coração por um longo período. Mas ele não se sentia assim tão sozinho. Poderia sempre contar com seu cão de estimação, que adorava brincar naquele lugar sombrio. Ao qual ele havia dado um nome mais do que apropriado para o tipo de maldição que havia recebido: Sofrimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele e seu cão observavam com curiosidade o desenrolar da vida através das grades dos bueiros e galerias. Ambos fugiam quando ela insistia em visitá-los nas primeiras horas da manhã. Nesta hora, latidos eram rosnados em sua direção. “Aqui Sofrimento”... “Vem Sofrimento”, eram as palavras que ele chamava quando se sentia mortalmente sozinho. E lá vinha ele correndo e pulando em sua direção lambendo-lhe a face e olhando diretamente em seus olhos, de uma forma que nenhum ser que caminha por duas pernas teria a coragem de fazer. Não dizem por aí que o cão é o melhor amigo do homem? Eu não duvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em certos momentos os raios dela se esgueiravam pelo chão e machucavam o seu rosto, fazendo com que sua sombra voltasse a ser refletida ao seu lado. Fazia muito tempo que ele não conversava com ela. Tinham conversado sobre vários assuntos no passado. Mas ele não precisava mais dela. Ela era coisa do passado. Agora ele tinha descoberto uma nova forma de esquecer tanto sua amiga sombra quanto aquela que adorava iluminar o seu mundo gélido e árido. Bastava apenas fechar os olhos e esperar para que fosse transportado para um mundo novo, onde todas as suas fantasias e delírios faziam a sua alegria. Um lugar que para ele era mais que real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A vida mais doce é não pensar em nada” (Friedrich Nietzsche)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-368638209789364615?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/368638209789364615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=368638209789364615' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/368638209789364615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/368638209789364615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2008/12/vida-subterrnea.html' title='Vida Subterrânea'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_1m2oz2zJLgw/STu3DtHiMDI/AAAAAAAAAJc/KBSSdGn02Xc/s72-c/sem+t%C3%ADtulo.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-8006117482113668489</id><published>2008-11-30T14:47:00.000-08:00</published><updated>2008-11-30T15:39:27.843-08:00</updated><title type='text'>For the love of God*</title><content type='html'>&lt;p&gt;A música exprime a mais alta filosofia numa linguagem que a razão não compreende &lt;em&gt;(Schopenhauer)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/STYNMcfSx3o&amp;amp;hl=" width="425" height="344" type="application/x-shockwave-flash" fs="1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Sem a música, a vida seria um erro (Nietzsche)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;*Música de autoria do guitarrista Steve Vai&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-8006117482113668489?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/8006117482113668489/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=8006117482113668489' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/8006117482113668489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/8006117482113668489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2008/11/for-love-of-god.html' title='For the love of God*'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-1754434034991775861</id><published>2008-11-17T10:14:00.000-08:00</published><updated>2008-11-17T10:30:38.475-08:00</updated><title type='text'>Amores Possíveis</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;Capítulo I - O Fórum*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Como uma gema estava eu oculto;&lt;br /&gt;Revelou-me o meu raio incandescente”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                          Alcorão&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ônibus se aproxima. Os dias e as horas teimam em se arrastar. Após uma longa espera, Rudi e seu amigo Romão finalmente dariam início a tão esperada viagem. Com apenas 40 reais. Isso é tudo o que levam consigo. Neste momento as portas se abrem. Em meio a muitos rostos e conversas, ambos entram e buscam se acomodar da melhor maneira possível. O cobrador dá o sinal de que todos os passageiros já se encontram no interior do veículo, e o motorista com seus muitos anos de experiência dá a partida rumo ao Fórum Mundial da Educação, na capital do Rio Grande do Sul. Ao passar os olhos pela janela e perceber que a paisagem vai ficando para trás, Rudi teve também a certeza de que todas as suas tristezas e incertezas se esvaiam, e que um novo começo se levantava no horizonte.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Chegam por volta do meio-dia. O dia ensolarado e o forte calor fazem com que cada peça de roupa se transforme num verdadeiro tormento. Mais à frente, se levantava um grande ginásio em meio a inúmeras barracas espalhadas ao redor de toda a área verde que delimitava a campina. Muitos estudantes e professores de várias partes do país se prepararam para discutir novas formas de enxergar a educação brasileira e planejar o futuro. No interior do ginásio existiam muitas barracas e colchões espalhados por todos os lados. As rodas de violão e poesia tornam-se freqüentes em todo o encontro. Em meio a muito Legião Urbana e Raul Seixas, os dois amigos sentam-se e aproveitam o momento. Então, um jovem chamado Ramiro, o porta voz de um grupo de estudantes do Rio de Janeiro, aproxima-se de ambos e pergunta:&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;— E aí galera, a gente pode fazer um som maneiro com vocês?&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;— Podem ficar a vontade. Foi o que Rudi respondeu prontamente. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Nesse instante o tempo deixou de existir. Os acordes dos violões haviam se silenciado. As vozes se calaram para sempre. Tudo ao redor parecia não ter mais importância. “Quem é ela?”, pergunta-se Rudi, de forma quase inconsciente. Ela tinha algo de diferente. Ele não saberia dizer ao certo o que prendeu sua atenção. Foram-se os modos elegantes e delicados ou seus longos cabelos negros ou, ainda, seu olhar cativante. Sabia apenas que havia encontrado aquilo que sempre procurou. Passados alguns instantes, perdido em pensamentos, toma a iniciativa de se aproximar e convida Lívia para se aproximar dele. Ela responde apenas com o olhar. Então, ambos começam a conversar por longas horas a fio. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;No segundo dia do Fórum, a chuva se fazia presente de forma torrencial. O forte frio fazia com que mesmo os grossos cobertores mais parecessem feitos de gelo. O clima hostil do lado de fora tornou as conversas ainda mais aconchegantes. Eles transitavam em assuntos desde as carreiras acadêmicas de cada um, passando pelas famílias, literatura, música, até chegar aos planos e sonhos futuros. Como a música era o ar que ambos respiravam, ele não pode mais esperar.&lt;br /&gt;— Só por curiosidade, qual o estilo de música que você curte? Perguntou.&lt;br /&gt;— Gosto de todos os tipos de música, talvez um pouco menos de rock pesado. Lívia responde prontamente e emenda uma inquietação.&lt;br /&gt;— Posso dizer uma coisa?&lt;br /&gt;— Claro, manda ver.&lt;br /&gt;— No primeiro momento que te vi, com esse cabelo de roqueiro, fiquei um pouco assustada. Cheguei a acreditar que você fosse apenas mais um destes malucos que andam de preto por aí.&lt;br /&gt;— E continua acreditando?&lt;br /&gt;—Ainda bem que não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O terceiro dia do Fórum teve início. O sol finalmente raiou entre as montanhas e a imensidão do céu azul fez com que caminhadas pela capital porto-alegrense se tornassem mais do que convidativas. Depois de almoçarem, os quatro resolvem fazer um passeio pelas ruas da cidade. Rudi foi acompanhado por Lívia e sua amiga Ingrid, e também por seu amigo Romão. Depois de horas cruzando por ruas e avenidas movimentadas, fazem uma parada na usina do Gasômetro. Em uma barraca próxima ao local, um hippie de cabelos compridos e roupas coloridas, aparentando mais ou menos 40 anos, apresentava aos turistas várias peças de artesanato e pequenas jóias confeccionadas na região. Passando os olhos ao redor, Rudi escolhe um par de brincos com os quais presenteia Lívia.&lt;br /&gt;Depois de conhecerem os mais diversos pontos turísticos da região, o grupo se dirige de volta ao acampamento.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Enfim, o último dia havia chegado. Rudi e Romão começavam a arrumar suas coisas para a viagem de volta a Blumenau e também aos problemas do cotidiano. Lívia e sua amiga, Ingrid, também começam a pensar no trabalho e suas obrigações na Capital Carioca. A despedida ocorreu de maneira tranqüila e sem grandes dramas. E a certeza de que não era o fim predominava. Antes de embarcarem no ônibus, ambos trocaram pedaços de papéis que vinham escritos com palavras que reforçavam a idéia de uma ligação muito maior do que as palavras podem descrever. Era coisa do Destino. Voltando-se vez ou outra para a janela do ônibus, Rudi pode ter a certeza de que aquilo não era um adeus, mas sim apenas um até logo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capítulo II – A Distância&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“A paixão ao presentear uma pessoa a outra, mais ainda presenteia a si mesma. Ele torna-se um novo homem, com novas percepções, novos e mais ardentes propósitos, e uma solenidade religiosa no caráter e nos objetivos. Ele não mais pertence à sua família e sociedade; ele de algum modo é; ele é uma pessoa; ele, uma alma”. (Ralph Waldo Emerson)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Havia se passado cinco anos desde que Rudi se despediu de Lívia no Fórum de Educação do Rio Grande do Sul. Trancara a faculdade de História que cursava na Universidade Regional de Blumenau e dividia seu tempo entre a família e o trabalho de oito horas numa fábrica de camisas, onde permaneceu por quatro meses. Entre as constantes trocas de emprego e relacionamentos, a vida foi seguindo seu rumo. Então surgem propostas para voltar a tocar guitarra na banda de pop rock de amigos de adolescência. Aceito o convite, por ser uma de suas paixões, permanece alguns meses solando músicas como o clássico de Neil Young, Rocking in the Free World, Paranoid e Neon Nights, ambas da banda Britânica Black Sabbath, pelos bares e pubs da cidade. Após alguns desentendimentos quanto ao direcionamento musical que a banda deveria seguir, separa-se do grupo e começa a trabalhar num café bar próximo ao hospital Santa Isabel. Nessa mesma época, Lívia lhe remete a primeira carta do Rio de Janeiro, que acabara se estragando durante uma forte chuva verão. Na mesma semana ele resolve enviar uma carta a ela, mas que nunca teve resposta.&lt;br /&gt;Passados mais alguns meses, Lívia encontra Rudi no Orkut. Suas palavras foram de total espanto: “Rudi... é você mesmo?”, escreveu na mensagem. E conversam por mais algum tempo. Infelizmente, problemas financeiros o levam a desligar sua conexão de internet, o único canal de comunicação capaz de encurtar a distância entre eles. Acabam novamente perdendo o contato.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Tem início o período mais negro e duro de sua vida. Em maio de 2007, seu pai falece, sofre um enfarte fulminante enquanto voltava do trabalho. Tem então a responsabilidade de cuidar de sua mãe e de duas irmãs. Após uma curta passagem pelo café bar, começa a trabalhar numa farmácia de manipulação. O ano de 2007 registra um momento de transição em sua vida, marcado principalmente pela rotina e a constante preocupação com sua família.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Enfim, ventos de mudança sopram o despertar de um novo ano. Com a estabilidade financeira e emocional, retornando aos poucos, volta a fazer parte das comunidades on-line. Mais precisamente as do Orkut. Quando estava olhando os recados deixados, percebe que um, em especial, chama-lhe a atenção. Era Ingrid, amiga de Lívia. A mesma que conhecera no Fórum, em 2003. Conversam durante certo tempo. Foi o gancho e a oportunidade de voltar a se comunicar com Lívia, pensou ele. Na semana seguinte, começa a ter contato com ela via MSN. Começa a sentir as mesmas sensações que lhe invadiram a mente durante sua viagem ao Rio Grande do Sul. Sabia que precisava fazer alguma coisa para reencontrar essa mulher. Mas, essa hora ainda não chegara. Dias depois, mais uma perda. Agora quem lhe deixara era sua madrinha Cleusa, por quem Rudi nutria um forte sentimento e do qual a morte lhe abalou profundamente. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Entre muitas conversas via MSN e recados no Orkut, surge a idéia de lhe propor que um encontro. Falta de dinheiro, compromissos no trabalho, problemas familiares, sempre impediram Rudi de ir até o Rio de Janeiro. Num desses comentários sem grandes esperanças de se concretizarem, aqueles jogados ao vento, Lívia diz que aceita ir para Blumenau para se encontrar com ele. Ela não sabia o que a esperava. Fazia cinco anos que não tiveram nenhum outro contato que não fosse o virtual. Mas, mesmo assim, embarcou no desconhecido e, um mês após esse contato, estava se preparando para enfrentar mais de dezessete horas de viagem até Santa Catarina. Antes de sua chegada, Rudi teve um sonho, no qual ambos conversavam na cozinha de sua casa por longas horas, varrendo a madrugada. Era um prenúncio daquilo que viria a se tornar realidade. Para ele “tudo aquilo pareceu mais que real”.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Julho bate à porta. Mas o frio tão aguardado acabou não acontecendo. Lívia sempre dizia, em suas conversas, que se sentia como uma flor amarela do Cairo. E no dia em que ele foi buscá-la na Rodoviária, levou consigo uma flor amarela para presenteá-la. O combinado era que ela ficasse uma semana e depois voltasse para casa e trabalho de professora de português em uma escola do Rio de Janeiro. Acabou permanecendo dez dias. Neste momento Rudi voltara a trabalhar na mesma fábrica de camisas pelo qual passou há alguns anos atrás, porém, agora estava no terceiro turno, que começava às dez da noite e ia até as cinco da manhã. Uma paz e felicidades poucas vezes antes sentidas começavam a tomar conta da vida de todos. As conversas começavam quando dia estava nascendo e duravam até a hora do almoço. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Não havia tempo para cansaço. O tempo voava. Um dia depois de sua chegada, ambos vão brincar e comemorar sua tão aguardada chegada em uma festa junina organizada pelos amigos do trabalho. Ao anoitecer, preparam um churrasco com alguns amigos. Domingo, no terceiro dia de sua chegada, em meio a muitas conversas, Rudi se prepara para se declarar e expor tudo aquilo que trazia dentro do peito. Em suas próprias palavras: “Deixar a armadura de lado e expor o peito aberto”. Assim, estava selado o compromisso de ela vir viver com ele em Blumenau.&lt;br /&gt;     Os outros dias de sua estada não foram diferentes. Alegria, cervejas, amigos, livros, felicidade, que fizeram que todas as feridas que tanto custavam para se fechar fossem esquecidas, em algum canto da mente. Mas ela ainda precisava voltar para sua cidade e seus alunos. &lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capítulo Final – O Destino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Oh, Pedaço de mim&lt;br /&gt;Oh, metade amputada de mim&lt;br /&gt;Levo o que há de ti&lt;br /&gt;Que a saudade dói latejada.&lt;br /&gt;É assim como uma fisgada&lt;br /&gt;No membro que já perdi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh, pedaço de mim&lt;br /&gt;Oh, metade adorada de mim&lt;br /&gt;Lava os olhos meus&lt;br /&gt;Que a saudade é o pior castigo&lt;br /&gt;E eu quero levar comigo&lt;br /&gt;A mortalha do amor&lt;br /&gt;Adeus.”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Lembranças. Muitas vezes é tudo o que resta. À distância, com todo o seu poder de destruir imagens, e de desviar o pensamento daquilo que realmente tem valor, nunca poderá balançar uma estrutura baseada em algo que vai além da carne. Algo que vai além das palavras. Algo que tem um pacto com o destino.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;O relógio e o calendário são os inimigos a serem derrotados neste momento. Uma promessa foi feita. Circunstâncias das mais variadas formas sempre estarão conspirando para dificultar o cumprimento da mesma. Rudi sempre soube disso. Ele sempre soube também que a vontade pode muitas vezes fraquejar, e que sombras vindas do passado continuarão sendo sempre um poderoso teste. Antes da calmaria, a tormenta sempre se fez necessária. Felizmente, a vontade de se criar algo verdadeiro e duradouro sempre há de perdurar.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Corpo e mente caminham juntos. Frequentemente, os sintomas de um se apresentam no outro e vice versa. Intuições são capazes de atravessar até mesmo nuvens. Lívia sabe disso. Nestes meses que antecedem a viagem que deve ser realizada para que seja cumprida a promessa, visitas ocasionais aos hospitais da cidade formam uma constante. Convivendo em meio a guarda-pós brancos, macas, eletrocardiogramas, inesperadas elevações da pressão arterial e sangramentos nasais, ambos tiveram a oportunidade de constatar um fato importante: muitas vezes a saudade é capaz de criar ilusões que somente aqueles que vivenciam esta experiência podem enxergar.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Neste instante, marteladas ecoam por toda a região. É a confiança naquilo que a lógica não pode explicar. Os materiais de construção acabam de chegar. Muitos transtornos os acompanham. Tijolos, pregos, cimento, madeira e pedreiros transformam a paisagem ao redor. É uma coisa que foi feita para durar. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;     &lt;br /&gt;Dezembro. A chegada de um novo ano e também de um novo começo. Rudi se prepara para embarcar para o Rio de Janeiro, com o intuito de selar o compromisso assumido meses atrás. Ambos escolheram seus próprios caminhos. Abriram mão de muitas coisas para viver uma história que tinha tudo para não se realizar. E, como maior virtude conseguiram interpretar os constantes sinais que flutuam a nossa volta o tempo todo. Assim, tiveram a certeza que aquele encontro no Fórum não havia sido mero acaso, e isso acabou fazendo toda a diferença.   &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;* Digo apenas que me sinto muito honrado por fazer parte desta bela história!&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;   w3 &lt;br /&gt;     &lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-1754434034991775861?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/1754434034991775861/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=1754434034991775861' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/1754434034991775861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/1754434034991775861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2008/11/amores-possveis.html' title='Amores Possíveis'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-1167036217232273558</id><published>2008-11-15T05:41:00.000-08:00</published><updated>2008-11-15T05:45:50.768-08:00</updated><title type='text'>A Doença e a Cura</title><content type='html'>&lt;em&gt;“O homem está em seu pior momento quando não compreende a si mesmo”. (Bruce Lee)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Sempre existirão lugares especiais. Lugares onde se pode ter paz, mesmo que seja apenas por alguns instantes. A rua do coronel é assim, um lugar onde toda a minha ignorância e loucura dão espaço para aquilo que busco a todo o momento: a paz. Muitos podem dizer que buscamos estes espaços para fugirmos de nossos próprios pensamentos - o que não deixa de ser uma grande verdade, mas se não for assim, as conseqüências futuras podem ser ainda piores. É apenas no silêncio que encontro à cura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez, um grande pensador disse que a nossa maior doença era o desespero inconsciente de tentar ser o outro. Hoje, acredito nisso. Buscamos nos expressar de uma forma mais verdadeira com aquilo que trazemos dentro de nós, porém, neste instante percebemos que independente do que se façamos não haverá nenhuma mudança. Dizem que a maior ilusão é achar que se pode viver fora da loucura. Viver deslocado. Não fazer parte. O único lugar em que se pode ser livre é dentro dos poucos centímetros disponíveis no interior de nossa mente. É apenas lá que posso ser livre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu preciso ficar sozinho. Mas o mundo parece não permitir. Eu sou doente. Vocês não conseguem entender? Não agüento mais andar pelas ruas e me pegar duvidando das coisas ao meu redor. Será possível? Deve ser coisa da minha mente perturbada. Mas devo me acalmar. Como seria isso possível também? Quando percebo que minhas mãos não param mais de tremer, é chegada a hora de voltar para perto daquilo que guarda a minha cura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não existe liberdade ou felicidade. Isso é papo de gente que vive na mais pura ilusão. Se enxergassem a própria tragédia das coisas, cairiam de joelhos nesse mesmo momento. Ou aproveitariam todo este belo trânsito e não aguardariam o sinal fechar. Só posso sentir pena de mim e de vocês. Na loteria da vida, uns tiveram a sorte de não enxergar nada enquanto outros tiveram o azar de ver demais, e na maioria dos casos àquilo que não queriam. Muitas vezes tenho inveja do Sr. Édipo, ele sim tem muita sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha falta de criatividade e vontade me fazem sentir nojo de mim mesmo. Este texto mostra que eu não consigo achar a cura das minhas doenças, mesmo buscando a ajuda daqueles que já se foram. O melhor teria sido se eu não escrevesse nada, mas eu precisava me livrar de certos pensamentos que me atormentam e que não fazem o menor sentido. Estou cansado de viver dividido. De viver entre a realidade e a ficção. Entre acreditar e duvidar. Em lutar e se conformar. Se a cura está dentro de mim, é bom eu encontrá-la logo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, devo voltar a visitar a rua do coronel. Sua paz e tranqüilidade me fazem um bem que não consigo exprimir através de palavras. O verde, o suor e o barulho do rio são as únicas coisas capazes de me trazerem a felicidade. Ali não existe personagem ou ilusão. E, é apenas nesse momento que deixo de falar sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“O remédio para o sofrimento está dentro de nós – O remédio para o meu sofrimento estava dentro de mim desde o começo, mas eu não o tomava. Minha doença vinha de dentro de mim, mas eu não a percebia – até esse momento. Agora vejo que jamais encontrarei a luz a menos que, como a vela, eu seja o meu próprio combustível, consumindo a mim mesmo”. (Bruce Lee)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-1167036217232273558?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/1167036217232273558/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=1167036217232273558' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/1167036217232273558'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/1167036217232273558'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2008/11/doena-e-cura.html' title='A Doença e a Cura'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-1197356431135459227</id><published>2008-11-13T04:18:00.000-08:00</published><updated>2008-11-14T05:31:57.099-08:00</updated><title type='text'>Estranha Coincidência</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;"Há uma história em seus olhos&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Posso ver a dor por trás do seu sorriso&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A cada sinal que reconheço&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Um outro me escapa&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Me deixe conhecer o que atormenta sua mente&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Me deixe ser o único a conhecer o seu melhor&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ser o unico a te por pra cima&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Quando você sentir que está afundando&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Me diga mais uma vez&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O que há por trás da dor que está sentindo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Não me abandone&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ou pense que não pode ser salvo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Eu estarei ao seu lado&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Onde quer que você esteja&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O que quer que aconteça&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Não importa quão longe&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Por tudo que pode vir&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E tudo que pode ir&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Eu estarei ao seu lado&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Eu estarei ao seu lado&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Desperte seu espirito por mim&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Descanse seus pensamentos cansados em minhas mãos&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Entre nesse local sagrado&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Onde todos seus sonhos parecem partidos&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Vamos ficar dentro deste templo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Me deixe ser o único que te entende&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ser o único a te carregar&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Quando você achar que não consegue mais andar&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Me diga mais uma vez&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O que está por baixo dessa superfície sangrando&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Se você perdeu seu caminho&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Eu colocarei você nele&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Oh, quando tudo está errado&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Oh, quando a desilusão rodear voce&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Oh, o sol irá nascer novamente&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O tempo que você perdeu te levará de volta para casa&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Então não se renda&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Não se entregue&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Eu estarei ao seu lado&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Onde quer que você esteja&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O que quer que aconteça&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Não importa quão longe&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Por tudo que pode vir&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E tudo que pode ir&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Eu estarei ao seu lado&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Eu estarei ao seu lado"&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; *&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;Posso apenas dizer que esta estranha coincidência me deixou profundamente assustado!&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;* A letra é de autoria da banda Dream Theater, e está contida na música &lt;em&gt;I Walk beside You.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-1197356431135459227?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/1197356431135459227/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=1197356431135459227' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/1197356431135459227'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/1197356431135459227'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2008/11/estranha-coincidncia.html' title='Estranha Coincidência'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-1960955841581666047</id><published>2008-11-02T06:32:00.000-08:00</published><updated>2008-11-02T16:11:03.811-08:00</updated><title type='text'>A Dama do Lago</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_1m2oz2zJLgw/SQ26nNL6rmI/AAAAAAAAAHw/Bjxg6dINqsg/s1600-h/vb25_excalibur_final_sword.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5264068722183286370" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 212px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_1m2oz2zJLgw/SQ26nNL6rmI/AAAAAAAAAHw/Bjxg6dINqsg/s320/vb25_excalibur_final_sword.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; “A principal necessidade de nossas vidas é alguém que nos obrigue a fazer o que podemos fazer”. (Ralph Waldo Emerson)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não precisava dele. Ele sabia que precisava dela. Ela poderia viver por si mesma. Ela detinha o poder em suas mãos. Um dia, a lembrança deste sonho se fez presente. Coisas que surgem sem aviso prévio. Todo o meu fascínio pelas lendas Arthurianas se juntaram à necessidade de se encontrar respostas para tudo aquilo que se escondia no fundo da minha alma. Não sei explicar ao certo como esta idéia veio até à superfície, mas acredito que era preciso dar vida a este pensamento. Realmente, tenho muita sorte por ter tido a oportunidade de encontrar a dama do lago, mesmo que isso quase tenha me destruído por completo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arthur já havia ouvido muitas histórias a seu respeito. Sobre o fascínio que ela exercia sobre todos aqueles que imprudentemente tentavam se aproximar de seus domínios. Ele sabia que ali existia um grande mistério, e que toda a sua vontade era dissolvida no mesmo instante que chegava aos seus olhos o brilho daquela lagoa espelhada. Merlin em toda a sua sabedoria havia-lhe aconselhado que esquecesse toda aquela loucura e voltasse sua atenção para os problemas de Camelot. Infelizmente, nenhuma daquelas pessoas conseguia prender sua atenção tanto quanto aquela que se escondia nas profundezas daquele lago encantado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No começo, seus passos eram vacilantes e o medo o dominava por inteiro. Mais aos poucos, o medo foi dando lugar a uma crescente curiosidade que o arrastava cada vez mais para perto de sua margem. Era um caminho sem volta. Ao se aproximar, Arthur pensou em sua espada excalibur e em todo o poder que ela representava. Sua cota de malha nunca reluziu antes de forma tão esplendorosa. Após retirar seu poderoso elmo, ele estendeu sua mão para o alto e esperou que ela lhe entregasse aquilo que tanto ansiava. Infelizmente, naquele momento um silêncio mortal se fez presente e nada aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arthur estava perdido em meio a inúmeros pensamentos. Coisas de seu conturbado passado. Coisas que ele sempre fez questão de esquecer. Mas que agora começavam a bater em sua porta. Então, de repente, sua visão se voltou para o estranho reflexo que era refletido na superfície do lago encantado. Ele viu sua própria imagem. Sua armadura não podia mais esconder aquilo que trazia dentro do peito. Seu flanco estava totalmente exposto. Como se toda a sua vontade de viver e vencer tivessem sido tomadas de assalto, cai de joelhos e leva suas mãos ao rosto. Assim, lágrimas começam a encharcar toda a terra ao seu redor. Enfim, não existia mais poder e o rei havia sido totalmente derrotado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele passou a amaldiçoa-lá com todas as suas forças. Pedras foram arremessadas em sua direção, e visavam desfigurar aquele maldito reflexo. Ela o forçou a se conhecer como nunca antes. Foi forçado a se superar. Provavelmente, tenha sido a maior batalha que já enfrentou em sua vida. Teve de conhecer mais de perto todo o terror de sua própria miséria e solidão. Foi marcado a ferro e fogo. Depois deste encontro Arthur não foi mais o mesmo. Ele teve a certeza de que a lembrança daquela lagoa espelhada o perseguirá aonde quer que vá. Hoje, ele possui sua poderosa espada excalibur e todo um reino aos seus serviços, mas o vazio deixado por aquele episódio talvez nunca mais possa ser preenchido completamente. Ele sabe que sozinho jamais poderá vencer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A glória da amizade não é a mão estendida, nem o sorriso carinhoso, nem mesmo a delícia da companhia. É a inspiração espiritual que vem quando você descobre que alguém acredita e confia em você."(Ralph Waldo Emerson) &lt;div&gt;&lt;br /&gt;Ps: Este texto é uma homenagem A Dama do Lago, que me conhece melhor do que eu mesmo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-1960955841581666047?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/1960955841581666047/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=1960955841581666047' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/1960955841581666047'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/1960955841581666047'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2008/11/dama-do-lago.html' title='A Dama do Lago'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_1m2oz2zJLgw/SQ26nNL6rmI/AAAAAAAAAHw/Bjxg6dINqsg/s72-c/vb25_excalibur_final_sword.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-3107735949446046941</id><published>2008-10-04T10:18:00.000-07:00</published><updated>2008-10-04T11:26:19.884-07:00</updated><title type='text'>Pensamento Vivo</title><content type='html'>&lt;em&gt;“Crescer, descobrir... é algo que experimento cada dia, às vezes bom, às vezes frustrador... não importa! Deixe sua luz interior guiá-lo, para fora da escuridão.”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://br.youtube.com/watch?v=e2ZmzqP-6NQ"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5253354323873516770" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 173px; CURSOR: hand; HEIGHT: 269px" height="278" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_1m2oz2zJLgw/SOep7JG-TOI/AAAAAAAAAHQ/H1kJznhPEF0/s320/sem+t%C3%ADtulo.bmp" width="240" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Bruce Lee sempre será uma grande inspiração. Desde o momento que seus pensamentos chegaram as minhas mãos, pude dizer que não fui mais o mesmo. Eu havia mudado. Apartir daquele momento, suas palavras tiveram o poder de fazer renascer algo que estava morto há muito tempo: a confiança em mim mesmo. Uma coisa aparentemente simples, mas que a sociedade atual adora ver se deteriorando dentro de nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imitação, desânimo, apego, ignorância e maldade, eram coisas que ele fez questão de abandonar de sua vida diária. Ele sabia que todas estas palavras eram sinônimos de frustração e infelicidade, e que somente uma atitude positiva e uma mente livre de idéias pré-concebidas poderiam nos ajudar a enfrentar os inúmeros desafios que inevitavelmente surgem no decorrer do caminho. E entre eles estavam: a velhice, a doença e a morte. Todos fatos irremediáveis! Quer gostemos da idéia ou não. E foi esta constatação que estreitou seu relacionamento com o pensamento budista e taoista, que mais tarde se tornariam a base de sua filosofia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele sempre foi um leitor assíduo. Tinha em sua biblioteca mais de 2000 livros que abordavam os mais diversos assuntos, entre eles: medicina, física, química, nutrição, sociologia entre outros. Tanto de autores do Oriente quanto do Ocidente. E nós? O que andamos lendo ultimamente? Acreditamos que o nosso velho hábito de ler jornais e revistas diariamente (do qual tanto nos orgulhamos) possa nos ajudar a desenvolver uma visão mais crítica sobre os fatos que nos cercam. Na verdade, só pioram. Antes de saber o que acontece no mundo lá fora, deveríamos entender primeiro o que se passa dentro de nós. Acredite: num simples ato como o de folhear algumas páginas de um livro, já é possível balançar todos os alicerces que sustentam uma sociedade feita a partir da mais tola tradição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre me indaguei sobre o que Bruce Lee queria dizer quando falava que deveríamos nos tornar parecidos com a água corrente. Com aquela que se adapta a qualquer situação. Aquela que não possui forma certa. Aquela que é capaz de absorver toda a sujeira a sua volta, e mesmo assim continuar seu curso de forma inabalável. Talvez seja isso que sempre me faltou. Buscar me moldar a cada situação que apareça. Pensar em cada situação com antecedência, para que quando elas chegarem (tanto porque cedo ou tarde elas vão chegar) eu já terei na experiência um poderoso suporte. Realmente, num tempo onde a insegurança impera, estas idéias fazem toda a diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pensamento de Bruce Lee sempre vai continuar vivo na mente e nos corações daqueles que como ele acreditavam na construção de um mundo mais justo e fraternal. Um lugar onde não existissem bandeiras nem hinos, crenças ou cruzes, onde a busca pelo poder não fizesse com que armas fossem apontadas na direção de inocentes. Um lugar onde as pessoas não desistissem tão facilmente de seus sonhos. Mesmo aqueles ditos impossíveis. Resumindo, um lugar onde nossos golpes só visassem nos defender de nossa própria ignorância. E, para finalizar, faço uso das belas palavras que sua esposa Linda Emery sempre usava para se referir a sua lembrança: “Não importa como Bruce Lee morreu, mas sim como ele viveu”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"O futuro parece ser extremamente brilhante, com muitas possibilidades pela frente - grandes possibilidades. Como a canção diz: 'Nós precisamos apenas começar'." &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-3107735949446046941?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/3107735949446046941/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=3107735949446046941' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/3107735949446046941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/3107735949446046941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2008/10/pensamento-vivo.html' title='Pensamento Vivo'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_1m2oz2zJLgw/SOep7JG-TOI/AAAAAAAAAHQ/H1kJznhPEF0/s72-c/sem+t%C3%ADtulo.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-3382589489765530416</id><published>2008-09-27T14:16:00.000-07:00</published><updated>2008-09-27T20:29:11.841-07:00</updated><title type='text'>Pensamento Nômade</title><content type='html'>“Os bens da fortuna podem ir e vir como folhas de verão; que ele os espalhe aos quatro ventos como signos momentâneos de sua infinita produtividade”. (Ralph Waldo Emerson)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez desempregado. Mais uma vez sentindo todo o desespero da insegurança. Mais uma vez deixando risadas pelo caminho. Eu sei que é difícil entender os motivos que me levaram a deixar meu último trabalho para trás. Nem mesmo eu sei ao certo. Posso apenas dizer que toda vez que isso ocorre, consigo sentir uma tranqüilidade e felicidade que são difíceis até de explicar. Não se trata de estar contente ou não com a atividade, mas sim de poder se livrar ao menos por alguns instantes de todo o medo acumulado com o passar do tempo. Para um nômade como eu, levantar acampamento é a única forma de se manter vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez, ouvi que a maior responsável pela nossa claustrofobia social era a própria arquitetura de nossas cidades. É bem provável que seja verdade. Cada planta projetada, parede erguida, porta ou janela colocada, possui um pouco de nossa personalidade contida em seu interior. Cada construção erguida representa o nosso medo em relação aos outros. Não passa de uma natureza morta. Tenho a certeza absoluta de que não nasci para ficar o dia todo em frente a um computador. Eu busco um outro tipo de liberdade. Ninguém pode ser realmente livre enquanto não tiver a coragem de dizer não. Ou você ainda acha que ir todo final de ano para a praia representa algum tipo de liberdade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evitamos o pensamento nômade por que temos medo da solidão. Hoje vivemos uma época em que se busca a segurança a qualquer custo. Eu preciso aceitar a idéia de que quando eu partir, os prédios vão continuar no mesmo lugar de sempre. Que todo trabalho é apenas trabalho. E, que todo este medo que se sente, nada mais é do que a certeza de não possuir mais uma rotina para preencher o vazio de todo dia. Mas qual seria a principal vantagem de se cultivar um pensamento nômade? Ter a certeza de se estar vivendo numa maior harmonia com as leis da natureza, talvez possa ser considerada uma delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um nômade sabe que cultivar a mesma terra por muito tempo pode causar um rápido empobrecimento da mesma. Que o único calendário confiável é a troca das estações. Que deve estar preparado para partir a qualquer momento. E, que buscar por novas terras constantemente é a única coisa capaz de fazer seu sangue voltar a circular. Para ele a própria vida não passa de um sonho. E estas palavras são mais que suficientes para justificar as minhas últimas atitudes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Nada lhe pertence mais que seus sonhos."(Friedrich Nietzsche)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-3382589489765530416?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/3382589489765530416/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=3382589489765530416' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/3382589489765530416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/3382589489765530416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2008/09/pensamento-nmade.html' title='Pensamento Nômade'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-3211132408477764233</id><published>2008-09-20T12:55:00.000-07:00</published><updated>2008-09-20T14:18:00.418-07:00</updated><title type='text'>Pesos e Medidas</title><content type='html'>“O verdadeiro lucro consiste em gastar dias para alcançar coisas superiores, em empregar dinheiro com uma avareza cada vez mais restrita, a fim de poder despender em criações espirituais, e não para aumentar a existência animal.” (Ralph Waldo Emerson).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre me preocupei em saber o que era realmente importante nesta vida. O que pesa mais. Muitas coisas que tem seu valor superestimado hoje, nunca significaram nada para mim. Se afogar no trabalho ou usar o dinheiro como forma de compensar coisas que gostaríamos de ter e não podemos, já deixaram de me interessar a muito tempo. No momento em que deixei de buscar o conforto, pude ter a medida exata de como pode ser rico um dia frio e chuvoso. E, isso me fez lembrar o quão frágil o ser humano pode ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto que perdi o contato com a natureza. A constante busca pelo dinheiro e sua segurança, desviaram minha visão e também meu pensamento da verdade relacionada aos fatos. Eu sei que vou morrer. Depois desta constatação, como poderia continuar buscando por coisas que nada mais são do que símbolos carregados com os nossos medos mais profundos? Prefiro abrir mão. Todo meu tempo e recursos serão destinados a coisas que os olhos não podem cobiçar e as mãos não conseguem segurar. E isso talvez elimine a necessidade de se levantar cercas e muros cada vez mais altos ao meu redor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só pesamos quando perdemos. Mas o que foi que perdemos pelo caminho? Com certeza, a nossa capacidade de atenção foi uma delas. Passando o olhar ao meu redor, posso constatar que na maioria das vezes não possuo a força necessária para me livrar do poder das palavras e imagens. Ainda, fico a maior parte do tempo tentando me livrar de coisas que aprendi e conheci.&lt;br /&gt;Nomes, sons, idéias, formas, cores, tudo isso sempre me atrapalhou na hora de colocar na balança o que faz de mim um ser humano, daquilo que me torna apenas mais um verme qualquer. Existem momentos que eu gostaria de simplesmente esquecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero não perceber o que é realmente importante nesta vida, apenas quando já for tarde demais ou quando ela tomar a força partes importantes de mim. É bem provável que eu e você só teremos tempo para refletir sobre o tempo que já desperdiçamos, no momento em que tivermos de nos confrontar com todo o peso e terror de uma casa vazia. Saber que nunca mais será ouvido o ranger das portas, pode significar que chegamos tarde. E, aí sim, poderemos ostentar aos outros o quão pobre realmente somos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Cada um de nós vê nos outros aquilo que carregamos em nosso próprio coração." (Ralph Waldo Emerson)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-3211132408477764233?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/3211132408477764233/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=3211132408477764233' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/3211132408477764233'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/3211132408477764233'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2008/09/pesos-e-medidas.html' title='Pesos e Medidas'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-3072282368076156114</id><published>2008-09-11T06:14:00.000-07:00</published><updated>2008-09-29T12:52:38.585-07:00</updated><title type='text'>Camisa de Força</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=";font-family:';" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=";font-family:';" &gt;“&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Podemos dizer, sem exagerar, que a persona é o que alguém na realidade não é, mas o que ele mesmo e os outros pensam que ele é”. (Jung)&lt;/span&gt;&lt;o:p style="font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center; font-family: trebuchet ms;" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Estar consciente é difícil. Aceitar que se é doente também. Mas, raro mesmo, é conseguir enxergar. Estas palavras aparentemente sem sentido, foram escritas no momento em que consegui visualizar o começo desta estúpida batalha, que é travada quase que diariamente entre dois personagens que tentam assumir o controle das minhas ações. Acredito que vivemos dois papéis distintos. Onde muitas vezes ambos se desconhecem. Então resolvi compartilhar com vocês estas estranhas perguntas: Até onde nossos personagens estão conscientes da existência um do outro? Que tipo de personalidade eles nos apresentam? Você deve ser o mediador deste encontro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Eu vivo uma guerra sem fim. Na minha vida de todo santo dia existem apenas o&lt;b&gt;&lt;i&gt; Personagem&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; e o&lt;b&gt;&lt;i&gt; Não-Personagem&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;. Chamo de &lt;i&gt;Personagem&lt;/i&gt; aquele que carrega tudo o que a de mais mentiroso e hipócrita dentro de mim, e que adora mostrar alegremente aos outros uma bela coleção de dentes. O outro é conhecido por &lt;i&gt;Não-Personagem, e&lt;/i&gt; cuja presença apenas é sentida minutos antes de dormir. O primeiro deseja se expressar a qualquer custo, e tem em mente que seu amigo não passa de um fraco. Já o segundo, deseja esquecer para sempre todo o conhecimento que adquiriu sobre sua própria existência e viver na mais profunda ilusão. Tanto um quanto o outro são enfermos, e se não assinarem logo um tratado de paz, correm um sério risco de acabarem dentro de uma camisa de força.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Muitos dos que hoje vivem em manicômios não nasceram assim. Eles se tornaram. O mais engraçado de toda esta situação é que muitas vezes deixamos a nossa personalidade mais doente solta pelas ruas, enquanto aquela que possui os sentimentos mais verdadeiros é forçada a passar a maior parte do tempo presa dentro de um quarto forrado por paredes acolchoadas. Porém, seus gritos são como um eco de desespero. É praticamente impossível não ouvi-los. Eles são capazes de atravessar tanto o concreto como a carne. O Não-Personagem possui um canal de comunicação que o Personagem teme profundamente: Os Sonhos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Eu gostaria muito de ajudar o Não-Personagem a sair daquele lugar, mas parece que o Personagem não perdoa aqueles que apresentam sinais de fraqueza. Ele sabe que existem pessoas que conhecem a existência do Não-Personagem e daquele lugar, e que se conseguirem libertá-lo será o fim da insanidade. Talvez, eu esteja mesmo ficando maluco. Comecei a perceber isso no momento que fiquei amigo destes dois personagens tão parecidos comigo.E, para falar a verdade, até estou começando a gostar desta brincadeira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=";font-family:';" &gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;“A psique real e verdadeira é o inconsciente, enquanto o consciente só pode ser considerado como um fenômeno temporário”. (Jung)&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-3072282368076156114?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/3072282368076156114/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=3072282368076156114' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/3072282368076156114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/3072282368076156114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2008/09/camisa-de-fora.html' title='Camisa de Força'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-6739260174838835898</id><published>2008-09-03T15:10:00.000-07:00</published><updated>2008-09-04T16:40:20.338-07:00</updated><title type='text'>Fora da Lei</title><content type='html'>“É preferível cultivar o respeito do bem que o respeito pela lei”. (Henry David Thoreau)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outubro se aproxima. E com ele também as promessas. Chegou a hora de levantarmos cedo e mantermos as coisas como estão por mais quatro anos. E claro que não podemos nos esquecer de ligar a TV e escutar com atenção as propostas de nossos queridos candidatos. Não sei quanto a vocês, mas eu já cansei de toda esta palhaçada. Sempre acreditei num outro tipo de sociedade, muito diferente desta onde as leis não me forcem a lutar contra os outros por um pedaço de pão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês não podem me comprar. Para uma pessoa que se preocupa com sua própria vida, o mundo da política não é muito diferente de um circo. E tenham em mente que eu nunca gostei muito de palhaços. Mas deixemos as piada para outro dia. Como pode uma pessoa trocar a felicidade de todos por uma cesta básica ou por dois tanques de gasolina? Realmente, não se pode esperar muita coisa de uma pessoa que fica perambulando pelas ruas balançando a bandeira de um partido político ou, ainda por cima, que tem a coragem de colar o rosto de um candidato no vidro de seu carro. Lembre-se: Eles precisam do seu voto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode até parecer irônico, mas eles próprios não desejam muitas mudanças. Não se pode mudar uma estrutura social baseada no medo. As próprias pessoas também não querem. Foram condicionadas a aceitar tudo como está. Desejam viver a vida de seus pais. Se você não fosse tão egoísta e ignorante, não existiria a necessidade de novas estradas ou rodovias. Não é? Se você entendesse que quando aceita aquele cargo de chefe em uma grande empresa ou se prepara para comprar aquele carro dos seus sonhos, está apenas contribuindo para que surjam novos apartamentos por baixo de nossos belos cartões postais. Acredite, nenhum mendigo dá a mínima para estas eleições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da próxima vez que lhe convidarem para fazer parte de algum partido político, diga-lhes que você não poderá participar por que está terminando de ler o livro A Desobediência Civil do escritor Henry David Thoreau, e que eles deveriam fazer o mesmo pelo bem de toda a sociedade. E também que prefere passar o resto da vida dentro de uma prisão, há fazer alguma coisa em que não acredite. Utopia? Pode ser. Mas, para infelicidade geral, continuarei sempre vivendo Fora da Lei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ O melhor governo é aquele que menos governa(...) e quando estivermos preparados para isso, serei a favor de um governo que não governa”.(Henry David Thoreau)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-6739260174838835898?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/6739260174838835898/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=6739260174838835898' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/6739260174838835898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/6739260174838835898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2008/09/fora-da-lei.html' title='Fora da Lei'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-4423560539946353171</id><published>2008-08-29T06:42:00.000-07:00</published><updated>2008-09-04T16:34:58.668-07:00</updated><title type='text'>Carta a J.R.R.Tolkien</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;span style="font-family:'Trebuchet MS';"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Trebuchet MS';"&gt;Caro Tolkien,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Trebuchet MS';"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Trebuchet MS';"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;Espero que me perdoe por demorar tanto em lhe escrever. Nestes últimos tempos andei soterrado de obrigações até o pescoço. Tive dificuldades em encontrar a melhor forma de conversar com o senhor. O que posso falar sobre o Senhor dos Anéis? Sem dúvida é um grande consolo para aqueles que são obrigados a viverem em um mundo decaído. Hoje você possui muitos leitores, mas infelizmente, a maioria é formada por orcs e espectros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Trebuchet MS';"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;É uma pena que você não possa conhecer este belo vale. Acredito que ficaria encantado. Não sei até quando todo este verde irá resistir. Parece que realmente existe um Sarumam dentro de cada um de nós. Possuímos esta maldita ambição sem limites, que não se importa em destruir de forma rápida e desumana tudo aquilo que a natureza levou tanto tempo para criar. Fico triste em lhe dizer isso, mas o fim dos Ents é praticamente certo. Não que você já não soubesse. Não é necessário usar uma palantír para prever este futuro sombrio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Trebuchet MS';"&gt;Chegou o tempo do Ipê amarelo e das ameixas mudarem a paisagem desta cidade (não que alguém se importe com estas coisas!), desviando um pouco o pensamento de coisas ruins como a crescente fumaça vinda de mordor, que não envenena apenas o corpo, mas também a mente de todos. A única coisa que continua me deixando triste é não ter encontrado nenhum elfo nas minhas caminhadas diárias. Parece-me que já faz algum tempo que a sabedoria deixou estas terras em direção aos portos cinzentos. E, não tenha dúvida que se me fosse dado a chance de ir eu não pensaria duas vezes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Trebuchet MS';"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;O poder do Senhor do Escuro vem crescendo muito nestes últimos tempos. Chega a ser engraçado que ninguém perceba a influência maligna que ele exerce sobre as nossas ações diárias. Corremos de um lado para o outro sem saber que tudo isso é produto de sua vontade. &lt;i&gt;“Homens mortais, fadados ao eterno sono”&lt;/i&gt;;&lt;i&gt; &lt;/i&gt;no fim não somos mais que isso. Quem possui a força necessária para rejeitar o poder do anel governante? Quem não deseja o poder de dominar os outros? São raros os que conseguem rejeitá-lo por vontade própria. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Trebuchet MS';"&gt;Ultimamente, tenho ouvido a corneta de Boromir ecoando em meus ouvidos. Esta lembrança sempre enche meu coração de coragem e me faz esquecer por alguns instantes o sibilar das flechas que são lançadas em minha direção. É provável que depois daquela viagem de barco, eu nunca mais volte a ouvir o seu chamado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Trebuchet MS';"&gt;Não tenho mais nada a dizer. Mesmo sabendo que esta carta nunca chegara ao seu destino, eu precisava continuar mantendo contato com a Terra-Média. Num tempo onde se perdeu o sentido das coisas, a lembrança do Condado é mais que suficiente para aliviar a dor de ter que carregar um fardo tão pesado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Trebuchet MS';"&gt;ps: Não se esqueça de mandar lembranças minhas ao Tom e também a Fruta de Ouro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family:'Trebuchet MS';"&gt;“Uma estrela brilha sobre a hora do nosso encontro”&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: left"&gt;De seu amigo W3&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family:'Trebuchet MS';"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-4423560539946353171?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/4423560539946353171/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=4423560539946353171' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/4423560539946353171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/4423560539946353171'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2008/08/carta-jrrtolkien_29.html' title='Carta a J.R.R.Tolkien'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-4150169925463654180</id><published>2008-08-14T19:17:00.000-07:00</published><updated>2008-08-14T19:20:02.573-07:00</updated><title type='text'>Meu Amigo Xamã</title><content type='html'>“Um amigo é uma pessoa com quem posso ser sincero. Posso pensar na sua frente em voz alta”. (Ralph Waldo Emerson)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca tive muitos amigos. E, fico feliz por isso. Minha mente não permite pensamentos distintos dos meus. Não aceita mediocridade. É preciso ter a coragem de olhar por baixo da máscara, e nunca mais voltar a colocá-la novamente. Não uso os outros para preencher o meu vazio. Para ter o meu respeito e admiração é preciso enxergar a vida de fora do planeta. E isso somente alguém com uma forte ligação com o outro lado pode conseguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como descobri que existe um tipo de amizade que possui um pé em cada lado? Pelo simples fato que não a procuro. Não existe a necessidade de telefones. Nossa amizade não é coisa de criança. Quando for realmente uma coisa necessária, nossos passos acabarão nos levando um na direção do outro. Ambos percebemos o que é realmente importante nesta vida. Começamos a pensar muito antes de buscar as respostas nas prateleiras, e isso acabou com toda a ilusão. Ele e eu sabemos que existe algo além do tempo e espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não somos filósofos. Somos apenas dois indivíduos que desde cedo buscaram respostas na própria vida. Que por obra do destino tiveram a chance de ter seus caminhos cruzados. Que ouviam através de outras pessoas aquilo que acontecia um com o outro, e que não poderiam fazer nada além de esperar. Sempre soubemos que era necessário que cada qual voltasse do inferno por conta própria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este texto é uma homenagem a você meu amigo xamã. Entenda que eu e você não possuímos uma ligação de sangue, mas sim uma ligação com o outro lado. Por mais que na maioria das vezes eu não consiga acreditar na sua feitiçaria ou no seu baralho, sempre vou acreditar que não foi por mero acaso que um dia naquela fábrica de camisas tivemos a chance de nos cumprimentar. Desde então, a vida vem me mostrando que eu devo acreditar naquilo que não possui nome nem forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Deixe as amizades se desenvolverem sozinhas – Deixe que a amizade cresça gradualmente até atingir sua altura; se você apressar o processo, pode ficar logo sem fôlego”. (Bruce Lee)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-4150169925463654180?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/4150169925463654180/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=4150169925463654180' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/4150169925463654180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/4150169925463654180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2008/08/meu-amigo-xam.html' title='Meu Amigo Xamã'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-6343999592181832595</id><published>2008-08-12T06:30:00.000-07:00</published><updated>2008-08-13T03:38:36.006-07:00</updated><title type='text'>Inércia</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family:'Trebuchet MS';"&gt;“ A angústia dos acometidos pelo mal da inércia só pode compreender quem já a experimentou alguma vez. Ócio é algo que todo ser humano sonha. O mal da inércia, entretanto, fica longe da agradável sensação de descanso e paz que o ócio proporciona: quem por ele é acometido não consegue agir, por mais que se empenhe. Mente amortecida e visão embaçada, o enfermo debate-se na poça do próprio sangue. Está doente, mas o corpo não apresenta alterações. Batendo a cabeça na parede, sem conseguir recuar ou progredir, preso num vácuo imobilizante, à pessoa sente-se perdida, duvida de si mesma, despreza-se, e por fim chora.”. *&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family:'Trebuchet MS';"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family:'Trebuchet MS';"&gt;“Buscai o tronco, não vos enganeis&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family:'Trebuchet MS';"&gt;Colhendo folhas, perseguindo galhos&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family:'Trebuchet MS';"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family:'Trebuchet MS';"&gt;Dez anos passei peregrinando&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family:'Trebuchet MS';"&gt;Dos quais hoje escarneço, e a mim mesmo:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family:'Trebuchet MS';"&gt;Vestes rotas, sombreiro despedaçado, as portas do zen bati, Quando as leis de Buda são essencialmente tão simples!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family:'Trebuchet MS';"&gt;Dizem elas: Coma arroz, beba o chá, vista a roupa”.*&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family:'Trebuchet MS';"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:'Trebuchet MS';"&gt;* Passagens retiradas do romance Musashi de Eiji Yoshikawa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family:'Trebuchet MS';"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-6343999592181832595?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/6343999592181832595/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=6343999592181832595' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/6343999592181832595'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/6343999592181832595'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2008/08/inrcia.html' title='Inércia'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-3644581606149025291</id><published>2008-08-03T10:20:00.000-07:00</published><updated>2008-08-03T10:38:55.963-07:00</updated><title type='text'>Passo Incerto</title><content type='html'>Depois de muitas idas e vindas aos hospitais e clínicas da cidade, ainda não consegui encontrar a cura da minha doença. Talvez ela realmente não seja física mas, sim, psicológica. Após caminhar por longas horas através de ruas escuras e pouco movimentadas - sempre buscando respostas que eu já possuía – tive a oportunidade de constatar um fato triste, porém verdadeiro. Já faz algum tempo que todos os meus passos são incertos e que sempre acabo andando em círculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você deve estar se perguntando como cheguei a esta conclusão? Permita-me explicar. Numa certa tarde após o trabalho, fui ter uma conversa descontraída com um amigo sobre as coisas do dia-a-dia. Perto de seu final, resolvi acompanha-lo até perto da sua casa para terminarmos ela. Chegando lá, ele me perguntou se eu gostaria de jantar em sua casa. Respondi que por mim tudo bem e que não fazia diferença para qual lado eu fosse. É verdade que esta resposta saiu de forma inconsciente, mas ela mostrou de forma clara como a minha vida é sem sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez, uma outra pessoa por quem eu tenho grande admiração me disse algumas palavras que só confirmaram aquilo que eu não queria ouvir e acreditar. Ele me disse que viver da forma como eu vivia era fácil, porque eu não tinha nada de importante para se preocupar, ninguém por quem sentir emoções violentas, nenhum lugar para voltar depois do trabalho, nenhuma meta ou objetivo claro em relação ao futuro. Enfim, uma vida vazia e sem significado. É sempre mais fácil abrir mão de tudo, aquele que não possui nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro momento marcante foi quando passei uma manhã em um posto de saúde. Quando explicava a doutora quais os meus sintomas, ela me disse que eu precisava começar uma terapia, deveria comer mais e pensar menos. Fui obrigado a rir. Então, perguntei se ela poderia me emprestar uma caneta e um pedaço de papel, e comecei a anotar o endereço do meu blog. “Aqui está a minha terapia”, foi o que lhe disse ao sair do consultório. Olhando para este texto, começo a acreditar que eu devesse mesmo ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso me fez parar na rua e não conseguir dar mais um passo sequer. Eu sei que existe uma estrada na qual eu posso encontrar a paz, mas para segui-la é preciso ter coragem. Uma estrada que eu só poderei seguir se abandonar a razão para sempre, e não tiver medo de me perder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“A felicidade requer ação – Todo mundo é capaz de obter a felicidade, a questão é continuar em frente, ou agir para obtê-la. Essa é a questão”. (Bruce Lee)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-3644581606149025291?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/3644581606149025291/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=3644581606149025291' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/3644581606149025291'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/3644581606149025291'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2008/08/passo-incerto.html' title='Passo Incerto'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-7861104090382631190</id><published>2008-07-28T04:29:00.000-07:00</published><updated>2008-07-28T04:44:59.914-07:00</updated><title type='text'>O Quarto Branco</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;Deitado sem o tempo&lt;br /&gt;Que lá fora voa&lt;br /&gt;Quarto branco é cinzento&lt;br /&gt;Quando o sonho se destoa&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez tudo não tenha passado realmente de um sonho. Quando olho pela janela, não sei dizer se é realidade ou fantasia porque não existem relógios. No momento que busquei as cores, percebi que há muito tempo só as enxergo em branco e cinza. Sinto que vim parar neste lugar para encontrar uma coisa que fiz questão de perder: a fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;De esperança vazia&lt;br /&gt;Crente da fraude&lt;br /&gt;De minha cama sozinha&lt;br /&gt;Que não me cura e aplaude&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo era branco. O guarda-pó, o lençol, as paredes e também a esperança. Ela veio do céu trazendo consigo as mentiras que são contadas, e quando enxerguei manchas de sangue no chão, fiz questão de espantá-la. Um frasco e um copo de água é tudo do que preciso agora.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;Mas preciso também&lt;br /&gt;Do desejo de continuar&lt;br /&gt;Sonhando com algo ou alguém&lt;br /&gt;Que me faça acordar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o badalar dos sinos despertei. Então, percebi que estava na sala de espera aguardando minha vez de ser atendido. Muitos naquele lugar tinham estampados em seus rostos às marcas de verdadeiros sofrimentos. E, graças a este sonho, pude perceber que minha doença era o medo do futuro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;em&gt;* Os versos em itálico são de &lt;a href="http://www.blogger.com/www.sinceramentesincero.wordpress.com"&gt;Tiago Ribeiro&lt;/a&gt;.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-7861104090382631190?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/7861104090382631190/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=7861104090382631190' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/7861104090382631190'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/7861104090382631190'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2008/07/o-quarto-branco.html' title='O Quarto Branco'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-2008670809565106758</id><published>2008-07-19T18:34:00.000-07:00</published><updated>2008-07-19T18:52:13.366-07:00</updated><title type='text'>A Sombra</title><content type='html'>&lt;em&gt;“A idéia do suicídio é um potente meio de conforto: com ela superamos muitas noites más.” (Friedrich Nietzsche).&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestes últimos tempos me aconteceu algo de surpreendente. Voltei a encontrar um lugar tranqüilo onde eu pudesse conversar tranquilamente com a minha própria sombra, sem ser perturbado por compromissos ou outras besteiras. Apenas eu e ela. Mesmo já sabendo o que ela teria para me dizer, precisava resolver esta situação de uma vez por todas. Tinha chegado a hora de lhe devolver a passagem e desfazer as malas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num primeiro momento não percebi a sua presença. Mas quando olhei para o lado, lá estava ela sentada. Perguntei o que ela queria. Ela me disse que já estava cansada de falar sozinha, e que se eu não tomasse uma decisão logo, ela procuraria outro para ajudar. Comecei a rir. E, perguntei se ela não estava gostando do lugar e de todo aquele silêncio. Percebi um sorriso. “Até quando?”, foram as palavras que ouvi. “Você sabe que me fará companhia ainda por um longo tempo”, respondi. Neste instante, gargalhadas ecoaram pelo lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passados alguns instantes, o silêncio voltou a reinar. O único ruído que se ouvia era o das pedras que eu acabava jogando ocasionalmente nas margens do rio. Várias lembranças vindas do passado teimavam em se fazer presentes naquele momento, dizendo-me que não era a primeira vez que eu pensava sobre estas coisas. Desde garoto eu sinto a sua presença ao meu lado. Felizmente, nunca lhe dei muita atenção. Fosse daquela vez que eu estava parado sobre aquela ponte ou quando estava me preparando para atravessar uma rua movimentada. Só de pensar sobre estas idéias, eu já me sentia aliviado. E conseguia a força necessária para voltar para casa. Pensando hoje sobre estes fatos, fico feliz de ter sido sempre um covarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ultimamente, não tenho dormido bem. Minhas mãos tem tremido mais que o normal. Não consigo me livrar deste maldito pessimismo. Começo a acreditar que esta luta não terá fim. Mas também não me importo mais. Faço questão que você venha me visitar sempre que quiser. Pelo menos assim terei com quem jogar conversa fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora preciso voltar ao trabalho. Antes de você ir, gostaria de lhe dizer que rasguei as passagens. Não preciso mais delas. Não desejo mais conhecer outros lugares. Ficarei por aqui mesmo. Estou fascinado demais por este mistério. Eu sei que daqui para frente será apenas dor e sofrimento. Mas faço questão de sentir tudo isso. “Você me dá pena”, disse ela, quebrando um longo silêncio. Então, respondi-lhe: “Você é realmente uma companhia engraçada!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Na solidão, o solitário devora a si mesmo; na multidão devoram-no inúmeros. Então escolhe.” (Friedrich Nietzsche).&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-2008670809565106758?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/2008670809565106758/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=2008670809565106758' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/2008670809565106758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/2008670809565106758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2008/07/sombra.html' title='A Sombra'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-6524708954759953174</id><published>2008-07-12T11:28:00.001-07:00</published><updated>2008-07-12T11:28:51.332-07:00</updated><title type='text'>A Fraqueza de Siegfried</title><content type='html'>&lt;em&gt;“Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura.”( Friedrich Nietzsche)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poucas histórias são mais comoventes e surpreendentes que aquela que é contada na Canção dos Nibelungos. Nela, nos é mostrado até onde pode chegar uma mulher em sua busca desesperada por vingança. Neste conto é reforçado aquilo que os livros de história nos relatam sobre a fraqueza de muitos guerreiros que encontraram na beleza e encantos de uma mulher sua própria destruição. Cuidado! Ninguém pode saber o que se esconde por trás de toda esta fragilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Siegfried foi o maior herói das lendas germânicas. Sua coragem e audácia o levaram a conquistar tesouros e glórias por onde fosse. Porém, nada conseguia preencher o vazio que o atormentava dia após dia. Seu pensamento estava voltado na direção de uma princesa chamada Kriemhild, que ele nunca havia visto. Ela era protegida por guerreiros terríveis. E, nas mãos de um deles, Siegfried encontraria seu destino final. O fim dos heróis ou do mais simples dos homens é sempre o mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas qual era realmente a sua fraqueza? Com certeza não estamos falando da folha que caiu em suas costas no momento em que este se banhava no sangue do dragão - isso foi apenas uma conseqüência. Mas, sim, naquele instante de loucura e desespero (ou será de fraqueza?) no qual ele tinha que revelar seu segredo a sua querida princesa, que era para ele mais importante que sua própria vida. A partir daquele momento, ela em seu excessivo temor de perdê-lo em um campo de batalha atravessado por uma lança, confiou seu segredo há seu vassalo Hagen para que este o protegesse. Ele atraiu Siegfried para uma armadilha, e traiçoeiramente matou o poderoso herói. Porque sempre temos de revelar aos outros todos os nossos segredos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As lágrimas de Kriemhild nunca mais secaram. Ela jurou se vingar de todos os que lhe haviam roubado sua felicidade. Mesmo que estes sejam seus próprios irmãos. Todos deveriam partilhar de sua dor. Então, no auge de sua loucura, aceita se casar com um rei pagão não por amor, mas sim por este possuir o maior exército de seu tempo. Convida seus familiares para uma celebração, corrompendo inúmeros cavaleiros com ouro e outras promessas para que estes se livrassem de Hagen e de seus sofrimentos. E, por fim tenta atear fogo no salão com todos eles ainda dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Irmãos lutando contra irmãos; amigos lutando contra amigos; juramentos desfeitos; promessas quebradas; escudos rachados; espadas trincadas; corpos espalhados pelo chão; reinos destruídos, tudo se desfez através de um simples gesto desta donzela. Ninguém conseguiu resistir aos seus encantos. Ninguém pode lhe dizer não. Nenhum homem chegou tão longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final ela conseguiu realizar seus intentos. Nenhum de seus parentes voltou daquela celebração com vida. Finalmente ela conseguiu vingar o herói dos nibelungos. Infelizmente, pagou um preço caro por sua devoção. Teve seu ventre trespassado pela lâmina de uma espada. E, talvez seja esta a tragédia de todos aqueles que caminham por esta terra. Morrer de mãos dadas com a loucura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Na vingança e no amor, a mulher é mais bárbara que o homem”. (Friedrich Nietzsche)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-6524708954759953174?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/6524708954759953174/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=6524708954759953174' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/6524708954759953174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/6524708954759953174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2008/07/fraqueza-de-siegfried.html' title='A Fraqueza de Siegfried'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-1065478275588746778</id><published>2008-07-05T16:28:00.000-07:00</published><updated>2008-07-05T16:31:49.589-07:00</updated><title type='text'>Mente de Barro</title><content type='html'>&lt;em&gt;“Escravos de padrões – Quem não quer ser perturbado, se sentir inseguro, estabelece um padrão de conduta, de pensamento, um padrão de relacionamento com os homens etc. Depois se torna escravo do padrão, e aplica o padrão à realidade.” (Bruce Lee)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes me perguntei se as pessoas percebem o seu próprio condicionamento. Fico imaginando se elas têm consciência de que todos os seus problemas têm origem nas influências externas que recebem diariamente desde o nascimento. Sendo a realidade, um reflexo do que se passa dentro de nós. O perigo que representa uma mente que aceita padrões estabelecidos pode ser a resposta que buscamos para explicar este mundo de mediocridade e imitação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque não lutamos para transformar este mundo num lugar diferente?&lt;br /&gt;Porque deixamos que a nossa mente seja moldada tão facilmente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A natureza nunca se repete. Eles precisam entender de uma vez por todas que eu não sou um pedaço de barro qualquer que eles podem moldar da maneira que bem entenderem. Muito menos uma peça acabada que é colocada na vitrine de uma loja. Estarei sempre atuando nas sombras, sabotando seus planos. Terão de aceitar que sou um de seus inimigos, e que nunca haverá trégua entre nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que vocês me estudam. Eu sinto fome, frio, sono, medo e desespero. Tudo isso vocês já sabem. E mesmo assim possuem a coragem de usar todas estas minhas fraquezas para me aprisionarem em uma prisão de tijolos junto com a minha doença. Uma doença que eu mesmo ajudei a criar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realmente me sinto morto. Morto para tudo aquilo que aprendi. Morto para viver na divisão. Morto para viver a vida dos outros. Morto para seguir roteiros. Morto para acreditar em sorrisos cheios de dentes. Porém, não me sinto morto para duvidar de mim e de vocês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que a guerra comece! Lutemos contra todas as influências externas. Digamos adeus à tirania da família, do chefe, de deus, dos túmulos, dos professores, dos vizinhos, da máquina do estado, da mídia e do medo. Mostremos que agora somos emancipados. Que somos como barqueiros sem porto seguro. Que não seguimos ninguém, mesmo que isso seja dizer adeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;--&lt;br /&gt;“Renove-se a cada segundo – Nós vivemos de acordo com clichês, segundo comportamentos padronizados. Estamos sempre fazendo o mesmo papel. Aumentar o seu potencial é viver e renovar-se a cada segundo.” (Bruce Lee)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-1065478275588746778?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/1065478275588746778/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=1065478275588746778' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/1065478275588746778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/1065478275588746778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2008/07/mente-de-barro.html' title='Mente de Barro'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-5470739484742420602</id><published>2008-06-28T10:58:00.000-07:00</published><updated>2008-06-28T11:04:40.230-07:00</updated><title type='text'>A Lâmina Budista: Parte II</title><content type='html'>&lt;em&gt; "A necessidade de se lembrar: A lembrança é o único paraíso do qual não podemos ser expulsos. O prazer é a flor que fenece, a lembrança é o duradouro perfume. Lembranças duram mais do que realidades presentes. Já preservei flores por muitos anos, mas frutos, jamais." (Bruce Lee)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não esperava ter que voltar a falar sobre este assunto tão cedo. Mas a morte voltou a ser lembrada e, junto com ela, também a sua relação com o budismo. Desta vez, sua presença se fez sentida em sua forma mais terrível e assustadora: sem avisar. Percebi que talvez nunca estejamos totalmente preparados para a sua chegada. Sabendo que as lembranças são as únicas coisas que permanecem nesta vida, só me resta escrever sobre elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://williamwagner.blogspot.com/2008/04/lmina-budista.html"&gt;Aqui&lt;/a&gt; relatei o episódio que aconteceu com o irmão mais velho de um amigo meu. Agora a sombra da morte também levou seu pai. Ele era um homem simples e de bom coração, com quem eu sempre acabava cruzando pelas ruas. No dia anterior ainda o tinha visto voltando tranqüilamente do mercado com suas compras. Olhando para ele naquele momento, nunca passaria pela minha cabeça que aquela seria a última vez em que iríamos nos cumprimentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não estava em casa naquele momento. Estava longe dali, despreocupado e em meio a muitas risadas. Ele estava assistindo televisão e de repente começou a passar mal. Pouco tempo depois já havia falecido. Com a chegada da madrugada, meu irmão e eu conversamos por um longo tempo a respeito desta coisa chamada morte. Qual o assunto principal desta conversa? A grande diferença que existe entre enxergá-la com os próprios olhos e apenas falar sobre ela. Ter presenciado os últimos momentos de um ser humano deixou marcas profundas no meu irmão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntávamos-nos a nós mesmos se estaríamos preparados para enfrentar uma situação como aquela. Respondi-lhe que talvez nunca estejamos. Que a nossa hora de sermos testados ainda não havia chegado. Que a dor destas pessoas não era a nossa, e que nenhuma palavra de consolo poderia mudar as coisas. Acredito que a melhor coisa a fazer nestas horas é deixar as pessoas sozinhas com suas lembranças. Mesmo que estas lembranças sejam como segurar a lâmina pela própria lâmina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não vou a enterros. Espero que me perdoem. Não suporto obrigações sociais. Não são ações verdadeiras. Minha homenagem às pessoas eu presto em vida. Prefiro deixar toda a mágoa e rancor nesta terra, e assim não terei o que temer. Olharei nos olhos delas da forma mais sincera que puder, e isto será o máximo que lhes poderei oferecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Viva, deixe viver e ajude a viver.” (Ralph Waldo Emerson).&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-5470739484742420602?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/5470739484742420602/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=5470739484742420602' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/5470739484742420602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/5470739484742420602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2008/06/lmina-budista-parte-ii.html' title='A Lâmina Budista: Parte II'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-1338805178831894770</id><published>2008-06-21T10:54:00.000-07:00</published><updated>2008-06-21T10:55:09.229-07:00</updated><title type='text'>Palavras Duras</title><content type='html'>&lt;em&gt;“A Verdade não traz consolos e eu falo somente da Verdade” (Krishnamurti)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me como se fosse hoje. Estava andando sem rumo pelas calçadas da vida, quando alguma coisa me atraiu para dentro de um sebo. Nunca entendi ao certo o motivo. Até então, nunca tive nenhum contato com livros ou a filosofia. Pelo que me lembro, não tinha a intenção de comprar nada, mas ao passar os olhos pelas estantes alguma coisa prendeu minha atenção. Era um pequeno volume chamado “O futuro da humanidade”, de um pensador indiano chamado Krishnamurti. Sem imaginar que este momento me mudaria para sempre, sentei-me e comecei a ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro nada mais era do que uma conversa entre dois velhos amigos. Neste encontro, eles falavam a respeito da mente e a origem do sofrimento humano. Foi a forma como faziam isso que mais me impressionou. Não eram respostas prontas. Para acompanhá-los eu deveria deixar tudo aquilo que me ensinaram em casa e ouvir. Percebi que tudo aquilo era muito mais do que uma simples conversa. Senti que eu era o alvo daquelas palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma passagem daquele diálogo me pegou pelo pescoço. Era contado o encontro de Krishnamurti e um jovem físico britânico, onde foram jogadas no ar as seguintes palavras: “Antes de você ser um Físico, você é um ser humano”; aquilo foi como um tapa na cara. Neste momento eu passava pelo mesmo problema. Tinha vários caminhos abertos pela frente. Porém, não conseguia mais dar um passo sequer. O que eu tinha perdido pelo caminho? Com certeza o mais importante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sempre quis ser um jornalista. Acreditava no valor de ser uma ponte entre o conhecimento e as pessoas. Você entende? Fazer uma coisa que valesse a pena. Deixar o resto temporariamente de lado e prestar a atenção nas coisas que eram jogadas ao vento e que eram necessárias naquele momento. Era preciso conhecer o lado de lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto que estou mais preparado para minha missão. Cada dia tem sido um aprendizado. A claridade só pode iluminar algum ambiente se houver alguma fresta disponível. Antigamente eu amaldiçoava todas estas coisas que cruzavam meu caminho, pelo simples fato de não conseguir acreditar. Hoje não. Fico feliz por ter sido alertado há tempo. Sempre me lembrarei destas palavras duras, porém verdadeiras: “Antes de você ser um Jornalista, você é um Ser Humano”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Deixar a sabedoria para trás e ingressar novamente na humanidade comum. Depois de compreender o outro lado, você volta e vive do lado de cá”. (Bruce Lee)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-1338805178831894770?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/1338805178831894770/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=1338805178831894770' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/1338805178831894770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/1338805178831894770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2008/06/palavras-duras.html' title='Palavras Duras'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-6216137883135352678</id><published>2008-06-14T20:05:00.000-07:00</published><updated>2008-06-14T20:10:14.018-07:00</updated><title type='text'>Meu Querido Soma</title><content type='html'>&lt;em&gt;“O mundo agora é estável. As pessoas são felizes, têm o que desejam e nunca desejam o que não podem ter. Sentem-se bem, estão em segurança; nunca adoecem; não tem medo da morte; vivem na ditosa ignorância da paixão e da velhice, não tem esposas, nem filhos, nem amantes, por quem possam sofrer emoções violentas; são condicionadas de tal modo que praticamente não podem deixar de se portar como devem. E se acaso alguma coisa andar mal, há o soma”. *&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como posso fugir dele? Para qualquer lado que me viro lá está ele se espreitando sorrateiramente entre as sombras, aguardando apenas um momento de fraqueza para me dominar por inteiro. Não sei até quando poderei resistir. Ele está no alto dos prédios, dentro das casas, nas vitrines, nos meus sonhos, em cada rosto e em cada sorriso, sempre me dizendo que sofrer desse jeito é bobagem. Basta apenas que eu aceite a sua ajuda para nunca mais ter de viver toda esta miséria. Eu nunca quis este Admirável Mundo Novo. Eu nunca quis o Soma e sua “Felicidade”. Eu realmente estou cansado destas fugas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São poucos os que percebem o seu próprio condicionamento. Sempre fui programado para aceitar as coisas a minha volta como verdades absolutas, que foram criadas para o bem estar geral da sociedade. Dúvidas não são bem vindas nestes tempos modernos. Você precisa ser a engrenagem que faz a máquina funcionar. Se alguém parar para pensar, ela pode parar. E, eles não deixarão isso acontecer. Peças para reposição nunca faltarão. É preciso que aconteça alguma coisa de errado no processo para que se possa perceber a própria tragédia. Chega de hipnose.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero que meu destino seja decidido em um laboratório. Qual a real finalidade de eu ter uma vida prolongada? Sofrer mais? Consumir mais Soma? Façam o favor de afastar estas coisas de perto de mim. Se o preço a pagar por uma sociedade estabilizada e segura for o sacrifício da individualidade, então, é melhor voltarmos ao primitivo, ao selvagem. Hoje, já temos exércitos de clones andando pelas ruas. Criaturas que vivem apenas para obedecer e seguir ordens. Espero não ser convocado para esta guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivemos em um mundo descartável. Fomos moldados a acreditar que qualquer coisa que nos incomoda pode ser jogada fora ou simplesmente trocada por outra inteiramente nova. Não importa se são pessoas, objetos, emoções, tudo pode ser esquecido através do Soma. Ele se encarregará de nos mostrar formas de fugirmos de nossos medos mais profundos. Para isso, basta apenas apertar um mísero botão e tudo se resolve. Nada mais simples e eficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabo de receber minha ração diária de Soma. Confesso que não posso mais passar sem ela. Ultimamente, as fugas se tornaram cada vez mais freqüentes. Muitas vezes me pego com os sentidos desprotegidos, e acabo sendo levado pelo canto da sereia. Espero um dia ter a força de vontade de jogar tudo isso fora e ser livre. Mas até esse dia... Onde foi que eu coloquei meu frasco de Soma?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“E esse é o segredo da felicidade e da virtude: amarmos o que somos obrigados a fazer. Tal é a finalidade de todo condicionamento: fazer as pessoas amarem o destino social de que não podem escapar” *.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Passagens retiradas do Romance &lt;strong&gt;Admirável Mundo Novo&lt;/strong&gt; de &lt;strong&gt;Aldous Huxley&lt;/strong&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-6216137883135352678?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/6216137883135352678/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=6216137883135352678' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/6216137883135352678'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/6216137883135352678'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2008/06/meu-querido-soma.html' title='Meu Querido Soma'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-1005356403719175994</id><published>2008-06-01T13:18:00.000-07:00</published><updated>2008-06-04T13:02:29.254-07:00</updated><title type='text'>Monstro Urbano</title><content type='html'>&lt;em&gt;“Insensível criador! Dotara-me de um cérebro e um coração, de percepções e paixões, e me deixara ao léu, alvo do escárnio e da perseguirão da humanidade”&lt;/em&gt; *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos muito em comum com o monstro criado pelo Dr. Frankenstein. Uma criatura que tomou consciência da sua própria existência e percebeu o real significado da palavra solidão. Invadido por sentimentos até então desconhecidos como: medo, tristeza, solidão e desespero, ele busca respostas junto ao convívio social, mas acaba sempre encontrando as portas fechadas. Então, jura se vingar do seu criador e de todos ao seu redor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantas criaturas semelhantes não estão escondidas em nossas grandes cidades? Quem nunca teve dúvidas quanto a sua própria vida? A sociedade é o berço de inúmeros destes monstros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando uma pessoa toma consciência de si, surgem perguntas que não possuem respostas. De onde eu vim? O que sou eu? Quem sou eu? Qual o meu destino? Todas estas indagações foram feitas pela criatura ao seu criador, e são iguais as que fazemos a nós mesmos em nossos quartos. Não existe diferença se você vive em uma casa cheia de pessoas ou em alguma geleira no Ártico, a sensação é sempre a mesma. O problema só aumenta quando estas perguntas aparecem em meio a arranha-céus e ruas movimentadas. Todo monstro urbano sofre com estas interrogações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem respostas vindas das nuvens, só nos resta o consolo dos livros. Os pensamentos contidos nos livros falam aquilo que há muito tempo trazíamos presos na garganta, e que não encontrávamos as palavras certas para serem expressas. Sempre temos a sensação de elas foram escritas por nossas próprias mãos. O monstro encontrou por acaso (se é que realmente pudesse ter sido por acaso) dois livros que eram eles: Os Sofrimentos do Jovem Werther e o Paraíso Perdido. No primeiro ele encontrou uma luz sobre as suas próprias reflexões. Já no outro, viu na figura de Satã um retrato pintado de si, onde era mostrada da mesma forma toda a inveja que ele sentia por aqueles que eram felizes e aceitos. Sempre usamos os livros como um tipo de bálsamo para nos aliviar, mas na maioria das vezes ele só agrava ainda mais a doença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossos olhos sempre entregam o que se passa dentro de nós. Ele era um ser com mais de dois metros e meio de altura; pele amarelada; músculos e artérias expostas; cicatrizes espalhadas por todo corpo; uma experiência mal sucedida que viu tudo isso refletido em uma poça de água. Quando enxergou com os próprios olhos sua imagem refletida, foi esmagado pela angústia. É o mesmo que acontece quando estamos frente a frente com o espelho em nossas casas. Infelizmente, não existe espelho que reflita o monstro que existe dentro de nós. Às vezes, fico me perguntando quem era realmente o monstro desta história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste momento, todos os excluídos, tanto economicamente quanto psicologicamente, estão tramando sua vingança contra o seu criador e toda a sociedade em geral. Sentem que foram abandonados e rejeitados. Querem fazer parte da festa social. E, não pensarão duas vezes em matar por um pouco de atenção.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;“Se não posso inspirar amor, causarei medo, e principalmente a você, meu arquiinimigo, que por ser meu criador, juro odiar sem trégua. Esteja atento para isto: Trabalharei por sua destruição e não descansarei até que tenha esfacelado seu coração de tal modo que você amaldiçoará o dia que nasceu”.*&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;*&lt;/strong&gt; Passagens retiradas do romance Frankenstein de Mary Shelley.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-1005356403719175994?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/1005356403719175994/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=1005356403719175994' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/1005356403719175994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/1005356403719175994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2008/06/mostro-urbano.html' title='Monstro Urbano'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-4463205258499844871</id><published>2008-05-24T13:24:00.000-07:00</published><updated>2008-05-24T13:51:06.959-07:00</updated><title type='text'>Vida Simples</title><content type='html'>&lt;em&gt;“A pessoa realizada busca a liberdade e a pureza - Quem não confia na força inspiradora que há dentro de si, ou quem não a tem, é levado a buscar substitutivos como o dinheiro para compensar. Quando um homem tem confiança em si mesmo, quando só quer viver o seu destino em liberdade e pureza, começa a considerar todos os bens dispendiosos demais e claramente superestimados, como meros acessórios, talvez agradáveis de se ter e de usar, porém jamais essenciais”. (&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bruce_lee"&gt;Bruce Lee&lt;/a&gt;)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestes últimos tempos tenho pensado no valor de uma vida simples e verdadeira. Numa vida sem tantas preocupações e compromissos. Onde eu possa olhar nos olhos das outras pessoas sem ter de esconder falsas intenções. Pode até parecer bobagem, mas estou cada vez mais convicto no valor de uma vida com menos. Uma vida com menos por fora e mais por dentro. E, pode ter certeza que é assim que vai ser daqui para frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que preciso de tantas coisas? A minha vida não é uma mercadoria que pode ser trocada por comida. Ainda não vendi a minha alma; nem me lembro de ter assinado nenhum tipo de contrato. Não sou nenhum fantoche nas mãos de pessoas ignorantes e ambiciosas que vivem apenas para explorar os outros. Desejo a liberdade de me deslocar para um lugar tranqüilo onde eu possa pensar em paz, sem que ninguém desconfie que tenha a intenção de roubar a casa de alguém. Que eles contratem cada vez mais seguranças para protegerem seus preciosos tesouros. Não me importo mais. A natureza me ensinou que frutos muito tempo guardados só podem vir a apodrecer. Quanto mais nos preocupamos com os acessórios que trazemos junto ao corpo, menos enxergamos a beleza ao nosso redor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palavras serão sempre meios pobres para descrever algumas coisas deste mundo. Há algum tempo criei o hábito de ficar observando a paisagem a minha volta, tentando me livrar dos meus pensamentos. Porém, ao ver crianças jogando futebol com seus uniformes em uma praça pública, tudo passou a ter outro significado. Seja uma criança indo para escola levando sua mochila; a preocupação estampada no rosto de uma mãe com seus filhos; um idoso sentado em um banco de praça; o surpreendente encontro com uma coruja em uma noite estrelada. Não faz diferença. Todas estas coisas aparentemente ridículas me ensinaram que a beleza da vida não pode ser encontrada num dia de folga passeando ao shopping ou em alguma viagem de férias para outra cidade. Mas somente quando nasce aquele sentimento de admiração e respeito pelas coisas que não foram criadas pelo homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desejo de uma vida com menos nasce da inteligência. Da confiança nas leis da natureza. No eterno viver e morrer que é a nossa vida. O nosso tempo passa muito rápido para se perder com brinquedos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero encontrar novamente aquela velha coruja. Talvez ela possa dar alguns bons conselhos para um jovem que se tornou velho rápido demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Uma vida simples é de plenitude, em que o lucro é descartado, a esperteza é abandonada, o egoísmo é eliminado e o desejo é reduzido. Esta vida de perfeição parece ser incompleta, e a vida plena parece vazia. É uma vida brilhante como a luz, mas que não ofusca. Em resumo, é uma vida de harmonia, unidade, contentamento, tranqüilidade, constância, esclarecimento, paz, e uma vida longa”. (&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bruce_lee"&gt;Bruce Lee&lt;/a&gt;)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-4463205258499844871?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/4463205258499844871/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=4463205258499844871' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/4463205258499844871'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/4463205258499844871'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2008/05/vida-simples.html' title='Vida Simples'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-2347611256697962937</id><published>2008-05-18T09:58:00.000-07:00</published><updated>2008-05-18T10:01:31.744-07:00</updated><title type='text'>Consolo</title><content type='html'>&lt;em&gt;“Renunciai á vossa pretensa cultura,&lt;br /&gt;E todos os problemas se resolvem,&lt;br /&gt;Oh!Quão pequena parece à diferença&lt;br /&gt;Entre o sim e o não!&lt;br /&gt;Quão exíguo o critério&lt;br /&gt;Entre o bem e o mal!&lt;br /&gt;Como é tolo não respeitar&lt;br /&gt;O que merece ser respeitado de todos!&lt;br /&gt;Ó solidão que me envolve todo!&lt;br /&gt;Todo o mundo vive em prazeres&lt;br /&gt;Como se a vida fosse uma festa sem fim,&lt;br /&gt;Como se todos sorrissem em perene primavera!&lt;br /&gt;Somente eu estou só...&lt;br /&gt;Somente eu não sei o que farei...&lt;br /&gt;Sou como uma criança que desconhece sorriso.&lt;br /&gt;Sou como um foragido&lt;br /&gt;Sem pátria nem lar...&lt;br /&gt;Todos vivem na abundância,&lt;br /&gt;Somente eu não tenho nada...&lt;br /&gt;Sou um ingênuo, um tolo...&lt;br /&gt;É mesmo para desesperar...&lt;br /&gt;Alegres e sorridentes andam os outros!&lt;br /&gt;Deprimido e acabrunhado ando eu...&lt;br /&gt;Circunspectos são eles, cheios de iniciativa!&lt;br /&gt;Em mim tudo jaz morto.&lt;br /&gt;Inquieto, como as ondas do mar,&lt;br /&gt;Assim ando eu pelo mundo...&lt;br /&gt;A vida me lança de cá para lá,&lt;br /&gt;Como se eu fosse uma folha seca...&lt;br /&gt;A vida dos outros tem um sentido,&lt;br /&gt;Eu não tenho uma razão de ser...&lt;br /&gt;Somente a minha vida parece vazia e inútil;&lt;br /&gt;Somente eu sou diferente de todos os outros-&lt;br /&gt;E, no entanto – sossega meu coração!&lt;br /&gt;Tu vives no seio da mãe do Universo.”(Lao Tsé)”.&lt;br /&gt; &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realmente, tudo isso não passa de consolo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-2347611256697962937?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/2347611256697962937/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=2347611256697962937' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/2347611256697962937'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/2347611256697962937'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2008/05/consolo.html' title='Consolo'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-2709583565909667401</id><published>2008-04-29T16:56:00.000-07:00</published><updated>2008-04-29T17:10:00.293-07:00</updated><title type='text'>A Falta de Heróis</title><content type='html'>&lt;em&gt;"O heroísmo sente, nunca raciocina, e por este motivo sempre está certo”. &lt;/em&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ralph_Waldo_Emerson"&gt;&lt;em&gt;(Ralph Waldo Emerson)&lt;/em&gt; &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas precisam de heróis. Após assistir ao último filme do Rocky Balboa (é verdade, sou fã declarado), perguntei-me ainda se existem heróis nos dias atuais. E também, se toda essa onda de inveja e imitação que vivemos hoje, não seja causada pela falta de exemplos de coragem e perseverança. Perguntas estas,que tem uma profunda ligação com a nossa falta de rumo na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos nós desistimos muito fácil das coisas. Começamos bem, mas sempre deixamos de ter confiança em nós mesmos. Nesses filmes o que não falta é força de vontade. Nos indentificamos tanto com esse tipo de filme, porque ele nos faz sentir que é possível superar até nossas próprias fraquezas. Que o homem comum – que conhece suas limitações – também pode vencer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os verdadeiros heróis não são esquecidos. Os que mais necessitam de heróis são as crianças. Precisam daqueles que os incentivem com seus feitos e suas palavras de bravura. Que as façam sonharem. Hoje, porém, nossa sociedade diz que todos devem ser iguais; que devem parar de sonhar e viverem mais na realidade. Sem crianças não há futuro, e sem heróis não há crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que sempre me causou fascínio na figura do Rocky Balboa foi o seu jeito primitivo. Ele não se deixou contaminar por aquilo que os outros pensariam ou falariam dele. Seguia apenas o seu coração. Não importava quantas vezes ele fosse ao chão, lá estava ele novamente de pé. Os chamados “Heróis” de hoje em dia não aguentariam nem o primeiro soco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestes últimos tempos perdi a confiança em mim mesmo. Estava me sentindo um lixo. Deixei a guarda aberta e muitas dúvidas quase me colocaram a nocaute. E, nesse mesmo dia, ligo a TV e começo a assistir ao filme. Confesso, que cheguei a ter vergonha de mim mesmo. Então lembrei da importância de todos terem algum exemplo de vida, no qual possam se orgulhar e que faça com que todos nós possamos superar as dificuldades que sempre aparecem em nosso caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum herói é perfeito. Pode ser ele um amigo, pai, irmão ou um desconhecido, não importa. O que realmente importa é ter alguém em quem se espelhar, e não perder aquele “Eye of the Tiger” ou “Burning Heart”, porque aí sim, não teremos mais histórias para ouvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"A derrota é um estado da mente: ninguém jamais é derrotado até que a derrota seja aceita como uma realidade”. &lt;/em&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bruce_lee"&gt;&lt;em&gt;(Bruce Lee)&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-2709583565909667401?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/2709583565909667401/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=2709583565909667401' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/2709583565909667401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/2709583565909667401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2008/04/falta-de-heris.html' title='A Falta de Heróis'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-1432989050930452690</id><published>2008-04-26T11:29:00.000-07:00</published><updated>2008-04-26T11:31:57.681-07:00</updated><title type='text'>Ilha deserta</title><content type='html'>&lt;em&gt;"Qual é a tarefa mais difícil do mundo? Pensar.” (&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ralph_Waldo_Emerson"&gt;Ralph Waldo Emerson&lt;/a&gt;)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ultimamente, venho me questionando se tenho vivido da maneira correta. Se as coisas em que sempre acreditei não são&lt;a style="mso-comment-reference: TR_1; mso-comment-date: 20080426T1503"&gt; &lt;/a&gt;apenas perda de tempo. Olho ao meu redor e vejo tudo e todos mudando constantemente enquanto eu pareço ter parado no tempo. Dizem que a vida é feita de escolhas. Apenas espero que se “conformar” não seja uma delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito no poder dos livros para mudar as pessoas. Nunca entendi porque certos livros cruzaram o meu caminho e exerceram uma influência tão poderosa sobre a minha mente. Sei que parar e pensar sobre as coisas da nossa própria vida pode nos afastar do convívio social e acabar fazendo a gente ter como única companhia: a solidão. Nunca é fácil conversar com os que já se foram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os primeiros a sofrerem com as escolhas que fazemos são os nossos familiares. Eles tinham tantos planos em relação a nós, que nossa repentina mudança mudou tudo para sempre. Acabamos destruindo todos os sonhos que eles não conseguiram realizar em suas vidas. Ver a tristeza nos olhos deles é capaz de nos fazer desistir de tudo e optar pelo um caminho mais fácil. É sempre triste ver castelos de areias sendo levados pelas ondas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho coragem de mudar as coisas ao meu redor. Mesmo se tiver de ir de encontro com aqueles que têm medo de ser aquilo que são. Espero viver sempre em constante conflito para que eu me lembre de que não posso me conformar. Desejo viver a minha vida de forma criativa. Nunca aceitei padrões. Não aceito mais viver sem pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não consigo acreditar no destino. Tenho convicção que tudo o que me acontecer daqui para frente será de inteira responsabilidade minha. Não julgo ninguém. Espero que todos me perdoem. Sinto que estou preparado para tudo o que pode me acontecer no futuro. Mesmo se tiver de abandonar minha própria ilha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não devo ter vergonha em dizer que deixei muita coisa de lado. Excesso de bagagem nunca me agradou. Bens materiais sempre estiveram em segundo plano para mim. As pessoas sempre foram o principal. Só com o tempo vou saber se tudo foi em vão ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Viva contente com poucos recursos; prefira a elegância ao luxo, o refinamento aos modismos. Seja honrado, não respeitável; profuso, não rico; estude bastante, pense em silêncio, fale delicadamente, aja com franqueza; reaja a tudo com alegria, faça tudo com bravura, aguarde a ocasião, nunca se apresse. Em suma, deixe o espiritual, espontâneo e inconsciente crescer através das coisas comuns.” (&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bruce_lee"&gt;Bruce Lee&lt;/a&gt;)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-1432989050930452690?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/1432989050930452690/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=1432989050930452690' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/1432989050930452690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/1432989050930452690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2008/04/ilha-deserta.html' title='Ilha deserta'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-2613149029366056787</id><published>2008-04-23T14:33:00.000-07:00</published><updated>2008-04-23T14:57:10.731-07:00</updated><title type='text'>Silêncio Verde</title><content type='html'>&lt;em&gt;“Fui à floresta viver de livre vontade, para sugar o tutano da vida. Aniquilar tudo o que não era vida. Para, quando morrer, não descobrir que não vivi.” (&lt;/em&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Henry_David_Thoreau"&gt;&lt;em&gt;Henry David Thoreau&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu gosto de andar a pé. Isso me traz uma importante sensação de liberdade e solidão. Ambas necessárias para não enlouquecer. Os rumos destas caminhadas sempre são incertos, mesmo que na maioria das vezes, seja eu conduzido a lugares mais isolados. Necessito de espaço para ouvir meus próprios pensamentos e, infelizmente, estes lugares estão deixando de existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trocamos o verde pelo cinza; o silêncio pelo barulho. Aprendemos a apreciar o gosto da poluição. Aceitamos trocar nossa liberdade por uma prisão de pedras. Nada me deixa mais doente do que olhar pela minha janela e perceber que árvores que estavam lá muito antes de eu nascer, agora dão lugar às casas e prédios comerciais. Para onde elas terão ido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não desejo que minha vida seja conduzida por um carro. Hoje, nossa mente está voltada somente para quais vantagens vamos obter com a exploração dos recursos naturais. Acredito que ninguém nunca se incomodou com certas placas de “vende-se” espalhadas pela cidade. Áreas verdes uma vez destruídas, nunca mais deixam de ser cinza. A fome do capitalismo não tem limite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando foi a útima vez que ouvimos o barulho do rio Itajai-Açu? Com o nosso afatamento das coisas da natureza, perdemos também a chance de aprendermos muito ao nosso próprio respeito. Fico feliz de ter encontrado um remédio tão eficaz para o mal que sempre me assola. E fico mais feliz ainda, em saber que não posso encontrá-lo em nenhuma farmácia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para finalizar, gostaria de agradecer a uma velha árvore que sempre teve paciência em me ouvir nos meus momentos de loucura. E, tenho certeza que em breve novas visitas irão acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Cada pôr-do-sol que vejo me inspira o desejo de partir para um oeste tão distante e belo quanto aquele onde o sol sumiu.” (&lt;/em&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Henry_David_Thoreau"&gt;&lt;em&gt;Henry David Thoreau&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;* Citações retiradas do livro “Caminhando”&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-2613149029366056787?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/2613149029366056787/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=2613149029366056787' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/2613149029366056787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/2613149029366056787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2008/04/silncio-verde.html' title='Silêncio Verde'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-7979687718367309345</id><published>2008-04-15T16:27:00.000-07:00</published><updated>2008-04-15T16:29:06.697-07:00</updated><title type='text'>Tempo Ilusório</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;em&gt; “Os homens assemelham-se a relógios a que se dá corda e trabalham sem saber a razão. E sempre que um homem vem a este mundo, o relógio da vida humana recebe corda novamente, para repetir, mais uma vez, o velho e gasto estribilho da eterna caixa de música, frase por frase, com variações imperceptíveis."&lt;/em&gt; (Arthur Schopenhauer)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Para pensar sobre o tempo é preciso ter tempo. E talvez esteja aí, a nossa maior tragédia. São tantos os problemas que temos de enfrentar diariamente, que não nos resta energia para refletir sobre este assunto. Acreditamos estar vivendo da forma correta, mesmo sentindo um grande desconforto com tudo isso. Talvez esteja na hora de vivermos um pouco fora do tempo. Esquecer o relógio de vez em quando pode nos fazer um grande bem.&lt;br /&gt;        &lt;br /&gt;        Trazemos todo nosso tempo preso ao pulso. E a cada dia, temos a impressão de ele estar nos apertando mais. Somos escravos dos ponteiros desde a hora que levantamos até o momento em que vamos dormir. Nunca passou pela nossa cabeça que tudo isto esteja errado. Nossos atos não são mais espontâneos; agora somos como robôs autônomos que vivem exclusivamente para o trabalho. Lembre-se, tempo é dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         A sociedade nos estuda profundamente. Ela conhece os nossos medos mais profundos. E um deles é o tédio. Só temos a real noção do tempo quando não estamos soterrados de obrigações até o pescoço. Na hora que o telefone deixa de tocar, começa o nosso desespero. Sentimos-nos abandonados. O tempo se arrasta. Andamos de um lado para outro, sempre buscando alguma coisa para fazer, que de preferência, nos possibilite um esquecimento completo daquilo que realmente somos. Nessa hora, o silêncio é insuportável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Porque coloco em dúvida o tempo que conhecemos? Pelo simples fato de que não tenho mais pressa para resolver estes problemas tão complicados. Eu tenho todo o tempo do mundo para pensar. Não corro mais atrás dos sonhos dos outros. Onde o homem não se faz presente, o tempo não é um problema. As crianças não conhecem o tempo. E, parece que deixamos de pensar como crianças há muitos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         O tempo não existe fora do planeta. Tanto o relógio cronológico, quanto o calendário, foram criações feitas pelo homem. Não passam de ilusões criadas pela nossa mente, e confirmadas pela nossa inércia. Tudo o que o homem faz contra a sua própria natureza só lhe deixa cada vez mais doente. Nenhum animal consegue sobreviver muito tempo em uma jaula, ainda mais se esta for criada por ele mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Porque os astronautas dizem que o homem muda para sempre quando enxerga a Terra do espaço? Talvez seja porque lá, o tempo não tenha tanta importância.&lt;br /&gt;         &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-7979687718367309345?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/7979687718367309345/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=7979687718367309345' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/7979687718367309345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/7979687718367309345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2008/04/tempo-ilusrio.html' title='Tempo Ilusório'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-2096920739847048492</id><published>2008-04-10T17:07:00.000-07:00</published><updated>2008-04-10T17:15:23.249-07:00</updated><title type='text'>Amizades de Vidro</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;“A verdadeira amizade requer como condição a habilidade de ficar sem ela”. (Ralph Waldo Emerson)&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Chegou o momento de falar sobre a amizade. Um assunto que causa tantas alegrias e discórdias entre as pessoas. E, é claro, que eu não poderia deixar de dar a minha visão sobre este assunto tão delicado. Acredito ser um momento oportuno para falar sobre este tema, até porque, estas relações estão se tornando cada vez mais frágeis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mundo louco onde vivemos, hoje, buscamos a todo custo desenvolver amizades verdadeiras. Esperamos encontrar nas outras pessoas o consolo para nossa vida sem significado e alegria. Chegamos a acreditar que seremos acolhidos de braços abertos pela sociedade, e que não teremos mais de enfrentar a terrível solidão. Amarga ilusão. Sempre acabamos estragando tudo, seja com nossas ações impensadas ou com as palavras que escapam de nossas bocas. A sociedade não tem interesse em amigos, apenas colegas. Ela deseja exclusividade sobre nossas mentes. Na realidade, apenas usamos as pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São poucos os indivíduos verdadeiros. A maioria não passa de fachada. É impossível sustentar amizades baseadas em segundas intenções ou na utilidade, elas apenas são possíveis quando não existem mais interesses envolvidos. Quando as coisas externas adquirem um valor maior do que a personalidade, qualquer problema é capaz de fazer essa amizade se despedaçar em mil pedaços. E uma vez quebrada, não se pode colar novamente. Sempre se percebem as rachaduras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não devemos perder nosso tempo com pessoas vazias, sem conteúdo, que não sejam um desafio para nós. Desse tipo de gente, o mundo está cheio. Porém, encontrar aqueles que suportem ouvir a verdade quando necessária é difícil. E se no fundo não passam apenas de cópias, então devem ser ignoradas para seu próprio bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas pensam que um amigo precisa estar disposto a escutar seus problemas, conhecer seu passado. Muito pelo contrário. As verdadeiras amizades preferem não ter que carregar este fardo tão pesado, porque sabem que suas relações são inconstantes e podem deixar de existir de uma hora para outra. Podem precisar usar nossos segredos contra nós. E isso, acaba nos tornando reféns de nossas próprias fraquezas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prefiro ter um verdadeiro inimigo a estar rodeado de falsos amigos. É uma relação baseada na competição e admiração. Onde não são necessários elogios, nem críticas. O silêncio será a única regra. O túmulo não os assustará. Crenças e leis não terão valor algum, acreditarão somente naquilo que trazem dentro do peito. Ambos sabem que o único consolo nesta vida é a oportunidade de lutarem juntos. E isso lhes é suficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez seja loucura, mas só encontraremos a verdadeira amizade quando deixarmos de buscá-la.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Em uma época falsa, para estabelecer relações sinceras com os homens, não é necessário um surto de insanidade?”. (Ralph Waldo Emerson)&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-2096920739847048492?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/2096920739847048492/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=2096920739847048492' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/2096920739847048492'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/2096920739847048492'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2008/04/amizades-de-vidro.html' title='Amizades de Vidro'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-6497967992562009205</id><published>2008-04-03T20:35:00.000-07:00</published><updated>2008-04-03T20:39:03.406-07:00</updated><title type='text'>A Lâmina Budista</title><content type='html'>&lt;em&gt;“Separando-se de amigos queridos* - Desde sempre e cada vez mais, nossas vidas devem se separar. Meu caminho leva até ali e o seu, em outra direção; não sei aonde o caminho de amanhã pode levar, nem o que o futuro tem a oferecer."&lt;/em&gt; &lt;em&gt;(&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bruce_lee"&gt;Bruce Lee&lt;/a&gt;).&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sempre quis escrever sobre alguns assuntos que marcaram a minha adolescência e mudaram a minha maneira de enxergar as coisas. Foram assuntos que me perturbavam muito naquele tempo e acredito que é uma boa hora para falar deles. São três palavras que causam terror na maioria das pessoas, são elas: doença, velhice e a morte. Elas têm uma profunda ligação com o pensamento budista, onde estes assuntos são apontados como coisas naturais que todos os seres humanos têm de passar. E num mundo onde estas coisas são deixadas cada vez mais de lado, alguns fatos merecem ser recordados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há alguns anos atrás, vinha eu do trabalho como sempre acontecia e, ao chegar em casa, recebo a notícia que um conhecido meu estava com câncer. A princípio, não dei muita bola por não ser da minha família e também por que as nossas atividades diárias nos fazem não pensar muito nestas coisas. Mas com a chegada de outras notícias a respeito de seu estado de saúde, aqueles pensamentos começaram a me perseguir aonde quer que eu fosse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele era uma pessoa comum como eu e você. Sonhava com uma vida repleta de realizações; tinha um emprego estabelecido; sua casa já estava terminada; estava com o casamento marcado, tudo se encaminhava para uma vida tranqüila e feliz. Porém, numa visita de rotina ao médico descobre que estava com uma doença terminal. Aquilo me mudou para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei nos valores que nos são impostos pela sociedade desde cedo e comecei a colocá-los em xeque. Tudo aquilo que me disseram para buscar não fazia mais sentido, minha prioridade agora era entender sobre as coisas que não haviam me ensinado na escola. Neste momento em diante, dinheiro e status não tinham mais valor. É claro que num primeiro momento, pode até parecer loucura, mas depois de perceber que o meu amigo tinha ido embora e que sua casa tinha ficado, não dava mais para rejeitar os fatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deveríamos pensar nas coisas da morte mais cedo. Parece que temos um medo profundo em relação ao nosso fim. Buscamos respostas em vários lugares, sem nunca encontrá-las. Talvez elas não existam de verdade e tudo não passe apenas de mentiras. Podemos acreditar que vamos ficar velhos; que poderemos adoecer de uma hora para outra e, quando menos esperar, poderemos morrer. Não devemos usar nossa vida social como desculpa para não pensar em coisas que cedo ou tarde teremos de enfrentar. A falta de tempo que hoje nos causa tantos problemas nos roubou uma coisa muito importante: nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas pessoas dizem que a morte é a única certeza que podemos ter, e que não levaremos nada junto conosco. Mas são estes mesmos indivíduos que se agarram mais firmemente a suas posses. Na verdade só falam da boca para fora. Se um dia pensassem realmente em alguma coisa, o mundo seria um lugar bem menos hipócrita. Fico feliz que pensamentos tão sólidos, afiados e transparentes tenham cruzado o meu caminho desde cedo e me preparado para entender que as coisas não são como eu gostaria e, sim, como elas realmente são. Elas me defenderam de um monte de besteiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da morte do meu conhecido, aconteceu outro momento que eu não poderia deixar de mencionar. Vinha caminhando para casa, na madrugada, quando me encontro com o seu irmão mais novo vindo na mesma direção que eu. Até aquele momento não tivemos a chance de conversar sobre o acontecido. Ele se apoiou no muro e começou a chorar. Dizia que nunca mais teria a oportunidade de conversar com ele ou ter o seu apoio, que tinha perdido seu verdadeiro amigo. Aquilo me destruiu por dentro. E fez com que eu não me arrependesse do caminho que escolhi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O fim * - &lt;em&gt;Meu amigo, agora eu preciso ir embora. Você tem uma longa jornada pela frente, e deve viajar com pouca bagagem. De agora em diante, deixe para trás toda carga de conclusões preconcebidas e "abra-se" para tudo e para todos á frente. Lembre-se de que a utilidade da xícara está em seu vazio.”.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; * Passagens retiradas do livro Aforismos de &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bruce_lee"&gt;Bruce Lee&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-6497967992562009205?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/6497967992562009205/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=6497967992562009205' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/6497967992562009205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/6497967992562009205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2008/04/lmina-budista.html' title='A Lâmina Budista'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-9104679870121139848</id><published>2008-03-30T15:50:00.000-07:00</published><updated>2008-03-30T15:54:09.645-07:00</updated><title type='text'>O Quinto Evangelho</title><content type='html'>&lt;em&gt;"Rachai a madeira - lá estou eu. Erguei a pedra - lá me achareis." *&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muito tempo venho pensando nas palavras acima. E cheguei à conclusão que elas podem ser muito perigosas para algumas pessoas. É o tipo de pensamento capaz de tremer os alicerces da sociedade atual e mudar para sempre a forma como a conhecemos. Mas quem são estes medrosos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certamente, são aqueles que encontraram na crença religiosa uma boa forma de enriquecer. E são estas mesmas sanguessugas que usam de símbolos e superstições para criarem organizações cada vez maiores. Estes sujeitos se esquecem que o dinheiro não tem nenhuma relação com as palavras contidas no seu querido livro. Hoje tudo não passa de negócios. "Não se pode servir a dois senhores".*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cada dia surgem novas prisões. Este fato tem uma profunda ligação com o nosso estilo de vida atual, que tem a capacidade de distorcer o real sentido da religião. Sem que a maioria se dê conta, foi determinado que divisão e propriedade são as bases de tudo. E estas duas coisas são os principais causadores dos problemas sociais. Não percebem que, enquanto viverem aceitando este estilo de vida, onde a desigualdade cria abismos cada vez maiores entre as pessoas, só estarão contribuindo para piorar as coisa ainda mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começamos acreditando que o capitalismo e a ciência nos trariam a tão almejada felicidade, porém, a única coisa que conseguimos foi aumentar o consumo de antidepressivos. Percebemos que todos estes avanços só trarão benefícios para aqueles que tiverem dinheiro para pagar por eles, e o restante da população estará por sua própria conta. Sem poder contar com o estado, só lhes resta procurar um lugar onde possam ser aceitos.&lt;br /&gt;Ao tentarmos fugir das garras do individualismo, percebemos estar perdendo aquilo que temos de mais importante: nossa humanidade. O principal motivo de cairmos nesta armadilha, é que nesse momento estamos sem rumo, somos bombardeados pelas influências externas e precisamos de alguém que nos mostre um caminho a seguir. Então, como num passe de mágica, eis que surge uma nova prisão em cada esquina, prometendo a solução imediata dos problemas desta e da outra vida também. E nessa hora, é bom lembrar das palavras do carpinteiro: "Quando um cego guia outro cego, ambos cairão na cova".*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não preciso de um livro, templo ou ainda de alguém repetindo a mesma coisa toda semana. Não posso (e não quero) passar a vida toda acreditando em ilusões. Chega um momento que devemos deixar de ser crianças e deixar o medo de lado, aceitando as coisas como elas são. Devemos acreditar apenas naquilo que enxergamos, independente do resultado que isto possa nos trazer.Aquilo que entendo por religião, não tem nenhuma relação com crenças ou regras e, sim, em compreender aquele sentimento que não posso explicar através de palavras. Posso encontrar essa coisa apenas olhando para dentro da natureza. Quem são os outros para me dizerem no que devo acreditar ou não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes penso que, se o carpinteiro andasse entre nós, nenhuma destas prisões permaneceriam de pé. E que na mesma hora seria ele morto novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"O homem que é feliz, não reza" (&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Krishnamurti"&gt;Krishnamurti&lt;/a&gt;)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;em&gt; Passagens tiradas do &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Evangelho_de_Tom%C3%A9"&gt;Evangelho de Tomé&lt;/a&gt; (O Quinto Evangelho), encontrado em 1945 no Egito.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-9104679870121139848?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/9104679870121139848/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=9104679870121139848' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/9104679870121139848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/9104679870121139848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2008/03/o-quinto-evangelho_30.html' title='O Quinto Evangelho'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-7178270149811873501</id><published>2008-03-20T10:05:00.000-07:00</published><updated>2008-03-21T15:32:02.019-07:00</updated><title type='text'>Baile de Máscaras</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;"Todo homem é sincero sozinho. A hipocrisia tem início quando aparece uma segunda pessoa." (&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ralph_Waldo_Emerson"&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Ralph Waldo Emerson&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Somos jogados neste mundo sem saber o motivo. Apenas nos pedem para escolher uma máscara qualquer e aproveitar a festa. Nestas comemorações, podemos realizar nosso desejo mais profundo: ser outra pessoa. E se por acaso nos cansarmos, é preciso apenas mudar a fantasia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Participando das atividades sociais, posso me esquecer de quem sou por alguns instantes, podendo assumir uma personalidade mais conveniente. Como a sociedade incentiva a criação de personagens (principalmente vilões), cada pessoa pode assumir aquela que melhor se adapta, seja ela de um político, padre, psicopata ou, ainda, a do homem "correto", que adora esconder seus demônios em um sótão qualquer. Nossa verdadeira personalidade sempre nos atormenta quando estamos sozinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assumimos papéis diferentes em várias partes do meio social. No trabalho somos uma pessoa, na escola outra e na família ainda uma diferente. Não queremos que os outros descubram nossas falhas, que riam de nós. E quanto mais mergulhamos de cabeça nestas festas, mais doentes ficamos. Estas doenças, tanto físicas quanto psicológicas, nada mais são que o fim da festa para nós ou, talvez, o momento em que deixaremos de estar na lista de convidados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na solidão, não temos como mentir para nós mesmos. Tudo aquilo que a de pior em nosso interior, vem à tona como uma erupção. Então, no momento em que a máscara cai, começa a nossa revolta contra o mundo e todos os que nele habitam. Sentimo-nos como se fossemos usados, que realmente tudo não passou de uma grande mentira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo sendo quase inevitável, no momento em que nossa fantasia assume o controle, o final é sempre trágico. Encanta-nos seu jeito, sua maneira de agir, chegamos a acreditar que somos invencíveis e que chegou o momento de sermos valorizados e amados por todos. Mas, no fundo, apenas queremos fazer parte de alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No momento que tomamos consciência de quem somos, tem início o nosso desespero. Este desespero é a voz do inconsciente, nos dizendo que á vida é curta e o tempo não espera ninguém. Enquanto vivermos num meio onde as aparências são o principal, e qualquer um pode ter seus minutos de fama (sem criar nada), os bailes de máscaras continuarão a existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei quanto a vocês, mas o meu convite já chegou. Estou atrasado, então nos vemos lá. A propósito, qual máscara você usa? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-7178270149811873501?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/7178270149811873501/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=7178270149811873501' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/7178270149811873501'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/7178270149811873501'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2008/03/baile-de-mscaras.html' title='Baile de Máscaras'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-5048398275891043199</id><published>2008-03-13T11:42:00.000-07:00</published><updated>2008-03-21T15:11:06.039-07:00</updated><title type='text'>Quando nos tornamos Winston Smith</title><content type='html'>Winston Smith acreditava que poderia mudar o seu mundo.&lt;br /&gt;Nós acreditamos que podemos mudar o nosso também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Winston começou a duvidar das coisas ao seu redor.&lt;br /&gt;Nós, às vezes, duvidamos das coisas ao nosso redor&lt;br /&gt;Odiava cada vez mais todo tipo de governo.&lt;br /&gt;Nós já odiamos toda forma de governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Winston nunca quis ser controlado.&lt;br /&gt;Nós também não queremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele acreditava que nada era mais forte que o amor.&lt;br /&gt;Nós também acreditamos&lt;br /&gt;Sentiu sua vida governada.&lt;br /&gt;Nós também estamos sentindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele acreditou que era livre.&lt;br /&gt;Quis viver apenas sua vida.&lt;br /&gt;No final, não suportava mais.&lt;br /&gt;Chegou a acreditar que 2 + 2 = 5&lt;br /&gt;Nós ainda não acreditamos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Winston foi se entregando aos poucos.&lt;br /&gt;Quem pode resistir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Winston Smith é o personagem principal do romance ‘&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Winston_Smith"&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;1984&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;’, do escritor &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/George_Orwell"&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;George Orwell&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-5048398275891043199?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/5048398275891043199/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=5048398275891043199' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/5048398275891043199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/5048398275891043199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2008/03/quando-nos-tornamos-winston-smith.html' title='Quando nos tornamos Winston Smith'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-216268022583737724</id><published>2008-03-13T09:31:00.000-07:00</published><updated>2008-03-21T15:34:01.727-07:00</updated><title type='text'>Entre Cercas e Muros</title><content type='html'>Buscamos formas de nos proteger da violência dos dias atuais. Acreditamos que quanto maior for o muro ou reforçada a cerca, mais nos sentiremos a salvo. Buscamos ter uma vida segura, que afaste de nós toda a maldade das ruas. Mas afinal, o quê representam estas cercas e muros ao nosso redor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa sociedade onde a palavra de ordem é acumular e conquistar, a corrida por segurança e riquezas deixa excluída uma grande parte da população, que está entregue à própria sorte. Estes usarão de terror para fazerem parte da sociedade, criando um clima de insegurança. Situação esta que ninguém poderá escapar, independente da classe social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É curioso observar que quanto mais prosperamos economicamente, cresce também o abismo da desigualdade. Deixaremos as ruas cultivarem doenças sociais, das quais não queremos nos envolver, mesmo sabendo que fazemos parte deste problema. E como sempre, tentaremos nos esconder atrás dos muros de nossas casas. Infelizmente, cedo ou tarde, baterão em nossa porta(gostando ou não) e não poderemos fugir da realidade criada por nossos próprios medos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além da proteção feita por tijolos e alumínios, existe outra proteção muito mais espessa, que é a verdadeira razão por trás da desigualdade entre os homens. Esta se chama: parede psicológica. A busca pelo chamado "sonho de consumo", está criando pessoas cada vez mais doentes, tanto físicas quanto mentais. É certo que quanto mais adquirimos, mais cresce o nosso medo em relação aos outros. Temos de ter a consciência de que coisas ruins podem nos acontecer, a partir do momento que colocamos nossos pés fora de nossos " domínios".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na forma como a sociedade esta estruturada atualmente, fica impossível imaginar um fim para as desigualdades sociais. Os pobres tendem a ficar cada vez mais pobres e os ricos a explorar cada vez mais. Até quando nossas muralhas nos defenderão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos sair pelas ruas ostentando nossos belos prêmios que conseguimos através da exploração e, ainda, dizer que a sociedade foi criada para garantir o futuro. No fundo, sabemos que tudo não passa de hipocrisia e que não teremos como levar tudo junto conosco, quando chegar a nossa hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, da próxima vez que assistirmos a um pedreiro levantando o muro de nosso vizinho, podemos ter a certeza de que mais um tijolo foi colocado no muro da desigualdade que separa os homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Vivemos num tempo em que a civilização periga morrer por meio da civilização"(&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Nietzsche"&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Nietzsche&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-216268022583737724?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/216268022583737724/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=216268022583737724' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/216268022583737724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/216268022583737724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2008/03/entre-cercas-e-muros.html' title='Entre Cercas e Muros'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-7911699408375993133</id><published>2008-03-12T12:54:00.000-07:00</published><updated>2008-03-21T15:12:25.891-07:00</updated><title type='text'>Mal Educado</title><content type='html'>Os fatos ao nosso redor confirmam este título. A velha idéia de que salas de aula cada vez mais cheias resolverão o problema educacional, é desculpa de políticos que desejam manter as coisas como estão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixar a educação a cargo dos meios de comunicação pode ser um grande erro. Trocar o ato de pensar e criticar pelo ato de consumir, mostra claramente o tipo de sociedade que estamos criando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num mundo repleto de problemas sociais, a educação é o unico caminho que resta. Porém, se você passar o olhar ao seu redor, poderá constatar um fato muito sutil que, na maioria das vezes, passa despercebido. Em geral, as pessoas não se preocupam com o problema da educação - e nem poderiam, pois, são muito ocupadas. Elas pensam apenas em arrumar um emprego qualquer que lhes tragam algum tipo de segurança. A raiz de todos os problemas tem sua base na errada concepção de educação, tanto por políticos, como das pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos incentivando as pessoas a simplesmente se adaptarem ao meio social. Acreditam que se uma pessoa arrumar uma ocupação qualquer, seus problemas estarão resolvidos quando, na verdade, está se criando indíviduos que não estão preparados para enfrentar os problemas atuais que precisam de senso crítico para serem resolvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A falta de liberdade e as influência dos meios de comunicação impedem o nascimento de uma mente crítica aos alunos. É preciso dar-lhes espaço para pensarem sobre as coisas de sua própria vida, antes de simplesmente jogá-las em uma selva de pedra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto mais complexa se torna a sociedade a nossa volta, menos damos atenção para a educação, deixando sua responsabilidade aos cuidados de outras pessoas. Tentamos sobreviver e o resto não nos importa. Se não dermos uma atenção especial, não só para o ensino nas escolas, mas também a nossa própria educação, será difícil ver alguma mudança no atual quadro em que vivemos. Sem uma conscientização, corremos o risco de termos uma sociedade de cidadãos de todas as idades, que vivem dependendo do estado para tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A disciplina da qual somos todos moldados, só contribui para fecharmos nossos olhos para a causa do problema. A todo momento somos condicionados a não pensar em nada e a levar uma vida conformada com tudo que nos foi entregue. Talvez este conformismo seja a razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, da próxima vez que observarmos uma criança indo para escola, pense que ela esta fadada a se adaptar a tudo como é e sempre foi. Terá sonhos que serão trocados por uma vida sem alegria e liberdade. E assim, por ter sido considerada pelo sistema como apenas mais uma.&lt;br /&gt;Passará toda sua existência brincando de faz de conta, sem nunca perceber o 'porquê' de todos os seus sofrimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;" Antes de ser um cientista, você é um ser humano" (&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Krishnamurti"&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Krishnamurti&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;)&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-7911699408375993133?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/7911699408375993133/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=7911699408375993133' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/7911699408375993133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/7911699408375993133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2008/03/mal-educado.html' title='Mal Educado'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3214271410669000523.post-6190182066710579956</id><published>2008-02-04T04:58:00.000-08:00</published><updated>2008-03-21T15:14:33.047-07:00</updated><title type='text'>Elogio à Dúvida</title><content type='html'>Nascemos, crescemos e morremos sem nunca duvidar de nada. Temos medo de nossos pensamentos, não sabemos para onde eles irão nos levar ou o quê pode nos acontecer; temos medo de pensar. Cada vez mais temos menos espaço para pensar e duvidar, seja sobre nossa vida em sociedade ou mesmo sobre aquilo que se passa dentro de nós. Será que encontraremos tempo nesta vida para questionar o mundo ao nosso redor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É óbvio que, uma vez apanhados pela onda social da influência e conformismo, estaremos perdidos para sempre. Para aqueles que percebem as mentiras contadas, viver em uma sociedade onde a idéia de liberdade não passa de ilusão, só pode criar um sentimento de vazio e desespero a todos que vivem neste ambiente doente. É curioso quando certos pensamentos cruzam nosso caminho, mudando para sempre nossa forma de enxergar a realidade. Talvez nunca mais ajamos da mesma forma. Buscaremos as respostas por trás dos falsos valores e, com isso, deixaremos de lado toda a influência imposta pelo meio social, deixando assim de levar uma vida superficial e medíocre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na grande peça teatral que é a nossa vida, desejamos um papel qualquer que nos traga segurança para podermos ter uma vida sem grandes preocupações. Mas será que realmente existe segurança no mundo em que vivemos? Se passarmos toda nossa vida sem, ao menos uma vez, parar e deixar tudo de lado (família, trabalho, estudo, medo e desespero) estaremos correndo o risco de nos tornarmos meros fantoches, nas mãos da ignorância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos nos incentivam a aceitar tudo como está e a correr em círculos atrás de fantasmas, de preferência, de olhos e ouvidos tapados. Temos que duvidar de nós mesmos para que aconteça uma profunda mudança ao nosso redor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certos valores da tradição e da moralidade não passam de espantalhos colocados em nossa frente para nos manterem afastados e assustados. Assim, impedindo que os indivíduos criem uma mente critica que não aceite tudo como ovelhas em um rebanho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de tudo, ainda há esperança. Em meio ao cinza gélido social, sempre surgirão personagens armados com uma mente livre de preconceitos e medos impostos desde o nascimento. Num mundo que existe apenas para o lucro e a repetição, coisas como pensar e duvidar se tornaram inconvenientes sociais. No momento em que a dúvida surgir na mente do indivíduo, estará ele sozinho e não terá a quem recorrer. A partir deste momento, travará uma luta pelo fim dos falsos valores, para assim poder se expressar de forma livre e singular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que a mentira.” (&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Nietzsche"&gt;Nietzche&lt;/a&gt;)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3214271410669000523-6190182066710579956?l=williamwagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://williamwagner.blogspot.com/feeds/6190182066710579956/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3214271410669000523&amp;postID=6190182066710579956' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/6190182066710579956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3214271410669000523/posts/default/6190182066710579956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://williamwagner.blogspot.com/2008/02/comeo.html' title='Elogio à Dúvida'/><author><name>William Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09568032492730386529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
